Seis presidenciáveis somam R$ 10,1 milhões em aportes privados declarados ao TSE
Doações diretas, financiamento coletivo e recursos próprios mostram perfis distintos de arrecadação na corrida ao Planalto.

Seis candidatos à Presidência somam cerca de R$ 10,1 milhões em doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e recursos próprios declarados à Justiça Eleitoral. Os dados disponíveis no DivulgaCandContas, conferidos na madrugada desta quarta-feira (23), mostram que Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) construíram bases privadas de financiamento com perfis bastante diferentes.
O cálculo separa os aportes privados das transferências feitas por diretórios partidários e reúne três rubricas que precisam ser distinguidas: doações diretas de pessoas físicas, valores captados por plataformas de financiamento coletivo e recursos próprios do candidato. As prestações mais recentes dos seis nomes foram entregues ao TSE entre 18 e 21 de setembro. Como a alimentação do sistema continua durante a campanha, os números são um retrato do momento, não um balanço definitivo.
Flávio aparece com aproximadamente R$ 2,92 milhões nessas fontes, seguido por Caiado, com R$ 2,52 milhões, e Renan, com R$ 2,35 milhões. Lula reúne cerca de R$ 1,44 milhão. Cury chega a aproximadamente R$ 562 mil quando se somam doações de terceiros e R$ 350 mil aplicados pelo próprio candidato. Zema registra pouco mais de R$ 300 mil. A soma, feita a partir dos quadros oficiais, supera R$ 10,09 milhões.
Grandes cheques e vaquinha digital
Na campanha de Flávio Bolsonaro, o TSE registra R$ 2,82 milhões em receitas de pessoas físicas e outros R$ 106,7 mil por financiamento coletivo. O maior doador individual é Erasmo Carlos Battistella, executivo da produtora de biodiesel Be8, com R$ 500 mil. Também aparecem entre os maiores aportes Walter Schlatter, com R$ 300 mil, Alexandre Ribeiro Chequer, com R$ 240 mil em três lançamentos, e Waldemar Verdi Junior, com R$ 180 mil.
Ronaldo Caiado concentra quase toda a arrecadação de pessoas físicas em um único nome. Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso declarou R$ 2,3 milhões, em três transferências, para a campanha do ex-governador de Goiás. O valor representa mais de nove décimos dos R$ 2,525 milhões recebidos de pessoas físicas. Outros integrantes da lista oficial fizeram aportes de R$ 20 mil ou R$ 25 mil.
Renan Santos segue um desenho diferente. A plataforma QueroApoiar.com.br concentra R$ 2,08 milhões em financiamento coletivo, enquanto as doações diretas de pessoas físicas somam R$ 271,1 mil distribuídos por mais de 1,5 mil lançamentos. Fora da vaquinha, aparecem contribuições de R$ 50 mil feitas por Danilo Julio Gatto e pelos irmãos José Antônio e José Thomaz Israel da Veiga Pereira.
Lula declarou R$ 1,26 milhão em receitas de pessoas físicas e R$ 176,3 mil por financiamento coletivo. Battistella também ocupa o primeiro lugar entre os doadores privados do petista, com R$ 500 mil — o mesmo valor enviado a Flávio. A relação inclui ainda Pedro Pereira de Freitas, com R$ 90 mil, e Marco Aurélio de Carvalho, com R$ 50 mil. Há contribuições estimáveis, quando o apoio é prestado na forma de serviço em vez de transferência bancária.
Recursos próprios e apoio empresarial
Augusto Cury destinou R$ 350 mil do próprio patrimônio à campanha. Entre os demais apoiadores, o TSE apresenta Janguiê Diniz, com R$ 100 mil, Wilson de Matos Silva, com R$ 60 mil, e um serviço de coordenação financeira estimado em R$ 35 mil. Somados os recursos próprios e as contribuições de pessoas físicas, a parcela privada analisada chega a cerca de R$ 562 mil.
Romeu Zema recebeu R$ 200 mil de Renato Ribeiro Machado e R$ 50 mil de cada um dos irmãos Hélio e Salo Seibel. O total de pessoas físicas exibido pelo TSE é de R$ 300.010,50. Nos seis casos, os números privados não representam todo o caixa: repasses partidários continuam sendo a principal fonte de receita para várias campanhas e foram excluídos desta comparação para não misturar origens diferentes.
A presença de Battistella nas duas campanhas que lideram as pesquisas chama atenção, mas uma doação simultânea, por si só, não prova acordo político ou contrapartida. Em nota reproduzida pelo g1, o empresário afirmou que os repasses foram feitos como pessoa física, dentro dos limites legais, e relacionou a decisão a governança, integridade e transparência. Não há, nos dados consultados, indicação de irregularidade atribuída ao doador.
Limites legais e atualização dos dados
A Resolução nº 23.607 do TSE limita as doações de pessoas físicas a 10% dos rendimentos brutos obtidos no ano anterior à eleição. Bens próprios e serviços prestados pelo próprio doador têm tratamento específico: até R$ 40 mil, essa modalidade estimável não se submete ao limite geral; acima desse valor, vale a trava de 10%. O candidato também pode usar recursos próprios, respeitado o teto correspondente ao cargo.
As campanhas devem informar as receitas à Justiça Eleitoral e podem apresentar novas entregas ou retificações. Por isso, totais divulgados em horários diferentes podem não coincidir centavo a centavo. O g1 publicou levantamento com base nos lançamentos disponíveis até terça-feira (22); a conferência do Notícia ES utilizou os painéis individuais do TSE e manteve separadas as rubricas de pessoa física, vaquinha e autofinanciamento.
Nos próximos dias, o dado mais relevante será observar se a concentração em poucos grandes doadores muda e quanto as campanhas ampliarão a base de pequenas contribuições. O sistema do TSE permite acompanhar nome, valor, forma do aporte e origem dos recursos declarados. Essa transparência não substitui a análise posterior das contas, mas oferece ao eleitor uma fotografia verificável de quem financia cada candidatura antes da votação.
Em resumo
As prestações disponíveis no TSE indicam aproximadamente R$ 10,1 milhões em doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e recursos próprios declarados pelas seis campanhas analisadas.
Ronaldo Caiado declarou R$ 2,3 milhões do jurista e empresário Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso, maior aporte individual identificado entre os seis nomes.
Erasmo Carlos Battistella, executivo da Be8, aparece nas duas prestações com uma doação de R$ 500 mil para cada candidatura.
Renan Santos declarou cerca de R$ 2,08 milhões por meio de financiamento coletivo, a maior parcela da arrecadação privada analisada em sua campanha.
Não. O cálculo de R$ 10,1 milhões exclui transferências de diretórios partidários e reúne apenas recursos de pessoas físicas, vaquinhas e valores próprios do candidato.
Sim. As campanhas continuam arrecadando e devem informar receitas à Justiça Eleitoral; novas entregas ou retificações alteram os totais exibidos no DivulgaCandContas.
Fontes
- Tribunal Superior Eleitoral — DivulgaCandContas
- g1 — levantamento sobre doadores dos presidenciáveis
- TSE — prestação de contas de Flávio Bolsonaro
- TSE — prestação de contas de Lula
- TSE — prestação de contas de Ronaldo Caiado
- TSE — prestação de contas de Renan Santos
- TSE — prestação de contas de Augusto Cury
- TSE — prestação de contas de Romeu Zema
- TSE — Resolução nº 23.607 sobre arrecadação e gastos