Tecnologia · 2026-10-07 · Redação Notícia ES

Estudo aponta Brasil na liderança do uso avançado de IA

Levantamento da Microsoft com trabalhadores de dez países indica maior proporção de usuários avançados de inteligência artificial no Brasil.

Estudo aponta Brasil na liderança do uso avançado de IA
Estudo aponta Brasil na liderança do uso avançado de IA

O Brasil aparece na liderança do uso avançado de inteligência artificial entre dez mercados avaliados em um estudo divulgado pela Microsoft nesta quarta-feira (7). O levantamento classificou 27% dos participantes brasileiros como usuários capazes de aplicar a tecnologia em tarefas complexas de trabalho.

A informação foi publicada inicialmente pela revista Veja e consta do Work Trend Index 2026, relatório da Microsoft elaborado com pesquisa da Edelman Data x Intelligence. A apuração oficial informa que foram ouvidos 20 mil profissionais que trabalham em tempo integral ou por conta própria e usam IA em suas atividades.

O estudo abrangeu Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Países Baixos, Japão, Índia e Austrália. A média de usuários classificados no grupo mais avançado, chamado pela pesquisa de Frontier Professionals, foi de 16% no conjunto desses mercados.

Brasil lidera uso avançado

A taxa brasileira de 27% superou as registradas nos demais países analisados. O resultado mede a combinação entre frequência de uso, variedade de tarefas e capacidade declarada de empregar a inteligência artificial para ampliar o próprio trabalho, e não o tamanho absoluto da indústria de tecnologia de cada país.

Entre os participantes brasileiros, 72% disseram realizar hoje atividades que não conseguiriam executar um ano antes com a mesma facilidade. No total da pesquisa, essa proporção ficou em 58%, diferença que ajuda a explicar a posição do Brasil no recorte apresentado pela empresa.

A classificação não depende apenas de abrir uma ferramenta ou pedir respostas simples. Segundo a metodologia, os profissionais mais avançados combinam recursos de IA com julgamento humano, reformulam processos e usam os sistemas para explorar problemas que antes ficavam fora do alcance individual.

Os números, porém, não significam que toda empresa brasileira esteja no mesmo estágio. O levantamento separa a habilidade pessoal de usar IA da preparação das organizações para incorporar a tecnologia com governança, treinamento, integração de dados e definição clara de responsabilidades.

Empresas ainda limitam ganhos

A Microsoft atribuiu 67% da diferença de desempenho a fatores organizacionais e 32% a características individuais. Isso indica que profissionais habilidosos podem produzir menos impacto quando trabalham em ambientes sem acesso adequado a ferramentas, dados confiáveis ou regras internas de uso.

No Brasil, 19% dos entrevistados reuniram simultaneamente alta capacidade individual e condições institucionais favoráveis. Outros 10% foram considerados preparados para usar a tecnologia, mas atuavam em organizações ainda sem estrutura suficiente para aproveitar esse conhecimento.

Os resultados são baseados em respostas dos próprios participantes e em indicadores compostos definidos pelos pesquisadores. Portanto, o estudo permite comparar comportamentos dentro da amostra, mas não funciona como censo de todos os trabalhadores nem prova, sozinho, ganhos de produtividade em cada empresa.

A principal leitura prática é que a adoção avançada depende de duas frentes: qualificação de pessoas e mudança na forma de organizar o trabalho. Sem as duas, o uso tende a permanecer restrito a tarefas isoladas, mesmo quando parte da equipe já domina recursos mais sofisticados.

Em resumo

O que o estudo identificou no Brasil?

A pesquisa classificou 27% dos participantes brasileiros como usuários avançados de inteligência artificial, a maior proporção entre os dez mercados analisados.

Quantas pessoas participaram da pesquisa?

Foram ouvidos 20 mil profissionais de dez mercados que trabalham em tempo integral ou por conta própria e usam IA em suas atividades.

O que define um usuário avançado?

A classificação combina frequência, variedade de tarefas e capacidade de integrar a IA ao trabalho com julgamento humano.

O resultado vale para todas as empresas brasileiras?

Não. O levantamento é amostral e mostra que habilidade individual e preparação organizacional podem estar em estágios diferentes.

Qual é o principal obstáculo apontado?

Fatores organizacionais, como governança, acesso a dados, treinamento e integração das ferramentas, respondem pela maior parte da diferença de desempenho.

Fontes