Consumo de gás cresce 14,8% no ES; ES Gás prevê R$ 1 bilhão em expansão até 2030
Estado consumiu 793 milhões de metros cúbicos em 2025, com indústria respondendo por 83,1%; plano prevê cerca de 480 km de novas redes, 92 mil consumidores e cinco novos municípios.

VITÓRIA. O Espírito Santo consumiu 793 milhões de metros cúbicos de gás natural em 2025, alta de 14,8% sobre os 690,9 milhões registrados em 2024. A indústria respondeu por 83,1% do volume e as termelétricas por 11,2%, segundo dados apresentados pelo diretor-presidente da ES Gás, Raphael Pereira, em entrevista publicada neste domingo, 20 de setembro.
A distribuidora trabalha com um plano de investimentos de aproximadamente R$ 1 bilhão até 2030. A projeção inclui a construção de cerca de 480 quilômetros de novas redes, a conexão de 92 mil consumidores adicionais, atendimento a mais 30 indústrias e expansão para cinco novos municípios.
A meta declarada pela empresa é chegar ao fim da década com aproximadamente 180 mil clientes e superar mil quilômetros de rede de distribuição. Em junho, a companhia anunciou ter alcançado a marca de 100 mil consumidores conectados, depois de incorporar cerca de 22 mil clientes em menos de três anos.
Indústria concentra o consumo
O peso de 83,1% mostra que o gás natural no Espírito Santo continua fortemente associado à atividade industrial. A expansão planejada considera novos projetos produtivos e a necessidade de levar infraestrutura até áreas que hoje têm demanda potencial, mas ainda não estão conectadas à rede canalizada.
Segundo Pereira, entre 70% e 80% do investimento previsto está diretamente ligado à expansão. O executivo citou projetos industriais em Aracruz e no Norte do Estado, além de demandas em siderurgia, mineração, indústria automotiva, agropecuária e possíveis data centers.
A empresa também pretende ampliar a presença no mercado residencial e comercial. De acordo com a ES Gás, a base de consumidores cresceu após a privatização e a malha ganhou mais de 220 quilômetros nos últimos anos. O avanço envolve ligações em residências, restaurantes, hospitais, postos e unidades industriais.
Plano inclui interiorização
Entre os municípios citados no plano estão Pedro Canário, Nova Venécia, Jaguaré, Mimoso do Sul e Domingos Martins. A estratégia é ampliar a cobertura para regiões com atividade industrial, agropecuária ou turística e reduzir a concentração da rede na Grande Vitória e nos corredores já consolidados.
Uma expansão dessa escala depende de obras de distribuição, licenciamento, contratos com consumidores e capacidade de acesso ao gás transportado. O Espírito Santo é atravessado por infraestrutura nacional de transporte, mas a conexão final com fábricas, comércios e residências exige redes locais e investimentos específicos.
A companhia também projeta integração de biometano à rede. Segundo o presidente da empresa, há uma planta em desenvolvimento com expectativa de conexão ainda em 2026. O biometano pode utilizar parte da infraestrutura existente e atender consumidores que buscam reduzir emissões, desde que cumpra especificações técnicas e regulatórias.
Mercado livre ganhou espaço
Outro eixo do mercado capixaba é a migração de grandes consumidores para o ambiente livre, no qual empresas podem negociar a molécula de gás com fornecedores, permanecendo a distribuição sob responsabilidade da concessionária. A ES Gás afirma que a participação desse modelo cresceu rapidamente no Estado.
Para a indústria, custo, previsibilidade de fornecimento e disponibilidade de infraestrutura entram na decisão de investimento. O gás é apenas um dos fatores, ao lado de energia elétrica, rodovias, ferrovias, portos, mão de obra, incentivos e ambiente regulatório. Por isso, o plano de R$ 1 bilhão não deve ser interpretado isoladamente como garantia de instalação de novos projetos.
O desempenho de 2025 mostra aumento do consumo e reforça a necessidade de acompanhar se a expansão da malha ocorrerá no ritmo previsto. Os próximos marcos serão a execução anual dos investimentos, a entrada dos novos municípios, a conexão de indústrias e a evolução do volume distribuído até 2030.
Em resumo
793 milhões de metros cúbicos, alta de 14,8% sobre 2024.
A indústria, responsável por 83,1% do volume informado para 2025.
Cerca de R$ 1 bilhão.
O plano prevê aproximadamente 480 quilômetros de novas redes.
Pedro Canário, Nova Venécia, Jaguaré, Mimoso do Sul e Domingos Martins estão entre os municípios citados no plano.