Efeito BYD: como Brasil virou 'laboratório' de empresas chinesas - BBC News Brasil
Chegada da montadora à Bahia é simbólica dentro do contexto de ascensão da China ao posto de líder do mercado de veículos elétricos — e de aproximação econômica e cultural do país asiático com o Brasil. Reportagem da BBC News Brasil viajou a Camaçari para contar essa história global a partir das lentes locais.

Veja a intenção de voto no 2º turno no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil
No início do ano circulou a informação — falsa
No início do ano circulou a informação — falsa — de que a Bahia sofria uma invasão chinesa.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostravam a construção de um complexo de alojamentos que, na retórica da fake news , estaria sendo erguido para receber 10 mil chineses para trabalhar na recém-inaugurada fábrica da BYD.
Essa é a montadora chinesa que superou a Tesla de Elon Musk em 2025 e se tornou a maior produtora de veículos elétricos do mundo.
E escolheu Camaçari, na região metropolitana de Salvador ,
E escolheu Camaçari, na região metropolitana de Salvador , para sediar sua maior fábrica na América Latina .
Com parte do projeto ainda em obras, a planta foi inaugurada em outubro de 2025. Em menos de um ano, dela já saíram mais de 100 mil carros montados com kits importados, que chegaram a concessionárias em todo o país e alçaram a marca à lista das mais vendidas.
A produção made in Brasil está prevista para começar no fim de 2026. Ainda assim, a unidade já soma 7.618 funcionários diretos. Desse total, 6% (457) são estrangeiros, segundo a empresa. A reportagem apurou que a grande maioria são chineses.
Além deles, também há trabalhadores chineses envolvidos nas obras que estão em andamento, no complexo da fábrica e nos blocos de alojamentos para funcionários.
Nos registros da Polícia Federal constam a emissão de 2.310 vistos de residência em Camaçari e na vizinha Lauro de Freitas desde 2024, a maioria temporários.
Em uma cidade de pouco mais de 300 mil habitantes, a presença chinesa não é óbvia. Não existe um bairro onde os recém-chegados se concentrem, uma Chinatown em Camaçari. Eles estão espalhados entre hotéis e alguns condomínios fechados.
Também não há uma onda de novos restaurantes tocados por imigrantes com foco na comunidade. Muitos funcionários da BYD comem no refeitório da própria fábrica, que tem uma área com pratos chineses e outra com receitas brasileiras, ou em casa.
A retórica predominante é a de que trabalham muito e circulam pouco: "A gente [brasileiro] chega em casa, toma um banho, deita no sofá, assiste televisão… Eles não, continuam trabalhando depois de chegar em casa.
São muito reservados", diz a corretora Cássia Cotia, que vive em um condomínio em que mais de 60 imóveis estão alugados para chineses.
Assim, as feições desse novo fluxo migratório se revelam aos poucos. No mercado central de Camaçari, entre bananas, camarões secos, café e tapioca, dois restaurantes que servem yakisoba agora têm placas escritas com ideogramas chineses.
A comunidade de Testemunhas de Jeová local começou a fazer reuniões em mandarim recentemente.
Os "mais soltos", como descreve Cássia, se aventuram nos forrós e em outros pontos da vida noturna da cidade, e não raro vão parar nas redes sociais.
Uma cena que viralizou recentemente no Camaforró mostrava uma moça ensinando um chinês a mexer os quadris e a legenda: "A China vai doutrinar o Brasil / O Brasil doutrinando a China".
Durante a visita à cidade, a reportagem da BBC News Brasil cruzou com um grupo animado tomando cerveja e comendo pizza em uma mesa na calçada na região da Praça dos 46, um dos locais onde a cidade se encontra no fim do dia para fazer caminhada, levar as crianças para brincar no parquinho e comer.
"Eles amam essa liberdade aqui da Bahia. Amam o calor humano", ressalta Cássia, que acabou virando amiga e uma espécie de concierge de muitos de seus clientes chineses, auxiliando-os a navegar tarefas mundanas como pagar contas ou encontrar um eletricista para fazer um reparo.
Eles se falam pelo WeChat, uma espécie de WhatsApp chinês. Ela envia as mensagens em português, eles recebem em mandarim.
E agradecem com jantares cheios de iguarias chinesas e presentes sempre que alguém volta de viagem — uma das características mais marcantes da cultura chinesa na construção de relações.
Em resumo
Veja a intenção de voto no 2º turno no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil
No início do ano circulou a informação — falsa — de que a Bahia sofria uma invasão chinesa. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostravam a construção de um complexo de alojamentos que, na retórica da fake news , estaria sendo erguido para receber 10 mil chineses para trabalhar na recém-inaugurada fábrica da BYD.
Essa é a montadora chinesa que superou a Tesla de Elon Musk em 2025 e se tornou a maior produtora de veículos elétricos do mundo.
E escolheu Camaçari, na região metropolitana de Salvador , para sediar sua maior fábrica na América Latina .
Com parte do projeto ainda em obras, a planta foi inaugurada em outubro de 2025. Em menos de um ano, dela já saíram mais de 100 mil carros montados com kits importados, que chegaram a concessionárias em todo o país e alçaram a marca à lista das mais vendidas.