Economia · 2026-11-04 · Redação Notícia ES

Em 1ª reunião depois da eleição, BC interrompe cortes e mantém juros a 13,75%

Com reversão das expectativas depois da vitória de Lula, Copom põe o pé no freio e deixa taxa Selic no mesmo patamar

Em 1ª reunião depois da eleição, BC interrompe cortes e mantém juros a 13,75%
Em 1ª reunião depois da eleição, BC interrompe cortes e mantém juros a 13,75%

Na sétima reunião de 2026, realizada em 4 de novembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo um ciclo de cinco cortes consecutivos iniciado em março.

Dados e contexto do setor

A decisão ocorreu depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alterou as expectativas do mercado, que antes previa um novo corte.

A Selic atual é a mais baixa em um ano e oito meses, mas o Brasil ainda possui a maior taxa de juro real do mundo.

Na sétima e penúltima reunião de 2026, a primeira depois das eleições gerais no país, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou a interrupção do ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic), que agora se mantém em 13,75% ao ano.

Impactos e informações adicionais

A manutenção dos juros básicos neste patamar pôs fim a uma sequência de cinco reduções consecutivas. O anúncio foi feito ao final da reunião do colegiado nesta quarta-feira, 4. O encontro dos dirigentes do Copom começou na terça-feira 3.

Com a decisão do Copom, a Selic segue no menor nível em um ano e oito meses, desde março de 2025.

Mesmo assim, o Brasil continua com a taxa de juro real (que desconta a inflação projetada para os próximos 12 meses) mais elevada do mundo, segundo levantamento da plataforma MoneYou, à frente de países como Rússia, Colômbia, Turquia, México, África do Sul e Argentina.

O ciclo de queda da Selic, interrompido nesta quarta-feira, começou em março deste ano, sempre com cortes de 0,25 ponto porcentual a cada reunião. Naquela ocasião, o Copom promoveu o primeiro corte de juros desde 2024.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação.

Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula d a Silva (PT), em 25 de outubro, houve uma reversão das expectativas dos analistas.

Se antes a maioria esperava um novo corte de 0,25 ponto porcentual da Selic, agora cerca de 70% do mercado já trabalhava com a possibilidade de o Copom interromper o ciclo de queda dos juros e manter a taxa no patamar atual, o que acabou se confirmando.

De acordo com dados divulgados no começo de outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,82% em setembro deste ano .

O resultado reverteu a deflação registrada no mês anterior, de 0,32%.

Na base de comparação anual, o indicador ficou em 4,58%, ante 4,22% em agosto. Os resultados vieram acima das expectativas do mercado.

De acordo com o Conselho Monetário Nacional (CMN) , a meta de inflação neste ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual, para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.

Segundo a edição mais recente do Relatório Focus , do BC, que reúne as principais projeções do mercado sobre diversos indicadores econômicos, a inflação no Brasil deve terminar este ano em 5,22%, na base anual, acima do teto da meta.

Para 2027, a expectativa é que o IPCA fique em 4,76%.

Já em relação à taxa básica de juros, os analistas do mercado consultados pelo Focus esperam que a Selic feche este ano em 13,5%. Em 2027, a estimativa é de juros básicos a 12,5%.

A reunião do Copom concluída nesta quarta foi a primeira depois do encerramento do processo eleitoral no Brasil. O primeiro turno das eleições aconteceu no dia 4 de outubro, e o segundo, em 25 de outubro.

Contrariando a maioria das projeções do mercado e das pesquisas, Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e foi reeleito.

A próxima reunião do Copom, a oitava do ano, está marcada para os dias 8 e 9 de dezembro. Será o último encontro da autoridade monetária para definir a taxa básica de juros em 2026.

A expectativa dos agentes econômicos era que uma possível vitória de Flávio na eleição presidencial mudasse os rumos da economia do país a partir de janeiro de 2027.

Os agentes de mercado esperavam que um novo governo implementasse um programa de ajuste fiscal, com a redução das despesas do governo e a diminuição do tamanho da dívida pública brasileira em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

O mercado financeiro também tinha grande expectativa em relação a uma agenda de reformas de um governo liberal na economia, entre as quais a reforma administrativa e uma nova etapa da previdenciária.

Também havia projeções que apontavam para a redução da Selic diante de um possível alívio na inflação.

Em resumo

O que aconteceu?

Na sétima reunião de 2026, realizada em 4 de novembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo um ciclo de cinco cortes consecutivos iniciado em março.

Qual é o ponto principal?

Na sétima e penúltima reunião de 2026, a primeira depois das eleições gerais no país, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou a interrupção do ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic), que agora se mantém em 13,75% ao ano.

Quais são os dados mais importantes?

A manutenção dos juros básicos neste patamar pôs fim a uma sequência de cinco reduções consecutivas. O anúncio foi feito ao final da reunião do colegiado nesta quarta-feira, 4. O encontro dos dirigentes do Copom começou na terça-feira 3.

Qual é o contexto?

Com a decisão do Copom, a Selic segue no menor nível em um ano e oito meses, desde março de 2025.

Quais são os próximos desdobramentos?

O ciclo de queda da Selic, interrompido nesta quarta-feira, começou em março deste ano, sempre com cortes de 0,25 ponto porcentual a cada reunião. Naquela ocasião, o Copom promoveu o primeiro corte de juros desde 2024.

Fontes