Economia · 2026-10-22 · Redação Notícia ES

EPE identifica três polos de vento forte no mar brasileiro

Estudo da Empresa de Pesquisa Energética dividiu a costa em 20 regiões e localizou três áreas com as maiores velocidades médias de vento.

EPE identifica três polos de vento forte no mar brasileiro
EPE identifica três polos de vento forte no mar brasileiro

A Empresa de Pesquisa Energética identificou três áreas do mar brasileiro com as maiores velocidades médias de vento entre as regiões analisadas. O levantamento, publicado em agosto e destacado novamente nesta quinta-feira, 22 de outubro, organiza dados que poderão apoiar o planejamento da geração eólica offshore.

Segundo a Veja, fonte original da pauta, o estudo aponta os trechos mais promissores a partir da força e da regularidade dos ventos. A nota técnica da própria EPE confirma que foram comparadas três bases públicas: ERA5, MERRA-2 e Global Wind Atlas.

A equipe selecionou a base considerada mais adequada para aprofundar a avaliação ao longo da costa. Depois, tratou séries temporais de vento e agrupou áreas marítimas que apresentam comportamento semelhante ao longo do dia e das estações do ano.

O resultado foi a divisão da faixa estudada em 20 regiões, chamadas de clusters. Dentro desse conjunto, três polos se destacaram por registrar as maiores velocidades médias observadas, uma informação útil para estudos de produtividade e para a comparação preliminar entre zonas marítimas.

Método divide costa em regiões

A clusterização não escolhe sozinha onde uma usina deve ser instalada. Ela reduz uma grande quantidade de medições a grupos comparáveis e permite que planejadores entendam como o recurso eólico varia no território e no tempo.

A EPE também disponibilizou um painel interativo para examinar cada região. A ferramenta apresenta localização geográfica, séries horárias e anuais de velocidade, rosas dos ventos, distribuições estatísticas e parâmetros usados para descrever a frequência das diferentes intensidades.

Esses dados ajudam pesquisadores e empresas a estimar a energia que poderia ser produzida, mas não substituem medições locais de longo prazo. Torres, boias e equipamentos instalados no mar continuam necessários para reduzir incertezas antes de uma decisão de investimento.

A velocidade do vento é apenas uma parte da viabilidade econômica. Distância da costa, profundidade, conexão à rede elétrica, acesso portuário, cadeia de fornecedores e custo de manutenção influenciam a conta final de um empreendimento offshore.

Mapa orienta estudos energéticos

O mapeamento também não representa licença ambiental, autorização de uso do mar ou anúncio de leilão. Projetos precisam passar por regras próprias, análise dos impactos sobre fauna, pesca, navegação e comunidades costeiras, além de definir como a energia chegará ao sistema elétrico.

Ao consolidar bases que cobrem todo o litoral, a nota oferece uma referência comum para estudos futuros. Isso permite concentrar avaliações mais caras nas áreas com sinais técnicos mais favoráveis e comparar projetos com critérios consistentes.

Para o consumidor, o efeito não é imediato: o levantamento não cria nova oferta nem altera a tarifa. Seu valor está na etapa de planejamento, ao indicar onde medições detalhadas podem ter maior retorno e quais regiões exigem cautela adicional antes de receber investimentos.

A próxima fase dependerá de estudos ambientais, regras de ocupação e decisões empresariais. Os três polos identificados são, portanto, pontos de partida para investigação, e não locais com construção assegurada.

Em resumo

O que a EPE identificou?

O estudo localizou três áreas da costa brasileira com as maiores velocidades médias de vento entre as regiões analisadas.

Como a costa foi analisada?

Séries de vento foram tratadas e agrupadas em 20 regiões com padrões diários e sazonais semelhantes.

Quais bases foram comparadas?

A nota técnica comparou ERA5, MERRA-2 e Global Wind Atlas antes de selecionar a base usada na avaliação detalhada.

O mapa autoriza novas usinas?

Não. O levantamento apoia o planejamento, mas não substitui licenciamento, medições locais, autorização marítima ou decisão de investimento.

Quais dados estão no painel?

O painel reúne localização, séries de velocidade, rosas dos ventos, distribuições estatísticas e parâmetros de cada região.

Fontes