Tecnologia · 2026-10-03 · Redação Notícia ES

Embalagem triplica conservação de morangos refrigerados

Papelão multicamadas com carvacrol manteve frutos por nove dias em teste coordenado pela Embrapa Instrumentação.

Embalagem triplica conservação de morangos refrigerados
Embalagem triplica conservação de morangos refrigerados

Uma embalagem ativa de papelão ondulado ampliou de três para nove dias a conservação de morangos refrigerados em um experimento coordenado pela Embrapa Instrumentação. O material libera de forma controlada um composto natural do orégano para combater o fungo que causa a deterioração dos frutos.

O Poder360 divulgou o resultado do estudo. A Embrapa detalha que pesquisadores do Brasil e da França desenvolveram o papelão multicamadas com carvacrol, substância de ação antimicrobiana, e testaram sua capacidade de proteger os morangos sem contato direto entre o composto e o alimento.

Os ensaios usaram 120 frutos da variedade San Andreas produzidos em Bom Repouso, no sul de Minas Gerais. Os morangos foram armazenados a aproximadamente 10 graus Celsius, condição na qual o grupo comparou a embalagem ativa com materiais sem o agente protetor.

Carvacrol reduz deterioração dos frutos

O carvacrol foi incorporado a uma das camadas do papelão e liberado gradualmente no interior da embalagem. Essa estratégia cria um ambiente capaz de conter o desenvolvimento do Rhizopus stolonifer, fungo associado ao apodrecimento rápido de frutas delicadas.

No conjunto experimental, os morangos permaneceram conservados por nove dias, enquanto o grupo de comparação apresentou vida útil de três dias. O resultado representa uma triplicação do período observado sob as condições controladas do estudo.

Além de retardar a deterioração, a embalagem preservou atributos usados para avaliar a qualidade do fruto. Os pesquisadores acompanharam cor, firmeza, acidez e teor de sólidos solúveis, medidas relacionadas ao aspecto, à textura e à composição do morango.

O material continuou demonstrando efeito mesmo após 14 dias de armazenamento antes do uso. Esse dado interessa ao desenvolvimento industrial porque uma embalagem ativa precisa conservar sua função durante transporte, estocagem e montagem, e não apenas logo depois de fabricada.

Tecnologia busca reduzir desperdício

Morangos são sensíveis a danos mecânicos e a microrganismos, o que encurta o intervalo entre a colheita e o consumo. Aumentar esse prazo pode reduzir perdas em etapas como distribuição, exposição no comércio e armazenamento doméstico.

O trabalho reuniu pesquisadores da Embrapa Instrumentação, da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de São Carlos, da Universidade Estadual Paulista e da Universidade Grenoble Alpes, na França. A participação de instituições de áreas diferentes combina conhecimento sobre alimentos, materiais e liberação controlada de compostos.

A pesquisa demonstra uma prova de conceito, não a chegada imediata de uma embalagem comercial às prateleiras. Antes de uma adoção em escala, o material ainda depende de avaliações regulatórias, análise de custo, adaptação da fabricação e testes em condições reais da cadeia de abastecimento.

O resultado indica, porém, uma rota tecnológica relevante: usar a própria embalagem como parte da proteção do alimento. Se as etapas posteriores confirmarem segurança, eficiência e viabilidade econômica, a solução poderá prolongar a oferta de frutas de alta perecibilidade e diminuir o volume descartado antes do consumo.

Em resumo

O que a embalagem fez?

No experimento, ela ampliou de três para nove dias a conservação de morangos mantidos sob refrigeração a aproximadamente 10 graus Celsius.

Qual composto foi usado?

O papelão recebeu carvacrol, composto natural encontrado no orégano que tem ação antimicrobiana.

Como foi realizado o teste?

Os pesquisadores avaliaram 120 morangos da variedade San Andreas e compararam a embalagem ativa com materiais sem o agente protetor.

Quais instituições participaram?

Participaram Embrapa Instrumentação, USP, UFSCar, Unesp e Universidade Grenoble Alpes, da França.

A tecnologia já está no mercado?

Não. O estudo é uma prova de conceito e a aplicação comercial ainda depende de avaliações regulatórias, industriais e econômicas.

Fontes