Economia · 2026-09-21 · Redação Notícia ES

Economia do ES cresce 4,4% no semestre e indústria avança 12,4%, aponta Findes

Indicador de Atividade Econômica da Findes mostra crescimento de 4,4% no Espírito Santo entre janeiro e junho, acima dos 1,9% do Brasil; indústria foi o principal motor.

Economia do ES cresce 4,4% no semestre e indústria avança 12,4%, aponta Findes
Coletiva do Indicador de Atividade Econômica da Findes, em Vitória. Foto: Renan Donato/Findes.

VITÓRIA. A atividade econômica do Espírito Santo cresceu 4,4% no primeiro semestre de 2026 em comparação com os seis primeiros meses de 2025, segundo o Indicador de Atividade Econômica da Federação das Indústrias do Espírito Santo, o IAE-Findes. No mesmo intervalo, o Produto Interno Bruto brasileiro avançou 1,9%, de acordo com a comparação usada pelo Observatório Findes.

O principal motor do resultado capixaba foi a indústria, com expansão de 12,4% no acumulado de janeiro a junho. Os serviços cresceram 1,6%, enquanto a agropecuária recuou 0,4%. Segundo o Observatório Findes, foi o melhor desempenho industrial para um primeiro semestre desde 2011 e o maior crescimento da economia estadual em um primeiro semestre desde 2021.

O indicador não é exatamente o mesmo que o cálculo oficial do PIB estadual produzido pelo Instituto Jones dos Santos Neves, mas funciona como estimativa de atividade econômica e permite acompanhar os setores ao longo do ano. A própria Findes compara o IAE com o desempenho nacional para medir o ritmo relativo do Espírito Santo.

Extração de petróleo, gás e minério puxou a indústria

Dentro da indústria, a atividade extrativa teve o avanço mais forte, de 36,3% no primeiro semestre, de acordo com o Observatório Findes. O crescimento está relacionado à maior produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro. A cadeia envolve operações de empresas como Petrobras, Vale, Samarco e Prio, todas com peso relevante na estrutura produtiva capixaba.

A indústria de energia e saneamento também cresceu, com alta de 7,9%, e a construção avançou 2,7%. Já a indústria de transformação teve comportamento mais fraco em partes do período, o que mostra que o crescimento não foi uniforme entre todos os segmentos industriais. O desempenho agregado, porém, permaneceu fortemente positivo por causa da extração mineral e de energia.

A FolhaOnline ES, ao repercutir o levantamento, destacou que a alta de 4,4% foi mais de duas vezes o ritmo nacional no semestre. O site Espírito Santo Agora também relacionou o desempenho ao aumento da produção de petróleo, gás e mineração de ferro. As duas publicações utilizam o levantamento do Observatório Findes como base.

Serviços crescem, mas em ritmo menor

O setor de serviços avançou 1,6%, bem abaixo dos 12,4% da indústria, mas continuou contribuindo para o resultado positivo. Como os serviços concentram grande parte do emprego e do consumo no Estado, a evolução desse setor é importante para medir se a expansão industrial se espalha de forma mais ampla pela economia.

O contraste com a agropecuária, que recuou 0,4% no semestre segundo a Findes, também reforça a diferença entre os setores. Em uma economia com forte exposição a commodities, o resultado agregado pode mudar rapidamente conforme produção, preços internacionais, manutenção de plantas industriais, exportações e condições climáticas.

O Governo do Espírito Santo havia divulgado em junho estimativa de crescimento de 5% no primeiro trimestre, com base em dados do Instituto Jones dos Santos Neves. Naquela leitura, indústria e serviços também apareciam como responsáveis pelo avanço acima do registrado no Brasil. O dado da Findes agora amplia a fotografia para os seis primeiros meses do ano.

Projeção para o ano ainda depende do segundo semestre

O avanço no primeiro semestre não garante que a mesma velocidade será mantida até dezembro. Juros elevados, endividamento das famílias, cenário externo, preços de commodities e ritmo dos investimentos podem alterar o desempenho. A indústria extrativa, que puxou o crescimento, é particularmente sensível a produção física, cotações e demanda internacional.

Para empresas e trabalhadores, um ponto importante será observar se a expansão industrial se converte em investimento, massa salarial e consumo local. Crescimento concentrado em atividades de alta intensidade de capital pode elevar o valor produzido sem gerar emprego na mesma proporção. Por isso, dados de mercado de trabalho, arrecadação e crédito ajudam a completar a leitura.

O próximo ciclo de divulgação do IAE-Findes permitirá verificar se o Espírito Santo manteve vantagem sobre a média brasileira no terceiro trimestre. Por enquanto, o dado consolidado do primeiro semestre mostra uma economia em expansão, com a indústria respondendo pelo impulso principal e serviços avançando de forma mais moderada.

Em resumo

Quanto cresceu a economia do Espírito Santo no primeiro semestre de 2026?

O IAE-Findes aponta crescimento de 4,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Como o resultado do ES se compara ao Brasil?

A Findes usa como referência crescimento de 1,9% do PIB brasileiro no mesmo período, abaixo dos 4,4% capixabas.

Qual setor mais cresceu?

A indústria avançou 12,4% e foi o principal motor do resultado estadual.

Como se comportaram serviços e agropecuária?

Os serviços cresceram 1,6% e a agropecuária recuou 0,4%, segundo o Observatório Findes.

O IAE-Findes é o PIB oficial do Estado?

Não. É um indicador de atividade econômica produzido pela Findes; o PIB estadual oficial é calculado pelo Instituto Jones dos Santos Neves.

O que pode mudar o resultado no segundo semestre?

Juros, crédito, demanda, preços de commodities, produção industrial e cenário externo podem alterar o ritmo da economia.

Fontes