Educação: por que o México está desmilitarizando suas escolas - BBC News Brasil
A morte de uma estudante em uma escola militarizada do México levou o governo do país a proibir este tipo de instituição baseada na ética militar. A BBC visitou uma dessas escolas, atualmente em processo de transição.

"Boa tarde, meu comandante", saúdam os estudantes do Colégio Moderno Alarid, na Cidade do México , ao seu diretor, Óscar Lira — mesmo não devendo mais chamá-lo desta forma.
Pátio da escola é decorado com um mural
O pátio da escola é decorado com um mural com os símbolos nacionais mexicanos: a águia, a serpente e o cacto. Nele, um professor convoca os estudantes com outra expressão em vias de extinção, mas que ainda resiste.
"Cadetes, sentido!" Ele se corrige em seguida: "Discentes, sentido!"
Os estudantes começam o ano escolar com novos uniformes, sem estética militar . Eles formam filas, com postura firme, os braços retos para o lado e olhar fixo para frente.
Instrutor, agora chamado de "prefeito", ordena que eles descansem
O instrutor, agora chamado de "prefeito", ordena que eles descansem. Os alunos, então, deslocam o pé esquerdo para receber as instruções de rotina.
"O militarismo faz parte da nossa história, mas acabou", afirma Lira.
Ele se refere a uma recente ordem do governo da presidente do México, Claudia Sheinbaum, de desmilitarizar as escolas inspiradas nos valores, na ornamentação e nos métodos do universo militar.
"O colégio, em profundo respeito a suas autoridades, acatou a situação de que, no México, não existe mais o modelo militarizado ", explica o diretor.
"E, a partir daí, passamos a nos reinventar, a nos reestruturar, a pegar o mais valioso... e continuar trabalhando."
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Óscar Lira é arquiteto e ex-aluno do colégio Alarid. Ele vem de uma família de militares e atende à reportagem em um escritório repleto de escudos, flâmulas e uma espada.
Dezenas de escolas mexicanas como o colégio Alarid (entre 20 e 50, segundo os registros, totalizando 10 mil a 20 mil estudantes) precisaram se reinventar nos últimos meses.
Em julho, a Secretaria da Educação Pública do México (SEP) ordenou a proibição das escolas militarizadas. O argumento foi que elas não contam com respaldo legal e que a educação militar é exclusiva das Forças Armadas.
A ordem conta com o apoio de Sheinbaum e foi emitida após a morte de Dafne Zapata, de 13 anos, em um acampamento de verão militar no Estado de Tamaulipas, no nordeste do México. A morte ocorreu por asfixia por submersão, segundo a autópsia.
O caso consternou o país. A família denuncia tortura e a promotoria investiga o caso como possível feminicídio. Três pessoas estão detidas.
O modelo militarizado mexicano chegou ao fim. Mas parece existir certa distância entre a teoria e a prática.
Na cultura mexicana, e não só nessas escolas, a liturgia militar está profundamente arraigada, perpetuando princípios e métodos do mundo militar.
Em resumo
"Boa tarde, meu comandante", saúdam os estudantes do Colégio Moderno Alarid, na Cidade do México , ao seu diretor, Óscar Lira — mesmo não devendo mais chamá-lo desta forma.
O pátio da escola é decorado com um mural com os símbolos nacionais mexicanos: a águia, a serpente e o cacto. Nele, um professor convoca os estudantes com outra expressão em vias de extinção, mas que ainda resiste.
"Cadetes, sentido!" Ele se corrige em seguida: "Discentes, sentido!"
Os estudantes começam o ano escolar com novos uniformes, sem estética militar . Eles formam filas, com postura firme, os braços retos para o lado e olhar fixo para frente.
O instrutor, agora chamado de "prefeito", ordena que eles descansem. Os alunos, então, deslocam o pé esquerdo para receber as instruções de rotina.