Justiça · 2026-10-08 · Redação Notícia ES

Emendas parlamentares de Flávio Bolsonaro pagam empresas acusadas de cartel pela PF

Senador diz que não indica fornecedores a quem recebe verba e que irregularidades devem ser apuradas por órgãos de controle

Emendas parlamentares de Flávio Bolsonaro pagam empresas acusadas de cartel pela PF
Emendas parlamentares de Flávio Bolsonaro pagam empresas acusadas de cartel pela PF

Emendas do senador Flávio Bolsonaro , candidato à Presidência pelo PL , foram usadas para pagar empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de cartel, uma ONG considerada "inexistente" pela Receita Federal e investigada pelo TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro ), além de um instituto indicado por um miliciano.

Senador teve mais de R$ 300 milhões reservados

O senador teve mais de R$ 300 milhões reservados para suas emendas no orçamento federal desde 2020. O UOL rastreou as empresas e entidades contratadas pelos órgãos públicos que receberam esse dinheiro.

Procurado pela reportagem, Flávio afirmou não indicar as empresas que receberão os valores enviados por ele aos beneficiários.

Em 2024, Flávio Bolsonaro destinou R$ 3,1 milhões para a atenção básica de saúde do município de Mesquita (RJ), governado pelo PL. Desses recursos, R$ 666 mil foram pagos para o Instituto de Medicina e Projeto (IMP), em agosto de 2025.

Em junho deste ano, a Receita Federal enquadrou

Em junho deste ano, a Receita Federal enquadrou o IMP na categoria "inexistente de fato". Segundo documento do órgão, há "razões que evidenciam que a empresa foi constituída para prática de fraude fiscal, inclusive em proveito de terceiras empresas".

O IMP está sob escrutínio do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) desde 2024. A entidade é contratada por diversos municípios do estado para gerir a saúde pública.

Só Mesquita assinou contratos de mais de R$ 580 milhões com o IMP, entre 2019 e o final de 2024, segundo documentos consultados pelo UOL.

Além dos recursos de Flávio, a reportagem identificou também emendas de 3 outros deputados, do PL, PSDB e PSD , usadas para pagar despesas do instituto em Mesquita.

Apesar do volume de recursos, o IMP não tem site desde 2021, os emails informados nos contratos não funcionam, o telefone registrado na Receita Federal não atende.

Além disso, o presidente do IMP era um idoso, beneficiário de um programa social e morava de favor, como mostrou reportagem do G1, de 2023.

Em acórdão de 2025, o TCE-RJ apontou diversas suspeitas de irregularidades na relação de Mesquita com o IMP.

Entre elas, a ausência de estudos técnicos realizados pela prefeitura antes da transferência da gestão da saúde pública municipal para o instituto e indícios de conluio na concorrência vencida pelo IMP.

O acórdão registrou ainda que uma das pessoas que assinavam documentos da entidade estava morta desde 2017.

O uso dos dados da pessoa falecida fez com que a Prefeitura de Mesquita decretasse, em abril deste ano, que o IMP não poderá assinar novos contratos com a cidade por dois anos.

No processo administrativo que moveu contra o IMP, a Prefeitura de Mesquita informou que a entidade "não apresentou defesa escrita, não constituiu advogado e não manifestou interesse na produção de provas".

Em outro processo, o TCE-RJ identificou que Mesquita pagava uma taxa de lucro de 9% ao IMP, o que é irregular, e também apontou que a organização foi contratada por meio de pregão incompatível com serviço de saúde.

O tribunal determinou a devolução de R$ 32 milhões pelo ex-prefeito da cidade, Jorge Miranda (PL), o ex-secretário de saúde e o próprio IMP.

O UOL tentou contato com o IMP por telefone e email, sem sucesso. A Prefeitura de Mesquita afirmou que a mesma empresa prestou serviço a outros municípios do estado do Rio de Janeiro, que rescindiu os contratos e que a entidade foi condenada a pagar multa de R$ 3 milhões.

Emendas do senador também foram usadas em despesas do Governo do Rio de Janeiro com empresas na mira de operação da Polícia Federal sob suspeita de fraude em licitações. Os desembolsos são relacionados a equipamentos de proteção balística para a Polícia Militar do Rio.

Alvo na investigação da PF, a Glágio do Brasil recebeu R$ 569 mil entre maio e junho em convênios com emendas de Flávio Bolsonaro.

A maior parte do dinheiro veio de um convênio no qual também entraram recursos de Daniela do Waguinho ( Republicanos ) e Hélio Lopes (PL).

O dinheiro é destinado a um projeto que prevê modernização da corporação para a proteção de policiais.

A Inbra-Tecnologia, parte de um segundo grupo citado na operação da PF, é outra beneficiária das emendas de Flávio. A empresa teve pagamento de R$ 1,1 milhão no mesmo convênio da Glágio.

Uma nota de empenho publicada pelo Ministério da Justiça identifica a emenda do senador em uma compra de 342 capacetes balísticos na empresa.

Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados

Em resumo

O que aconteceu?

Emendas do senador Flávio Bolsonaro , candidato à Presidência pelo PL , foram usadas para pagar empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de cartel, uma ONG considerada "inexistente" pela Receita Federal e investigada pelo TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro ), além de um instituto indicado por um miliciano.

Qual é o ponto principal?

O senador teve mais de R$ 300 milhões reservados para suas emendas no orçamento federal desde 2020. O UOL rastreou as empresas e entidades contratadas pelos órgãos públicos que receberam esse dinheiro.

Quais são os dados mais importantes?

Procurado pela reportagem, Flávio afirmou não indicar as empresas que receberão os valores enviados por ele aos beneficiários.

Qual é o contexto?

Em 2024, Flávio Bolsonaro destinou R$ 3,1 milhões para a atenção básica de saúde do município de Mesquita (RJ), governado pelo PL. Desses recursos, R$ 666 mil foram pagos para o Instituto de Medicina e Projeto (IMP), em agosto de 2025.

Quais são os próximos desdobramentos?

Em junho deste ano, a Receita Federal enquadrou o IMP na categoria "inexistente de fato". Segundo documento do órgão, há "razões que evidenciam que a empresa foi constituída para prática de fraude fiscal, inclusive em proveito de terceiras empresas".

Fontes