Economia · 2026-10-08 · Redação Notícia ES

Durigan anuncia MP do Imposto Seletivo após segundo turno

Governo conclui acordo com setores afetados e deixa definição das alíquotas do novo tributo para depois da eleição.

Durigan anuncia MP do Imposto Seletivo após segundo turno
Durigan anuncia MP do Imposto Seletivo após segundo turno

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (8) que o governo enviará ao Congresso, depois do segundo turno das eleições, uma medida provisória para definir as alíquotas do Imposto Seletivo. Segundo ele, o acordo com os setores econômicos afetados foi concluído nesta semana.

A Agência Brasil registrou a declaração e informou que uma nova reunião com representantes dos segmentos envolvidos está prevista para a próxima semana. A Folha de S.Paulo confirmou o compromisso de envio após a eleição e acrescentou que o atraso deverá reduzir em R$ 3,82 bilhões a arrecadação estimada pelo governo para 2027.

O tributo faz parte da reforma sobre o consumo e será aplicado a produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Entre os grupos mencionados estão veículos, embarcações, aeronaves, cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, bens minerais, concursos de prognósticos e apostas esportivas.

Acordo preserva carga atual

A formulação apresentada por Durigan prevê manter, nos setores alcançados pelo Imposto Seletivo, uma carga equivalente àquela cobrada atualmente pelo Imposto sobre Produtos Industrializados. O desenho busca evitar um salto abrupto na tributação durante a substituição do IPI pelo novo imposto, mas as alíquotas finais ainda dependem do texto oficial.

O governo perdeu o prazo de 2 de outubro necessário para que a cobrança começasse em 1º de janeiro de 2027, por causa da regra constitucional que exige 90 dias entre a fixação da alíquota e o início da incidência. Com isso, a arrecadação poderá começar apenas no fim de janeiro ou no início de fevereiro, conforme a data em que a medida provisória for publicada.

Essa diferença de semanas afeta tanto o planejamento fiscal quanto a organização das empresas. Fabricantes e importadores precisam conhecer as alíquotas para definir preços, estoques e contratos, enquanto o Tesouro terá de ajustar sua previsão de receita ao período em que o novo tributo ainda não poderá ser cobrado.

Transição exige regras claras

Durante a mesma entrevista, Durigan defendeu a continuidade do calendário da reforma e rebateu críticas ao pagamento dividido, conhecido como split payment. O sistema recolhe o tributo no momento da transação financeira, separando automaticamente a parcela devida ao Fisco do valor recebido pelo fornecedor.

O ministro disse que a implantação será gradual e começará de forma opcional nas operações entre empresas. Pequenos negócios que vendem diretamente ao consumidor final não seriam alcançados na primeira etapa. A promessa do governo é acompanhar a adaptação com linhas de crédito e ajustes normativos, caso apareçam dificuldades de caixa.

Durigan também argumentou que o fim da substituição tributária poderá aliviar empresas que hoje antecipam impostos referentes a outras etapas da cadeia. No novo modelo, cada participante recolherá a obrigação correspondente à própria operação, o que tende a reduzir antecipações, mas exige sistemas contábeis e financeiros preparados para a mudança.

Até a publicação da medida provisória, permanecem indefinidas as alíquotas e a data exata de início da cobrança. O anúncio desta quinta estabelece um compromisso político e um calendário aproximado; os efeitos concretos só poderão ser calculados quando o texto chegar ao Congresso e as regras forem conhecidas integralmente.

Em resumo

Quando a MP do Imposto Seletivo será enviada?

O governo promete enviá-la ao Congresso depois do segundo turno das eleições.

As alíquotas já foram divulgadas?

Não. Os percentuais dependerão do texto da medida provisória.

Quais setores poderão ser atingidos?

Veículos, tabaco, bebidas, bens minerais e apostas estão entre os segmentos mencionados.

A cobrança começará em janeiro de 2027?

Não no primeiro dia do ano; a noventena pode levar o início ao fim de janeiro ou começo de fevereiro.

Como começará o pagamento dividido?

De forma opcional e gradual nas operações entre empresas, segundo o ministro.

Fontes