Estudo aponta alta de alcance político no Instagram
Análise de 2.076 perfis encontrou aumento de 7,5% nas visualizações de candidatos no Instagram, apesar da restrição eleitoral a recomendações algorítmicas.

Um estudo sobre 2.076 perfis políticos encontrou aumento de 7,5% nas visualizações de candidatos no Instagram durante a campanha de 2026, apesar da regra eleitoral que restringe recomendações algorítmicas dessas contas. Nas demais grandes plataformas analisadas, o alcance caiu.
Os dados foram publicados pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (22). O levantamento é do Instituto Democracia em Xeque e acompanhou contas entre 1º de fevereiro e 20 de outubro, incluindo os seis principais candidatos à Presidência e um grupo de controle formado por perfis que não disputaram a eleição.
A norma do Tribunal Superior Eleitoral não determina o bloqueio das contas nem a remoção automática das publicações. Ela impede que sistemas de recomendação ampliem os perfis e canais informados oficialmente pelas campanhas, mantendo o acesso de quem procura ou já acompanha essas páginas.
Plataformas exibem respostas diferentes
O estudo usou a média observada entre fevereiro e junho como referência e comparou o desempenho no período eleitoral. No Instagram, as visualizações dos candidatos cresceram 7,5% em relação ao grupo de controle, enquanto as interações recuaram 11,6%.
Nas outras plataformas, o movimento foi negativo nos dois indicadores. O TikTok apresentou queda de 95% nas visualizações e de 90,6% nas interações. No X, as reduções foram de 49,9% e 38,1%; no YouTube, de 44,5% e 52,5%; no Facebook, de 19% e 40,5%.
A diferença chama atenção porque uma limitação efetiva das recomendações tenderia a reduzir a descoberta de contas por pessoas que ainda não as seguem. Ainda assim, visualização pode crescer por compartilhamentos, busca direta, publicidade permitida, mobilização de seguidores ou maior volume de publicações, fatores que exigem análise separada.
Resultado não prova favorecimento
O recorte por campo político mostrou queda de 11% na mediana de visualizações de candidatos de direita, aumento de 2% entre os de centro e crescimento de 14% entre os de esquerda no Instagram. Esses percentuais descrevem variação no período, mas não demonstram sozinhos que a plataforma tenha escolhido beneficiar um grupo.
Segundo o pesquisador Marcelo Alves, responsável pelo estudo, perfis da direita mantiveram uma mediana de visualizações superior à da esquerda. Ele atribuiu parte do crescimento relativo das contas de esquerda à mobilização das campanhas, o que reforça a necessidade de distinguir ponto de partida, alcance absoluto e variação percentual.
A Meta, dona de Instagram e Facebook, não apresentou resposta à Folha até a publicação da reportagem. Sem acesso aos registros internos do sistema de recomendação, a análise externa pode apontar sinais incompatíveis com o efeito esperado da regra, mas não comprova por si só descumprimento deliberado.
O achado relevante para a Justiça Eleitoral é a diferença entre plataformas submetidas à mesma obrigação. A confirmação de falha, tratamento desigual ou infração depende de auditoria técnica, dados fornecidos pelas empresas e contraditório. Até lá, o estudo sustenta uma pergunta objetiva sobre a aplicação da norma, não uma sentença contra a Meta.