Política ES · 2026-10-25 · Redação Notícia ES

Eleição ainda pode ser anulada? Analistas apontam infração, mas diferença de votos enfraquece possibilidade - BBC News Brasil

Extensão do horário de votação causou confusão no domingo do 2º turno, mas especialistas entendem que margem de vitória do presidente Lula reduz chances de questionamentos prosperarem

Eleição ainda pode ser anulada? Analistas apontam infração, mas diferença de votos enfraquece possibilidade - BBC News Brasil
Eleição ainda pode ser anulada? Analistas apontam infração, mas diferença de votos enfraquece possibilidade - BBC News Brasil

Acompanhe a apuração para presidente e governador em seu Estado e município com o mapa interativo da BBC News Brasil

Especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pela BBC News Brasil

Especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pela BBC News Brasil acreditam que o segundo turno da eleição presidencial , realizado neste domingo (25/10), tem uma chance remota de ser anulado.

A diferença significativa de votos entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e o fato de ambos os partidos terem solicitado o prorrogação do horário da votação , ao longo do dia eleitoral, enfraquecem essa possibilidade.

Com 99,96% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o atual presidente somou 51,7% dos votos, enquanto o senador do PL teve 48,2%. O espaço entre eles foi de 4,3 milhões de votos.

Enquanto a chapa liderada pelo petista solicitou

Enquanto a chapa liderada pelo petista solicitou a mudança no intervalo de votação por conta do funcionamento parcial dos sistemas de ônibus em cidades do interior da Bahia, o PL e os partidos coligados solicitaram que ela fosse até às 19h em municípios de São Paulo por conta das chuvas que atingiram a região durante o domingo.

"Agora vai depender da construção da narrativa de cada partido. Do ponto de vista jurídico, é difícil", observa o advogado Fernando Neisser, presidente da Comissão de Estudos em Direito Político e Eleitoral do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

"A chapa de Flávio é muito combatida e certamente vai tentar judicializar o processo. Do ponto de vista legal, há até argumentos críveis, baseado na quantidade de eleitores que não votou, por exemplo.

Mas, considerando que a abstenção diminuiu do primeiro para o segundo turno, esse discurso terá dificuldades", explica um membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) que pediu para não ser identificado por ter envolvimento com um possível julgamento futuro no tribunal.

A abstenção caiu cerca de dois pontos percentuais entre o primeiro e o segundo turno, saindo de 21% para 19%.

Ainda durante a apuração, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) publicou no seu perfil no X que Flávio iria "ganhar ou ganhar".

"Precisaremos olhar para as votações que foram até às 17h e as que foram até 19h", continua Neisser.

"Havendo uma discrepância muito grande por estado — quero dizer, se estados que deram mais votos a Lula fecharam mais cedo, na média, ou se isso aconteceu mais em Estados pró-Flávio —, isso vai abrir espaço para questionamentos.

Mas, como a margem de votos foi grande, não me parece razoável que isso leve a uma anulação da eleição".

Alberto Rollo, também advogado eleitoral, é mais incisivo na manutenção do resultado, porque, segundo ele, a Constituição Federal determina que o pleito deve acontecer entre o primeiro e o último domingo de outubro.

"A gente não pode mudar a Constituição. Não pode dizer: 'Não valeu, a gente faz semana que vem, dia 15 de novembro, dia 30 de novembro'. Não pode. A Constituição diz que tem que ser hoje", disse durante a live da BBC News Brasil .

Se a chapa bolsonarista contestar o resultado no tribunal, dizem os analistas, ela provavelmente recorrerá a dois artigos do Código Eleitoral : o 220 e o 224.

O primeiro determina que a votação de uma seção eleitoral é considerada nula em quatro situações: na ausência de uma mesa nomeda pela Justiça Eleitoral; quando os votos são registrados em folhas falsas; em contextos em que o sigilo dos eleitores não é respeitado; ou, no caso em questão, quando é "realizada em dia, hora, ou local diferentes do designado ou encerrada antes das 17 horas".

Já o artigo 224, por sua vez, define que, se uma dessas situações impactar "mais da metade dos votos do país", a eleição é considerada "prejudicada" e, então, o TSE precisa marcar um novo pleito entre 20 e 40 dias.

Em resumo

O que aconteceu?

Acompanhe a apuração para presidente e governador em seu Estado e município com o mapa interativo da BBC News Brasil

Qual é o ponto principal?

Especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pela BBC News Brasil acreditam que o segundo turno da eleição presidencial , realizado neste domingo (25/10), tem uma chance remota de ser anulado.

Quais são os dados mais importantes?

A diferença significativa de votos entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e o fato de ambos os partidos terem solicitado o prorrogação do horário da votação , ao longo do dia eleitoral, enfraquecem essa possibilidade.

Qual é o contexto?

Com 99,96% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o atual presidente somou 51,7% dos votos, enquanto o senador do PL teve 48,2%. O espaço entre eles foi de 4,3 milhões de votos.

Quais são os próximos desdobramentos?

Enquanto a chapa liderada pelo petista solicitou a mudança no intervalo de votação por conta do funcionamento parcial dos sistemas de ônibus em cidades do interior da Bahia, o PL e os partidos coligados solicitaram que ela fosse até às 19h em municípios de São Paulo por conta das chuvas que atingiram a região durante o domingo.

Fontes