Tecnologia · 2026-10-19 · Redação Notícia ES

El Niño eleva riscos para soja e trigo

Monitoramento climático aponta falta de umidade no Centro-Oeste e excesso de chuva no Sul, combinação que exige ajustes na safra 2026/2027.

El Niño eleva riscos para soja e trigo
El Niño eleva riscos para soja e trigo

O avanço do El Niño aumenta os riscos climáticos para as lavouras brasileiras de soja e trigo na safra 2026/2027. Dados de satélite e modelos meteorológicos indicam umidade abaixo da média em áreas de Mato Grosso e chuva excessiva no Sul, combinação que exige decisões diferentes em cada região.

A Veja informou nesta segunda-feira (19) que o monitoramento já identifica sinais capazes de afetar o plantio da soja no Centro-Oeste e a colheita do trigo no Sul. O alerta não equivale a uma previsão de perda generalizada, mas antecipa pontos de pressão para produtores e técnicos.

A Embrapa confirma que o fenômeno demanda atenção especial na safra atual e recomenda estratégias regionais. Em análise técnica, a empresa projeta um período seco crítico entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 em parte do país, enquanto áreas meridionais podem enfrentar chuva frequente, menor luminosidade e maior pressão de doenças.

Riscos variam entre regiões

Na soja, a falta de água no início do ciclo pode atrasar a semeadura, reduzir a uniformidade da germinação e encurtar a janela disponível para a segunda safra. O risco cresce quando a decisão de plantar se apoia em chuva isolada, sem umidade suficiente nas camadas mais profundas do solo.

No trigo, volumes elevados de chuva perto da maturação podem comprometer a qualidade dos grãos e dificultar a entrada de máquinas. A umidade prolongada também favorece doenças fúngicas, elevando a necessidade de acompanhamento fitossanitário e de intervenções no momento correto.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos manteve em 8 de outubro um aviso de El Niño e apontou fortalecimento do fenômeno. O centro climático estimou probabilidade superior a 83% de uma condição forte ou muito forte entre janeiro e março de 2027, mas ressaltou que intensidade oceânica não garante efeitos idênticos em todos os lugares.

Essa ressalva é decisiva para interpretar mapas de satélite. Eles mostram anomalias de umidade, vegetação e temperatura em grande escala, porém precisam ser combinados com estações locais, histórico da propriedade e condição real do solo antes de orientar o manejo.

Manejo reduz perdas climáticas

A Embrapa recomenda atenção à época de semeadura, escolha de cultivares, conservação do solo e escalonamento de operações. Cobertura vegetal e estrutura adequada do perfil ajudam a reter água no Centro-Oeste; no Sul, drenagem, monitoramento de doenças e planejamento da colheita ganham peso.

Para produtores, a tecnologia mais útil é a que reduz incerteza no momento da decisão. Previsões de curto prazo, sensores de campo e imagens orbitais têm funções complementares: nenhum dado isolado substitui a vistoria agronômica, mas a combinação permite reagir antes que o estresse se torne irreversível.

O risco climático também alcança crédito, seguro e logística. Atrasos no calendário da soja podem deslocar o plantio do milho, enquanto problemas de qualidade no trigo afetam contratos e armazenagem. A safra, portanto, dependerá menos de uma leitura nacional única e mais da capacidade de ajustar cada operação ao comportamento regional do El Niño.

Em resumo

Qual é o risco do El Niño para a soja?

A falta de umidade em áreas do Centro-Oeste pode atrasar a semeadura, prejudicar a germinação e reduzir a janela da segunda safra.

Como o trigo pode ser afetado?

No Sul, chuva frequente perto da maturação pode reduzir a qualidade dos grãos, dificultar a colheita e favorecer doenças.

O El Niño será forte?

A NOAA apontou probabilidade superior a 83% de condição forte ou muito forte entre janeiro e março de 2027, sem garantir impactos iguais em todas as regiões.

Satélites bastam para decidir o plantio?

Não. Imagens orbitais devem ser combinadas com previsões locais, estações meteorológicas, histórico da área e vistoria agronômica.

Que medidas podem reduzir perdas?

Ajustes na época de semeadura, escolha de cultivares, cobertura do solo, drenagem e monitoramento fitossanitário ajudam a diminuir a exposição.

Fontes