Exame de sangue amplia investigação do Alzheimer no Brasil
Hospital de Porto Alegre começa a oferecer teste de biomarcadores para pacientes com sintomas; resultado precisa de avaliação clínica especializada.

O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, começou a oferecer nesta quinta-feira (15) um exame de sangue destinado a auxiliar a investigação da doença de Alzheimer. O teste é voltado a pacientes com sinais de comprometimento cognitivo que já estejam sob avaliação médica.
A Veja noticiou a chegada do exame ao Brasil e informou que a instituição gaúcha foi a primeira a disponibilizar a tecnologia aprovada pela Anvisa. A agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, confirma que o dispositivo mede biomarcadores ligados à presença de placas amiloides e não deve ser usado sozinho para fechar diagnóstico.
O equipamento analisa as proteínas pTau217 e beta-amiloide 1-42 no plasma e calcula a proporção entre elas. O resultado se correlaciona com a presença ou a ausência de patologia amiloide no cérebro, um dos elementos observados na avaliação da doença.
Por depender de uma coleta de sangue, o método é menos invasivo que a punção lombar usada para obter líquido cefalorraquidiano. Também pode reduzir a necessidade de tomografia por emissão de pósitrons, conhecida como PET, embora outros exames continuem necessários em parte dos casos.
Biomarcador exige avaliação médica
A FDA liberou o Lumipulse G pTau217/β-Amyloid 1-42 Plasma Ratio em maio de 2025 para adultos a partir de 55 anos com sinais e sintomas de declínio cognitivo. A indicação não abrange rastreamento indiscriminado de pessoas sem sintomas.
Na análise regulatória norte-americana, o desempenho foi comparado a exames de PET amiloide ou de líquido cefalorraquidiano em 499 amostras de pacientes com comprometimento cognitivo. Entre os resultados positivos, 91,7% coincidiram com a presença de placas; entre os negativos, 97,3% coincidiram com exames sem a alteração.
Esses índices não eliminam a possibilidade de falso positivo, falso negativo ou resultado indeterminado. A própria FDA alerta que interpretações erradas podem levar a diagnóstico inadequado, ansiedade, tratamento desnecessário ou atraso na identificação de outra causa para os sintomas.
Por isso, a leitura deve considerar histórico de saúde, evolução das queixas, avaliação cognitiva, exame neurológico e dados complementares. Encontrar biomarcadores amiloides não descreve sozinho a intensidade dos sintomas nem substitui a análise das demais hipóteses clínicas.
Acesso começa na rede privada
Nesta fase inicial, o teste está disponível de forma particular no Hospital Moinhos de Vento. A instituição informou que estuda ampliar o acesso a planos de saúde e ao Sistema Único de Saúde ainda em 2026, por meio de iniciativas ligadas ao Proadi-SUS.
Essa perspectiva não significa que já exista cobertura obrigatória na saúde suplementar ou oferta regular no SUS. A incorporação de uma tecnologia aos sistemas de atendimento exige avaliação própria de evidências, custos, público-alvo e capacidade de execução.
O exame pode ajudar especialistas a selecionar quais pacientes precisam de investigação adicional e tornar parte do percurso menos invasiva. Seu uso responsável, porém, depende de indicação adequada e de comunicação clara sobre o que um resultado positivo ou negativo realmente representa.
Para pessoas com esquecimento ou outras alterações cognitivas, a orientação permanece buscar avaliação profissional em vez de solicitar um marcador isolado. Diferentes condições médicas podem provocar sintomas semelhantes, e a decisão diagnóstica deve reunir dados clínicos, laboratoriais e de imagem quando indicados.
A chegada da análise sanguínea amplia o conjunto de ferramentas disponíveis no país. O avanço está na facilidade da coleta e na informação biológica adicional, não na criação de um teste definitivo para uso geral.
Em resumo
Não. Ele auxilia a investigação e deve ser interpretado junto com sintomas, histórico, avaliação cognitiva e outros exames.
Pacientes com sinais de comprometimento cognitivo que já estejam em avaliação médica especializada.
O dispositivo mede pTau217 e beta-amiloide 1-42 no plasma e calcula a proporção entre eles.
Ainda não há oferta regular anunciada; o hospital informou que avalia ampliar o acesso por iniciativas ligadas ao Proadi-SUS.
A coleta é menos invasiva e pode reduzir a necessidade de PET amiloide ou punção lombar em parte da investigação.