Engenheiro é condenado a 27 anos de prisão por morte de professora no ES
Patrick Noé deixou o fórum antes da leitura da sentença, mas foi localizado e capturado, segundo o juiz; crime ocorreu em 2017

Quase nove anos após o crime, o engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, de 42 anos, foi condenado a 27 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pela morte da esposa, a professora de Geografia Danielly Wandermurem Benício, de 36 anos, ocorrida em dezembro de 2017, em Vitória.
O contexto da decisão judicial
A sentença foi lida na tarde desta quinta-feira (5), no terceiro dia de júri popular, no Fórum Criminal da Capital.
Patrick não estava presente no momento da leitura da sentença. Pouco antes, ele deixou o fórum em um carro e seguiu para destino desconhecido, conforme imagens de câmeras de segurança e informações anunciadas pelo juiz durante a sessão.
Diante da situação, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) pediu que a saída do engenheiro fosse investigada e que seu celular fosse preservado para auxiliar na apuração.
Detalhes e consequências do caso
O órgão também solicitou a expedição imediata de um mandado de prisão. Posteriormente, o juiz informou que Patrick havia sido localizado, capturado e estava sob escolta policial.
Ele será encaminhado ao Centro de Triagem de Viana.
O desfecho do caso aconteceu no terceiro dia de júri popular. A sessão começou com o interrogatório do engenheiro, que terminou por volta das 9h30 desta quinta-feira.
Na sequência, houve um debate entre o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), responsável pela acusação, e a defesa de Patrick.
Os depoimentos das testemunhas, entre elas a mãe de Danielly, peritos e o diretor da escola onde a professora trabalhava, haviam sido concluídos na quarta-feira (4).
Após anos de tramitação do processo e contestações da defesa, Patrick foi condenado por homicídio qualificado por motivo fútil c ometido contra mulher por razões do sexo feminino (feminicídio).
Além da reclusão, em regime inicial fechado, ele deverá pagar R$ 500 mil em indenização por danos morais.
A reportagem de A Gazeta tenta contato com a defesa de Patrick Noé dos Santos Filgueira para obter um posicionamento sobre a condenação. O espaço segue aberto para manifestação.
Danielly, que trabalhava como professora de Geografia em uma escola particular de Vitória, foi encontrada morta em 30 de dezembro de 2017, no apartamento onde morava com o marido, no bairro Jardim Camburi.
De acordo com os laudos periciais, a causa da morte foi uma “hemorragia intracraniana, devido a traumatismo cranioencefálico, causado por ação contundente”.
Segundo a polícia, o corpo estava caído de bruços, ao pé da cama, em uma poça de sangue. No quarto, a janela estava aberta, o ar-condicionado ligado, um dos pés do criado-mudo estava quebrado e dois porta-retratos estavam virados para baixo.
Imagens das câmeras de segurança do prédio mostraram que o engenheiro foi a última pessoa a entrar no apartamento antes de Danielly ser encontrada morta.
Ele permaneceu no imóvel por cerca de dois minutos e saiu novamente. O corpo foi encontrado pelo próprio Patrick no fim do dia seguinte.
A denúncia do Ministério Público foi apresentada e recebida pela Justiça em março de 2018. Segundo a acusação, o casal teve um desentendimento motivado por ciúmes no dia dos fatos.
O MPES sustenta que Patrick mantinha um comportamento de posse e controle sobre a esposa, chegando a monitorar as redes sociais por meio de um aplicativo de mensagens clonado.
Inicialmente, o caso chegou a ser tratado como possível suicídio. No entanto, 18 dias após a morte da professora, Patrick foi preso, suspeito de assassiná-la.
O engenheiro deixou a prisão em setembro de 2020, após quase três anos. Em setembro de 2024, a Justiça determinou que ele fosse submetido a júri popular, por entender que havia indícios suficientes de autoria.
Em entrevista à repórter Alice Sousa, da TV Gazeta, no início do julgamento, o promotor de Justiça Rodrigo Monteiro afirmou que o caso se trata de um crime inequívoco.
“As provas demonstram um relacionamento tóxico, abusivo, marcado por violência, frieza e desprezo. Nosso trabalho é mostrar que crimes dessa natureza não passarão impunes. A vítima foi covardemente assassinada", declarou então.
Na semana que antecedeu o júri, a defesa de Patrick tentou adiar a sessão. Os advogados alegaram que não tiveram acesso à íntegra dos dados dos celulares da vítima e do réu, algo que havia sido garantido por liminar do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).
Segundo eles, o material entregue continha apenas relatórios, e não a cópia completa das informações.
Em resumo
Quase nove anos após o crime, o engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, de 42 anos, foi condenado a 27 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pela morte da esposa, a professora de Geografia Danielly Wandermurem Benício, de 36 anos, ocorrida em dezembro de 2017, em Vitória.
Patrick não estava presente no momento da leitura da sentença. Pouco antes, ele deixou o fórum em um carro e seguiu para destino desconhecido, conforme imagens de câmeras de segurança e informações anunciadas pelo juiz durante a sessão.
Diante da situação, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) pediu que a saída do engenheiro fosse investigada e que seu celular fosse preservado para auxiliar na apuração. O órgão também solicitou a expedição imediata de um mandado de prisão. Posteriormente, o juiz informou que Patrick havia sido localizado, capturado e estava sob escolta policial.
O desfecho do caso aconteceu no terceiro dia de júri popular. A sessão começou com o interrogatório do engenheiro, que terminou por volta das 9h30 desta quinta-feira. Na sequência, houve um debate entre o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), responsável pela acusação, e a defesa de Patrick.
Os depoimentos das testemunhas, entre elas a mãe de Danielly, peritos e o diretor da escola onde a professora trabalhava, haviam sido concluídos na quarta-feira (4).