Economia · 2026-10-29 · Redação Notícia ES

Dólar forte após eleição coloca exportadoras no radar: quais são as ações preferidas?

Com real pressionado, juros mais altos e deterioração das perspectivas domésticas, bancos e corretoras veem empresas dolarizadas como principais vencedoras do novo cenário; companhias ligadas ao ciclo local seguem sob cautela

Dólar forte após eleição coloca exportadoras no radar: quais são as ações preferidas?
Dólar forte após eleição coloca exportadoras no radar: quais são as ações preferidas?

A disparada do dólar, com avanço de mais de 8% na segunda pós-eleição, e a forte abertura da curva de juros após as eleições presidenciais têm provocado uma ampla revisão nas visões sobre ações das instituições financeiras, com exportadoras e empresas geradoras de receitas em moeda forte assumindo protagonismo entre as principais apostas para os próximos meses.

Relatórios de casas como Bradesco BBI, Citi, JPMorgan, Morgan

Relatórios de casas como Bradesco BBI, Citi, JPMorgan, Morgan Stanley, BTG Pactual e XP Investimentos convergem para a conclusão de que, em um ambiente de real mais fraco, crescimento econômico mais lento e juros elevados por mais tempo, companhias com receitas dolarizadas oferecem uma combinação mais atrativa de proteção e crescimento.

A XP destaca que o tombo da Bolsa após o segundo turno reflete a precificação de um cenário macroeconômico mais difícil, marcado por desvalorização cambial, aumento dos juros reais de longo prazo e maior prêmio de risco para ativos domésticos.

Nesse contexto, a corretora aponta que empresas como Suzano ( SUZB3 ), Gerdau ( GGBR4 ), Aura Minerals ( AURA33 ) e Vale ( VALE3 ) aparecem entre as mais bem posicionadas para enfrentar um ambiente doméstico mais adverso.

Suzano é a principal beneficiária do chamado “fator cambial”,

Segundo a análise da XP, a Suzano é a principal beneficiária do chamado “fator cambial”, enquanto Gerdau e Vale combinam receitas internacionais com menor exposição aos riscos da economia brasileira.

Já empresas domésticas e mais alavancadas, como CSN ( CSNA3 ), Usiminas ( USIM5 ) e Irani ( RANI3 ), tendem a sofrer mais em um cenário de juros altos e atividade econômica mais fraca.

Entre todos os nomes citados pelos estrategistas e analistas de mercado, a Embraer ( EMBJ3 ) continua sendo uma das preferidas.

O Bradesco BBI reiterou recentemente a fabricante de aeronaves como sua principal recomendação no setor de transportes, destacando a combinação de receitas em dólar, carteira de pedidos robusta e crescimento consistente dos resultados.

Os analistas estimam crescimento anual composto de cerca de 20% do lucro operacional entre 2026 e 2028, sustentado por uma carteira de encomendas equivalente a cerca de cinco anos de produção na aviação comercial e três anos na executiva.

Além disso, o banco vê potenciais catalisadores adicionais, como novos contratos para os jatos comerciais, campanhas de venda do cargueiro KC-390 e a evolução da Eve.

A XP compartilha visão semelhante, apontando que a tese da Embraer permanece praticamente imune à deterioração do ambiente doméstico, já que a companhia possui baixa exposição à atividade econômica brasileira e parcela relevante de suas receitas atreladas ao dólar.

Uma das novidades nas análises recentes é o reforço da visão positiva para a WEG ( WEGE3 ). Para a XP, a empresa passou a oferecer um perfil ainda mais interessante após a correção recente das ações.

Os analistas classificam a companhia como um “hedge cambial natural”, graças à elevada exposição internacional dos negócios e à baixa dependência do ciclo econômico brasileiro.

Os analistas também destacam que a companhia continua exposta a tendências estruturais de crescimento ligadas à eletrificação, automação industrial e infraestrutura energética, fatores que ajudam a reduzir a influência das oscilações macroeconômicas domésticas sobre os resultados.

No setor de papel e celulose, a preferência dos analistas continua concentrada na Suzano.

O Citi manteve recomendação de compra para a companhia e destacou que ela se tornou uma das principais escolhas defensivas após as eleições.

Segundo o banco, caso o dólar médio de 2027 fique em R$ 5,50, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetado poderá ser aproximadamente 5% superior ao previsto atualmente.

