Eleição de Ney Santos depende de julgamento no TSE
Deputado federal eleito por São Paulo teve o registro autorizado pelo TRE, mas recurso do Ministério Público Eleitoral ainda será analisado pelo TSE.

O deputado federal eleito Ney Santos (Republicanos-SP) aguarda uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre o registro de sua candidatura. Ele recebeu 118.566 votos no domingo (4), mas um recurso do Ministério Público Eleitoral pode impedir a posse caso seja acolhido pela Corte.
O Poder360 informou a situação do processo nesta quinta-feira (8), e o UOL confirmou a votação, o recurso e a tramitação no TSE. O caso é relatado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques e ainda não tem resultado definitivo.
Ex-prefeito de Embu das Artes, na Grande São Paulo, Ney Santos teve o registro autorizado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo em 15 de setembro. A decisão foi tomada por três votos a dois e permitiu que ele disputasse a eleição enquanto o recurso seguia para a instância superior.
O Ministério Público sustenta que existem elementos sobre uma possível ligação do político com o Primeiro Comando da Capital. A acusação também menciona uma ação penal por organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros episódios do histórico judicial apresentado no processo eleitoral.
Registro aguarda decisão final
O recurso discute se os elementos reunidos pelo MPE são suficientes para afastar o registro mesmo sem uma condenação penal definitiva. A controvérsia envolve o dever da Justiça Eleitoral de proteger a legitimidade das eleições e, ao mesmo tempo, a presunção de inocência e a necessidade de prova individualizada.
Ao aprovar a candidatura, a maioria do TRE-SP entendeu que os indícios apresentados não permitiam atribuir ao candidato a autoria de crimes graves sem uma condenação prévia. O Ministério Público recorreu e defende uma interpretação mais rigorosa para situações em que aponta vínculo com o crime organizado.
Se o TSE mantiver a decisão regional, Ney Santos continuará habilitado a assumir o mandato na Câmara dos Deputados. Se o recurso for acolhido, o registro poderá ser indeferido retroativamente, os votos ficarão sem validade e a composição da bancada paulista terá de ser recalculada.
A votação expressiva, portanto, não encerrou a disputa jurídica. A diplomação e a posse dependem da situação do registro, e a Justiça Eleitoral deverá indicar os efeitos da decisão sobre os quocientes eleitoral e partidário caso haja mudança no resultado.
Defesa rejeita as acusações
A defesa de Ney Santos afirma que as suspeitas são antigas, foram investigadas durante anos e não resultaram em prova de vínculo com organização criminosa. Em manifestações anteriores, os advogados classificaram as alegações como infundadas e sustentaram que o candidato preenche os requisitos legais.
O político é réu em ação por organização criminosa e lavagem de dinheiro, mas essa condição não equivale a condenação. Também houve episódios judiciais com resultados diferentes ao longo dos anos, incluindo absolvição por falta de provas em um caso de roubo a banco, segundo a confirmação publicada pelo UOL.
O Ministério Público, por outro lado, afirma que o conjunto reunido no processo revela indícios suficientes para o indeferimento. A análise do TSE deverá se concentrar nas provas anexadas ao recurso e na jurisprudência eleitoral aplicável, sem substituir o julgamento das ações penais em curso.
Até a conclusão do processo, Ney Santos deve ser tratado como deputado eleito com registro questionado, e não como culpado das acusações. O resultado no TSE definirá apenas a validade eleitoral da candidatura; eventual responsabilidade criminal depende dos processos próprios e das garantias de defesa.
Em resumo
Ele foi eleito deputado federal por São Paulo com 118.566 votos.
O Ministério Público Eleitoral recorreu ao TSE e aponta suspeitas de vínculo com o crime organizado.
Sim. O tribunal regional aprovou o registro por três votos a dois em 15 de setembro.
O registro pode ser indeferido retroativamente, com anulação dos votos e recálculo da bancada paulista.
Não. A defesa contesta as alegações, e o processo eleitoral não estabelece culpa criminal.