Entidades levam suspeitas sobre a Meta ao Congresso dos EUA
Cinco organizações pediram investigação sobre moderação, distribuição de conteúdo e anúncios políticos durante a eleição brasileira.

Cinco organizações da sociedade civil pediram nesta terça-feira (20) que o Congresso dos Estados Unidos investigue a atuação da Meta durante a eleição presidencial brasileira. A solicitação foi apresentada a cinco dias do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
A Folha de S.Paulo revelou o envio da carta, e o portal Band confirmou o pedido e a lista de signatários. O documento é assinado por Washington Brazil Office, Washington Office on Latin America, Center for Economic and Policy Research, Amazon Watch e Latin America Working Group.
As entidades sustentam que uma empresa norte-americana com influência sobre o ambiente informacional de outro país deve ser submetida a maior transparência. A Meta controla Facebook, Instagram e WhatsApp, plataformas usadas pelas duas campanhas e por milhões de eleitores brasileiros.
Carta reúne episódios eleitorais
O pedido menciona problemas de moderação, distribuição de publicações e veiculação de publicidade política. Entre os episódios citados estão restrições que atingiram contas ligadas à campanha de Lula e recomendações de perfis associados à candidatura de Flávio Bolsonaro.
A carta também incorpora um levantamento do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo os dados apresentados, ao menos 1.613 anúncios políticos irregulares foram pagos em moeda estrangeira entre julho e setembro, movimentando cerca de R$ 2 milhões e somando 171,1 milhões de impressões.
Entre as peças com informação disponível sobre a origem do pagamento, 98,1% indicavam os Estados Unidos. As organizações querem que congressistas norte-americanos cobrem esclarecimentos técnicos, preservação de registros internos e eventual audiência pública sobre os mecanismos de recomendação e moderação.
Pedido não prova favorecimento
Os próprios signatários afirmam que as inconsistências não demonstram, por si só, favorecimento político deliberado. A diferença é importante: a carta pede investigação e acesso a dados, mas não apresenta uma conclusão definitiva sobre intenção da empresa ou manipulação do resultado eleitoral.
A Meta nega interferência. A companhia declarou que aplica as mesmas regras aos candidatos e atribuiu os episódios relatados a falhas técnicas ou erros não intencionais. Também informou ao Tribunal Superior Eleitoral que adotou medidas para garantir tratamento equivalente às campanhas.
O caso coloca sob escrutínio tanto o poder das plataformas quanto a reação das instituições. Uma apuração consistente precisa verificar critérios, alcance, registros de anúncios e decisões internas com a mesma régua para todos, sem presumir culpa nem tratar a explicação da empresa como encerramento do assunto.
Até a noite desta terça-feira, não havia anúncio público de abertura formal de investigação pelo Congresso dos Estados Unidos. O efeito imediato da carta é político e documental: preservar evidências antes do segundo turno e pressionar a Meta a explicar decisões capazes de alterar a circulação de conteúdo eleitoral.
Em resumo
Cinco organizações, entre elas Washington Brazil Office, WOLA, CEPR, Amazon Watch e Latin America Working Group.
Elas pedem esclarecimentos técnicos, preservação de registros internos e avaliação de audiências públicas.
O documento menciona levantamento do NetLab que identificou ao menos 1.613 anúncios políticos irregulares.
Não. Os signatários dizem que os episódios justificam investigação, mas não provam intenção deliberada.
A empresa negou interferência e afirmou que aplica as mesmas regras às duas campanhas.