Política Nacional · 2026-09-23 · Redação Notícia ES

Seis presidenciáveis somam R$ 10,1 milhões em aportes privados declarados ao TSE

Doações diretas, financiamento coletivo e recursos próprios mostram perfis distintos de arrecadação na corrida ao Planalto.

Seis presidenciáveis somam R$ 10,1 milhões em aportes privados declarados ao TSE
Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Crédito: Globo.

Seis candidatos à Presidência somam cerca de R$ 10,1 milhões em doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e recursos próprios declarados à Justiça Eleitoral. Os dados disponíveis no DivulgaCandContas, conferidos na madrugada desta quarta-feira (23), mostram que Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) construíram bases privadas de financiamento com perfis bastante diferentes.

O cálculo separa os aportes privados das transferências feitas por diretórios partidários e reúne três rubricas que precisam ser distinguidas: doações diretas de pessoas físicas, valores captados por plataformas de financiamento coletivo e recursos próprios do candidato. As prestações mais recentes dos seis nomes foram entregues ao TSE entre 18 e 21 de setembro. Como a alimentação do sistema continua durante a campanha, os números são um retrato do momento, não um balanço definitivo.

Flávio aparece com aproximadamente R$ 2,92 milhões nessas fontes, seguido por Caiado, com R$ 2,52 milhões, e Renan, com R$ 2,35 milhões. Lula reúne cerca de R$ 1,44 milhão. Cury chega a aproximadamente R$ 562 mil quando se somam doações de terceiros e R$ 350 mil aplicados pelo próprio candidato. Zema registra pouco mais de R$ 300 mil. A soma, feita a partir dos quadros oficiais, supera R$ 10,09 milhões.

Grandes cheques e vaquinha digital

Na campanha de Flávio Bolsonaro, o TSE registra R$ 2,82 milhões em receitas de pessoas físicas e outros R$ 106,7 mil por financiamento coletivo. O maior doador individual é Erasmo Carlos Battistella, executivo da produtora de biodiesel Be8, com R$ 500 mil. Também aparecem entre os maiores aportes Walter Schlatter, com R$ 300 mil, Alexandre Ribeiro Chequer, com R$ 240 mil em três lançamentos, e Waldemar Verdi Junior, com R$ 180 mil.

Ronaldo Caiado concentra quase toda a arrecadação de pessoas físicas em um único nome. Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso declarou R$ 2,3 milhões, em três transferências, para a campanha do ex-governador de Goiás. O valor representa mais de nove décimos dos R$ 2,525 milhões recebidos de pessoas físicas. Outros integrantes da lista oficial fizeram aportes de R$ 20 mil ou R$ 25 mil.

Renan Santos segue um desenho diferente. A plataforma QueroApoiar.com.br concentra R$ 2,08 milhões em financiamento coletivo, enquanto as doações diretas de pessoas físicas somam R$ 271,1 mil distribuídos por mais de 1,5 mil lançamentos. Fora da vaquinha, aparecem contribuições de R$ 50 mil feitas por Danilo Julio Gatto e pelos irmãos José Antônio e José Thomaz Israel da Veiga Pereira.

Lula declarou R$ 1,26 milhão em receitas de pessoas físicas e R$ 176,3 mil por financiamento coletivo. Battistella também ocupa o primeiro lugar entre os doadores privados do petista, com R$ 500 mil — o mesmo valor enviado a Flávio. A relação inclui ainda Pedro Pereira de Freitas, com R$ 90 mil, e Marco Aurélio de Carvalho, com R$ 50 mil. Há contribuições estimáveis, quando o apoio é prestado na forma de serviço em vez de transferência bancária.

Recursos próprios e apoio empresarial

Augusto Cury destinou R$ 350 mil do próprio patrimônio à campanha. Entre os demais apoiadores, o TSE apresenta Janguiê Diniz, com R$ 100 mil, Wilson de Matos Silva, com R$ 60 mil, e um serviço de coordenação financeira estimado em R$ 35 mil. Somados os recursos próprios e as contribuições de pessoas físicas, a parcela privada analisada chega a cerca de R$ 562 mil.

Romeu Zema recebeu R$ 200 mil de Renato Ribeiro Machado e R$ 50 mil de cada um dos irmãos Hélio e Salo Seibel. O total de pessoas físicas exibido pelo TSE é de R$ 300.010,50. Nos seis casos, os números privados não representam todo o caixa: repasses partidários continuam sendo a principal fonte de receita para várias campanhas e foram excluídos desta comparação para não misturar origens diferentes.

A presença de Battistella nas duas campanhas que lideram as pesquisas chama atenção, mas uma doação simultânea, por si só, não prova acordo político ou contrapartida. Em nota reproduzida pelo g1, o empresário afirmou que os repasses foram feitos como pessoa física, dentro dos limites legais, e relacionou a decisão a governança, integridade e transparência. Não há, nos dados consultados, indicação de irregularidade atribuída ao doador.

Limites legais e atualização dos dados

A Resolução nº 23.607 do TSE limita as doações de pessoas físicas a 10% dos rendimentos brutos obtidos no ano anterior à eleição. Bens próprios e serviços prestados pelo próprio doador têm tratamento específico: até R$ 40 mil, essa modalidade estimável não se submete ao limite geral; acima desse valor, vale a trava de 10%. O candidato também pode usar recursos próprios, respeitado o teto correspondente ao cargo.

As campanhas devem informar as receitas à Justiça Eleitoral e podem apresentar novas entregas ou retificações. Por isso, totais divulgados em horários diferentes podem não coincidir centavo a centavo. O g1 publicou levantamento com base nos lançamentos disponíveis até terça-feira (22); a conferência do Notícia ES utilizou os painéis individuais do TSE e manteve separadas as rubricas de pessoa física, vaquinha e autofinanciamento.

Nos próximos dias, o dado mais relevante será observar se a concentração em poucos grandes doadores muda e quanto as campanhas ampliarão a base de pequenas contribuições. O sistema do TSE permite acompanhar nome, valor, forma do aporte e origem dos recursos declarados. Essa transparência não substitui a análise posterior das contas, mas oferece ao eleitor uma fotografia verificável de quem financia cada candidatura antes da votação.

Em resumo

Quanto os seis presidenciáveis somam em aportes privados?

As prestações disponíveis no TSE indicam aproximadamente R$ 10,1 milhões em doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e recursos próprios declarados pelas seis campanhas analisadas.

Qual campanha recebeu a maior doação individual?

Ronaldo Caiado declarou R$ 2,3 milhões do jurista e empresário Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, maior aporte individual identificado entre os seis nomes.

Quem doou para Lula e Flávio Bolsonaro?

Erasmo Carlos Battistella, executivo da Be8, aparece nas duas prestações com uma doação de R$ 500 mil para cada candidatura.

Qual candidatura depende mais de financiamento coletivo?

Renan Santos declarou cerca de R$ 2,08 milhões por meio de financiamento coletivo, a maior parcela da arrecadação privada analisada em sua campanha.

Doações privadas são o mesmo que repasses partidários?

Não. O cálculo de R$ 10,1 milhões exclui transferências de diretórios partidários e reúne apenas recursos de pessoas físicas, vaquinhas e valores próprios do candidato.

Os valores divulgados pelo TSE podem mudar?

Sim. As campanhas continuam arrecadando e devem informar receitas à Justiça Eleitoral; novas entregas ou retificações alteram os totais exibidos no DivulgaCandContas.

Fontes