Dólar fecha abaixo de R$ 5 antes do segundo turno
Moeda recuou quase 1% no último pregão antes da votação presidencial e acumulou baixa superior a 1,5% na semana.

O dólar encerrou esta sexta-feira (23) abaixo de R$ 5 no último pregão antes do segundo turno presidencial. A cotação comercial ficou próxima de R$ 4,99, enquanto o dólar à vista terminou a R$ 4,9896 na venda, com queda de 0,97%.
O fechamento foi divulgado pelo Metrópoles e confirmado pela Reuters em publicação do UOL. As diferenças de alguns milésimos entre cotações resultam de referências e horários distintos, mas as fontes convergem sobre a queda próxima de 1% e o patamar inferior a R$ 5.
A moeda permaneceu perto da estabilidade durante boa parte do dia e perdeu força na reta final. Na semana, o dólar à vista acumulou recuo de 1,64%; no ano, a queda chegou a 9,10%, segundo os números de fechamento informados pela Reuters.
O contrato futuro para novembro, o mais negociado na B3, caía 1,21% por volta das 17h06, negociado perto de R$ 5,001. O dado mostra que o mercado futuro também acompanhou o fortalecimento do real, embora sem romper claramente o mesmo nível do mercado à vista.
Mercado precifica disputa eleitoral
Operadores relacionaram o movimento às posições adotadas antes da votação de domingo (25). Parte do mercado passou a trabalhar com a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva, apesar do equilíbrio mostrado pelas pesquisas eleitorais mais recentes.
Essa leitura influenciou câmbio, juros e bolsa, mas não representa previsão garantida do resultado das urnas. Preços financeiros mudam rapidamente conforme pesquisas, notícias, fluxo de capital e decisões de investidores nacionais e estrangeiros.
O dia também teve divulgação do IPCA-15 de outubro, que desacelerou para 0,32% depois de alta de 0,70% em setembro. Um resultado de inflação abaixo do esperado pode alterar as projeções para juros, outro fator importante para a formação da taxa de câmbio.
Cotação exige leitura cuidadosa
No exterior, o dólar avançou diante de moedas fortes, enquanto tensões geopolíticas e a alta do petróleo afetaram os mercados. O comportamento do real destoou parcialmente desse movimento global, reforçando o peso dos fatores domésticos no pregão brasileiro.
Para consumidores e empresas, o fechamento abaixo de R$ 5 não é transferido automaticamente para preços de viagens, importações ou produtos. Impostos, margens, estoques, contratos de proteção cambial e prazos de reposição determinam quando uma variação chega à economia real.
A sessão seguinte ocorrerá depois da definição presidencial e poderá registrar oscilação mais intensa. O comportamento dependerá do resultado eleitoral, das primeiras sinalizações econômicas e do cenário externo; por isso, o fechamento desta sexta serve como fotografia do mercado, não como garantia de tendência.