Já o Bradesco BBI calcula que cada movimentação de R$ 0,10 na taxa de câmbio gera impacto de cerca de 3% no EBITDA anual da empresa.

A XP também coloca a Suzano entre as maiores vencedoras do novo cenário. Em seu exercício de sensibilidade, a corretora estima que uma desvalorização de 10% do real pode provocar um aumento de cerca de 27% no fluxo de caixa livre terminal da companhia, o maior impacto positivo de sua cobertura.

A XP também chama atenção para outras companhias industriais com forte exposição externa, como a Tupy ( TUPY3 ), que segue entre as preferidas da casa por gerar aproximadamente 60% de sua receita no exterior, especialmente no mercado de veículos pesados dos Estados Unidos.

Já a Marcopolo ( POMO4 ) combina valuation considerado descontado, dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) próximo de 10% e relevante presença internacional.

Ainda assim, a corretora mantém postura mais cautelosa devido às incertezas relacionadas à demanda por ônibus em um ambiente econômico mais fraco.

No caso da Gerdau, a preferência continua ligada à forte exposição aos Estados Unidos. A XP destaca que a companhia alia geração de caixa em dólar, boa dinâmica operacional na América do Norte e menor dependência do mercado brasileiro.

O Morgan Stanley, em relatório de estratégia, promoveu uma ampla rotação para empresas exportadoras logo após as eleições, defendendo o que chamou de estratégia “Brazil with a Z”.

A carteira passou a privilegiar companhias com receitas dolarizadas e menor exposição ao ciclo doméstico, como Petrobras ( PETR4 ), Embraer ( EMBJ3 ), Suzano ( SUZB3 ), PRIO ( PRIO3 ), WEG ( WEGE3 ), Vale ( VALE3 ) e JBS, ao mesmo tempo em que reduziu participação em empresas mais dependentes de juros baixos e da atividade econômica brasileira.

O diagnóstico do JPMorgan segue na mesma direção. O banco avalia que um ambiente de real mais fraco, crescimento econômico mais lento e juros elevados por mais tempo favorece empresas com receitas em dólar e balanços mais resilientes.

Na visão da instituição, nomes como Suzano ( SUZB3 ), Vale ( VALE3 ), Gerdau ( GGBR4 ) e Embraer ( EMBJ3 ) tendem a se destacar justamente por oferecer proteção cambial em um momento de maior cautela com ativos domésticos.

Em resumo

O que aconteceu?

A disparada do dólar, com avanço de mais de 8% na segunda pós-eleição, e a forte abertura da curva de juros após as eleições presidenciais têm provocado uma ampla revisão nas visões sobre ações das instituições financeiras, com exportadoras e empresas geradoras de receitas em moeda forte assumindo protagonismo entre as principais apostas para os próximos mes

Qual é o ponto principal?

Relatórios de casas como Bradesco BBI, Citi, JPMorgan, Morgan Stanley, BTG Pactual e XP Investimentos convergem para a conclusão de que, em um ambiente de real mais fraco, crescimento econômico mais lento e juros elevados por mais tempo, companhias com receitas dolarizadas oferecem uma combinação mais atrativa de proteção e crescimento.

Quais são os dados mais importantes?

A XP destaca que o tombo da Bolsa após o segundo turno reflete a precificação de um cenário macroeconômico mais difícil, marcado por desvalorização cambial, aumento dos juros reais de longo prazo e maior prêmio de risco para ativos domésticos. Nesse contexto, a corretora aponta que empresas como Suzano ( SUZB3 ), Gerdau ( GGBR4 ), Aura Minerals ( AURA33 ) e

Qual é o contexto?

Segundo a análise da XP, a Suzano é a principal beneficiária do chamado “fator cambial”, enquanto Gerdau e Vale combinam receitas internacionais com menor exposição aos riscos da economia brasileira. Já empresas domésticas e mais alavancadas, como CSN ( CSNA3 ), Usiminas ( USIM5 ) e Irani ( RANI3 ), tendem a sofrer mais em um cenário de juros altos e ativida

Quais são os próximos desdobramentos?

Entre todos os nomes citados pelos estrategistas e analistas de mercado, a Embraer ( EMBJ3 ) continua sendo uma das preferidas. O Bradesco BBI reiterou recentemente a fabricante de aeronaves como sua principal recomendação no setor de transportes, destacando a combinação de receitas em dólar, carteira de pedidos robusta e crescimento consistente dos resultad

Fontes