Economia · 2026-10-17 · Redação Notícia ES

Estudo projeta perdas com benefícios congelados

Simulações do Made-USP indicam que mudanças nos reajustes de aposentadorias, BPC e Bolsa Família afetariam renda e comércio no interior.

Estudo projeta perdas com benefícios congelados
Estudo projeta perdas com benefícios congelados

Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA-USP projeta queda na renda de municípios do interior caso aposentadorias, BPC e Bolsa Família deixem de ter crescimento real. A nota compara diferentes regras de reajuste para o período de 2027 a 2029.

O Poder360 divulgou os resultados neste sábado (17). A Agência Brasil publicou a análise originalmente na sexta-feira (16), e a nota técnica do Made-USP apresenta os dados, as hipóteses e os limites das simulações.

Os pesquisadores usaram microdados da PNAD Contínua Anual de 2025 e separaram capitais e regiões metropolitanas dos demais municípios. O recorte permite estimar quanto as transferências representam na renda familiar e na atividade comercial de áreas interioranas.

O levantamento considera aposentadorias e pensões públicas, Benefício de Prestação Continuada e Bolsa Família. Nas famílias com renda de até um salário mínimo e meio por pessoa, essas transferências podem responder por quase metade do orçamento.

Interior concentra maior dependência

Dos 5.569 municípios analisados, cerca de quatro mil ficam fora de capitais e regiões metropolitanas. Nessas localidades, segundo o estudo, o peso dos benefícios na renda é aproximadamente o dobro do observado nos grandes centros.

No Ceará, as transferências representam 22% da renda agregada na capital e na região metropolitana, mas chegam a 40% no interior. A diferença ajuda a explicar por que uma mudança no reajuste pode atingir também supermercados, pequenos serviços e arrecadação municipal.

O efeito não fica restrito a quem recebe diretamente os benefícios. Quando a renda disponível cai, o consumo local também recua, afetando empregos e faturamento de famílias que não participam dos programas sociais.

Para o Espírito Santo e outros estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o cenário mais negativo calculado aponta perda de até 6,5%. As projeções mais severas aparecem no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com quedas entre 17% e 18%.

Simulações medem cenários distintos

A nota compara a continuidade do crescimento real observado entre 2022 e 2025 com três alternativas: congelamento nominal, aplicação do padrão de reajuste do governo Bolsonaro e uma versão que incorpora os efeitos excepcionais do Auxílio Emergencial e do Auxílio Brasil.

Nas hipóteses analisadas, a renda agregada do interior em 2029 ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo da trajetória de referência. Aproximadamente um terço da perda viria do efeito indireto sobre consumo e atividade econômica local.

Outro exercício estimou o que teria ocorrido se os benefícios não tivessem registrado ganhos reais entre 2022 e 2025. Segundo a simulação, 2,7 milhões de pessoas adicionais poderiam ter ficado abaixo da linha de pobreza, das quais 2,4 milhões em extrema pobreza.

Os autores ressaltam que os números comparam hipóteses específicas e não são previsões. O estudo mede consequências possíveis de regras de reajuste; a dimensão real de qualquer impacto dependerá das medidas aprovadas, da inflação, do emprego e de outras condições econômicas.

Em resumo

O que o estudo da USP analisou?

Analisou como regras diferentes de reajuste de benefícios afetariam renda e pobreza no interior.

Quais benefícios foram considerados?

Aposentadorias e pensões públicas, BPC e Bolsa Família.

Qual foi a perda de renda projetada?

A renda agregada poderia ficar entre 6,8% e 10,8% abaixo da trajetória de referência em 2029.

O Espírito Santo aparece no levantamento?

Sim. O estado integra o grupo com perda potencial de até 6,5% no cenário analisado.

Os números são previsões?

Não. Os autores dizem que são simulações de hipóteses específicas, e não previsões econômicas.

Fontes