Eleição para deputados e senadores definirá força do próximo governo e futuro do STF
Bolsonaristas tentam maioria inédita no Senado com disputa de 2/3 das cadeiras da casa

A eleição para deputados e senadores neste domingo (4) definirá o grau de dificuldade que o próximo governo terá para aprovar propostas no Congresso e o futuro de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), além do perfil ideológico do Legislativo.
Para a Câmara, todas as 513 cadeiras
Para a Câmara, todas as 513 cadeiras estarão em disputa. Já ao Senado , serão escolhidos 54 dos 80 parlamentares que compõem a Casa —os demais, eleitos em 2022, ainda têm mais quatro anos de mandato.
Em jogo, estão a correlação de forças entre aliados do presidente Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) e o espaço que terá o chamado centrão, formado por partidos de centro-direita que ao longo da história compuseram governos de diferentes colorações ideológicas.
Hoje, os partidos que formam o alicerce do governo Lula (PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede) somam apenas 125 das 513 cadeiras da Câmara. O Planalto tem evitado fazer projeções, mas trabalha para depender menos do centrão em um eventual novo mandato do petista.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro prioriza impulsionar candidatos
Já a campanha de Flávio Bolsonaro prioriza impulsionar candidatos ao Legislativo fiéis ao bolsonarismo, sobretudo no Senado, na expectativa de formar uma maioria favorável para eleger um presidente da Casa alinhado ao conservadorismo e defensor do impeachment de ministros do STF, uma das principais bandeiras levantadas por aliados de Flávio.
O afastamento de magistrados da Suprema Corte é competência exclusiva do Senado. Para começar um processo do tipo, um pedido de impeachment precisa ser despachado pelo presidente da Casa, independentemente do número de assinaturas.
É preciso 41 votos para eleger o presidente do Senado. Para aprovar o impeachment de ministros do STF, são necessários 54, ou seja, dois terços das cadeiras.
Levantamento da Folha indica que 116 dos 207 candidatos mais competitivos ao Senado apoiam o impeachment de ministros do STF . Flávio Bolsonaro elaborou uma lista com 48 nomes que têm seu apoio pessoal.
O principal alvo dos bolsonaristas é o ministro Alexandre de Moraes . Relator do processo da trama golpista, ele foi o condutor do julgamento que levou à prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro —condenado pelo STF a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
No Senado de hoje, as 54 vagas em disputa estão majoritariamente nas mãos de partidos da base do governo (14) e do centrão (24), aumentando a expectativa bolsonarista por uma maioria capaz de eleger o próximo presidente da casa.
O atual chefe do Legislativo, Davi Alcolumbre (União-AP), travou os pedidos de impeachment.
Caso tenha sucesso nas urnas neste domingo, o grupo político bolsonarista trabalha com a ideia de eleger o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), ou a ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-MS), para a presidência do Senado.
Marinho é favorito do bolsonarismo raiz e o nome preferido num cenário de maioria do PL. Já Tereza Cristina é vista como um nome capaz de angariar apoio de uma ala maior do centrão.
Alcolumbre tem mandato até 2030 e trabalha para conter deserções do centrão para o bolsonarismo. Também busca apoio da base do presidente Lula para se reeleger para a cúpula do Senado, na próxima legislatura.
O senador havia rompido com o Planalto ao articular a rejeição de Jorge Messias ao STF .
O futuro da vaga que seria do advogado-geral da União no Supremo continua em aberto —a corte é hoje composta por apenas dez ministros. Há dúvidas se Lula terá força política para emplacar um novo indicado ainda neste ano.
Se isso não acontecer, o próximo presidente indicará pelo menos quatro nomes ao STF, ainda com necessidade de aval do Senado. Vão se aposentar no próximos quatro anos os ministros Luiz Fux (2028), Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030).
Já na Câmara, o presidente Hugo Motta ( Republicanos ) tem a reeleição encaminhada na Paraíba e tentará permanecer à frente da Casa a partir de 2027. Ele não tem adversários postos no momento.
Em resumo
A eleição para deputados e senadores neste domingo (4) definirá o grau de dificuldade que o próximo governo terá para aprovar propostas no Congresso e o futuro de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), além do perfil ideológico do Legislativo.
Para a Câmara, todas as 513 cadeiras estarão em disputa. Já ao Senado , serão escolhidos 54 dos 80 parlamentares que compõem a Casa —os demais, eleitos em 2022, ainda têm mais quatro anos de mandato.
Em jogo, estão a correlação de forças entre aliados do presidente Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) e o espaço que terá o chamado centrão, formado por partidos de centro-direita que ao longo da história compuseram governos de diferentes colorações ideológicas.
Hoje, os partidos que formam o alicerce do governo Lula (PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede) somam apenas 125 das 513 cadeiras da Câmara. O Planalto tem evitado fazer projeções, mas trabalha para depender menos do centrão em um eventual novo mandato do petista.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro prioriza impulsionar candidatos ao Legislativo fiéis ao bolsonarismo, sobretudo no Senado, na expectativa de formar uma maioria favorável para eleger um presidente da Casa alinhado ao conservadorismo e defensor do impeachment de ministros do STF, uma das principais bandeiras levantadas por aliados de Flávio.