Empréstimo com garantia de imóvel cresce 31%: quando vale a pena contratar?
Modalidade, que movimentou R$ 6,67 bilhões no primeiro semestre exige cautela para não colocar o patrimônio em risco, segundo especialistas

Transformar um imóvel em garantia para conseguir crédito mais barato está se tornando uma alternativa cada vez mais procurada pelos brasileiros.
Em um cenário de juros elevados e maior dificuldade
Em um cenário de juros elevados e maior dificuldade para equilibrar as contas, o chamado home equity movimentou R$ 6,67 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 30,9% em relação aos R$ 5,10 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
Mas, segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney , a possibilidade de trocar dívidas caras por parcelas menores traz uma contrapartida importante: o risco de perder o imóvel em caso de inadimplência.
Em seus dados, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) identificou mudanças no perfil das operações. O valor médio dos empréstimos chegou a R$ 267 mil, com prazo médio de 13 anos.
Já o valor contratado correspondeu, também, em média,
Já o valor contratado correspondeu, também, em média, a 33% do preço do imóvel oferecido como garantia.
Isso significa que, em uma operação hipotética de R$ 267 mil, considerando essa proporção, o imóvel dado em garantia teria valor aproximado de R$ 809 mil.
A relação, conhecida no mercado como loan to value (LTV), é um dos indicadores utilizados pelas instituições financeiras para avaliar o risco da operação.
O crescimento da modalidade ocorre em um momento de crédito caro. Segundo o Banco Central, a taxa média das operações de crédito livre para pessoas físicas chegou a 64% ao ano em junho.
A taxa reúne diferentes modalidades, com riscos e condições distintos, e não deve ser interpretada como o custo de um empréstimo específico.
Ainda assim, ajuda a explicar por que consumidores e empresas buscam alternativas com garantia real.
Ao oferecer um imóvel como segurança para o pagamento, o tomador pode conseguir juros inferiores aos cobrados em linhas sem garantia, além de prazos mais longos. A vantagem, porém, não é automática.
O custo total da operação, a finalidade do dinheiro e a capacidade de pagamento precisam entrar na conta antes da contratação.
A modalidade tende a fazer mais sentido quando o consumidor pretende substituir uma dívida de juros elevados por outra mais barata, desde que consiga manter o pagamento das novas parcelas.
Também pode ser considerada para projetos de longo prazo, como reformas, investimentos em um negócio ou reorganização financeira.
O principal cuidado é não confundir uma parcela menor com uma dívida necessariamente mais barata.
Um empréstimo com prazo de 13 anos pode aliviar o orçamento mensal, mas também manter o consumidor endividado por muito mais tempo.
Dependendo da taxa contratada e dos encargos, o total pago ao final da operação pode ser elevado, mesmo que os juros sejam menores do que os de outras modalidades.
Para Alberto Friggi, CEO da corretora Friggi & Secco, o uso do patrimônio como garantia exige planejamento.
“O imóvel, que antes era visto apenas como reserva de longo prazo, começa a ser usado como uma ferramenta de gestão financeira.
A diferença é que isso só faz sentido quando a operação nasce com finalidade clara, prazo adequado e capacidade real de pagamento”, afirma.
Segundo um levantamento feito pela empresa recentemente, as operações de crédito com garantia de imóvel só em São Paulo cresceram 18,8% nos 12 meses encerrados em setembro, em comparação com o período anterior.
O movimento, de acordo com Friggi, está relacionado justamente à busca por recursos para reorganização de dívidas, reforço de caixa e investimentos.
A expansão também acompanha o aumento da oferta de crédito com garantia imobiliária no país.
A resposta, de acordo com os especialistas, depende da diferença entre os juros, do prazo de pagamento e dos custos envolvidos.
Uma simulação ajuda a entender por que comparar apenas a parcela pode levar a decisões equivocadas.
Isso porque uma dívida de R$ 100 mil que possa ser quitada em 36 meses, com juros de 3% ao mês, considerando parcelas fixas, sem tarifas, seguros ou impostos, teria um pagamento mensal de aproximadamente R$ 4.580, e o desembolso total ficaria próximo de R$ 165 mil.
Se os mesmos R$ 100 mil fossem financiados com garantia de imóvel a uma taxa hipotética de 1,2% ao mês, em 60 meses, a parcela cairia para cerca de R$ 2.350 e o total pago seria de aproximadamente R$ 141 mil.
Nesse cenário, haveria uma redução relevante tanto na parcela quanto no custo total. Mas o consumidor passaria a comprometer um imóvel como garantia e ficaria endividado por mais dois anos.
Se o prazo do novo empréstimo fosse estendido para 156 meses, equivalentes a 13 anos, a parcela cairia ainda mais, para aproximadamente R$ 1.430. Em compensação, o total desembolsado subiria para cerca de R$ 223 mil.
As taxas são hipotéticas, utilizadas apenas para demonstrar o efeito dos juros e do prazo. Os cálculos também não incluem IOF, tarifas, seguros ou custos de registro.
Mas esse exemplo, segundo especialistas, mostra que a escolha do prazo pode ser tão importante quanto a redução dos juros e que uma prestação aparentemente confortável não garante economia no custo final.
O maior risco do home equity é a execução da garantia em caso de inadimplência. Na alienação fiduciária, o imóvel fica vinculado à instituição credora como garantia do pagamento.
Se o devedor deixar de cumprir as obrigações e não regularizar a situação nos termos legais, o bem poderá ser levado a leilão para quitar a dívida.
O fato de o imóvel ser utilizado como residência da família não elimina automaticamente esse risco, porque ele foi oferecido voluntariamente como garantia fiduciária.
O Marco Legal das Garantias, instituído pela Lei 14.711, de 2023, ampliou as possibilidades de utilização de garantias imobiliárias em operações de crédito.
A legislação também disciplina situações em que uma mesma garantia pode estar vinculada a mais de uma obrigação, observadas as condições legais.
Por isso, antes de contratar, é fundamental verificar quais dívidas estarão garantidas pelo imóvel e o que acontece se uma delas deixar de ser paga.
Em resumo
Transformar um imóvel em garantia para conseguir crédito mais barato está se tornando uma alternativa cada vez mais procurada pelos brasileiros. Em um cenário de juros elevados e maior dificuldade para equilibrar as contas, o chamado home equity movimentou R$ 6,67 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 30,9% em relação aos R$ 5,10 bilhões regis
Em seus dados, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) identificou mudanças no perfil das operações. O valor médio dos empréstimos chegou a R$ 267 mil, com prazo médio de 13 anos. Já o valor contratado correspondeu, também, em média, a 33% do preço do imóvel oferecido como garantia.
Isso significa que, em uma operação hipotética de R$ 267 mil, considerando essa proporção, o imóvel dado em garantia teria valor aproximado de R$ 809 mil. A relação, conhecida no mercado como loan to value (LTV), é um dos indicadores utilizados pelas instituições financeiras para avaliar o risco da operação.
O crescimento da modalidade ocorre em um momento de crédito caro. Segundo o Banco Central, a taxa média das operações de crédito livre para pessoas físicas chegou a 64% ao ano em junho. A taxa reúne diferentes modalidades, com riscos e condições distintos, e não deve ser interpretada como o custo de um empréstimo específico.
Ainda assim, ajuda a explicar por que consumidores e empresas buscam alternativas com garantia real. Ao oferecer um imóvel como segurança para o pagamento, o tomador pode conseguir juros inferiores aos cobrados em linhas sem garantia, além de prazos mais longos. A vantagem, porém, não é automática. O custo total da operação, a finalidade do dinheiro e a capa