Política ES · 2026-10-07 · Redação Notícia ES

Exército vê civil bolsonarista como ministro da Defesa se Flávio vencer

Nome ligado a Eduardo e aos Emirados é favorito para os militares, que não são próximos do senador

Exército vê civil bolsonarista como ministro da Defesa se Flávio vencer
Exército vê civil bolsonarista como ministro da Defesa se Flávio vencer

Integrantes da cúpula militar brasileira, ainda se recuperando dos danos que a adesão ao governo Jair Bolsonaro já causou, discutem cenários para o caso da vitória do primogênito do ex-presidente, o senador Flávio ( PL -RJ), na disputa pelo Planalto.

Tema é debatido via WhatsApp, telefonemas e foi assunto

O tema é debatido via WhatsApp, telefonemas e foi assunto em conversas paralelas ao encontro regular do Alto Comando do Exército, principal das três Forças . Os 16 generais de quatro estrelas que o compõem estão reunidos em Brasília para definir promoções nesta semana.

Entre oficiais no topo da hierarquia, segundo relatos feitos à Folha , há a certeza de que o próximo ministro da Defesa será um civil bolsonarista, e não um militar, como foi regra da metade do governo Michel Temer (MDB) até a volta de Lula ( PT ) ao poder.

O favorito é Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa da pasta. Muito próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, ele vem sendo cotado até para o Itamaraty, dada a defesa que assumiu da reforma do órgão.

Sua relação com a Defesa, contudo, é mais orgânica

Sua relação com a Defesa, contudo, é mais orgânica. Ele esteve à frente das tratativas lideradas por Eduardo no governo do pai para estreitar laços no setor com os Emirados Árabes Unidos .

Chegou a ser indicado para a embaixada no país, mas o Senado segurou a análise de seu nome.

Degaut desistiu da postulação, alegando problemas de saúde, e saiu do governo em 2022. Cumpriu quarentena e, de maio de 2023 a abril de 2024, foi diretor do principal conglomerado de defesa dos Emirados, o Edge Group, para Brasil e América Latina.

Alguns fardados questionam se essa relação não seria problemática, dado que o Edge entrou agressivamente no mercado brasileiro, adquirindo o controle da fabricante de mísseis SIATT e da casa de engenharia Akaer.

Questionado, o Centro de Comunicação Social do Exército disse que não comentaria as especulações.

Já para o comando do Exército, que com 60% dos 374,5 mil fardados do país é seu mais importante ente militar, a aposta mais ouvida é no nome do general Francisco Humberto Montenegro Júnior, o número 2 da Força.

Ex-assessor parlamentar da Força, ele é visto como o mais político dos integrantes atuais do Alto Comando, à parte do comandante, general Tomás Ribeiro Paiva.

Sua relação próxima com o chefe o autorizaria a conduzir a transição de um Exército sob um governo de esquerda para outro de direita, no caso de Flávio vencer.

Contra ele, há o fato de que ele é o sétimo general mais antigo no colegiado, e a praxe sugere que o presidente indique o primeiro da fila, no caso o chefe da Secretaria de Finanças, Luciano Guilherme Cabral Pinheiro.

A relação com Tomás também pesa, como o comandante é conhecido. Dois bolsonaristas próximos de Flávio afirmam que a família não o perdoou pelo discurso legalista proferido às vésperas de sua escolha por Lula, no auge da crise provocada pelo 8 de Janeiro .

Na fala, ele defendeu a despolitização das Forças Armadas . Tomás substituiu Júlio César de Arruda, criticado pelo Planalto pela condução da crise provocada por bolsonaristas em Brasília.

O afastamento do Exército e das outras Forças dos holofotes foi um dos pilares da gestão de José Múcio Monteiro na Defesa.

Outros nomes estão na pista entre Guilherme, como é chamado o general, e Montenegro.

Entre eles está Kleber Nunes de Vasconcellos, comandante de Operações Terrestres e paraquedista como Bolsonaro foi, o que lhe dá certa simpatia entre os bolsonaristas após Tomás ter coibido a influência das Forças Especiais , os "kids pretos" associados ao golpismo, na cúpula do Exército.

Surge também no páreo Luiz Fernando Baganha, diretor de pessoal da Força. Ele trabalhou no Gabinete de Segurança Institucional de Bolsonaro de 2019 a 2021, dois anos como número 2 do ministro Augusto Heleno, um dos generais condenados pela trama golpista de 2022.

Em resumo

O que aconteceu?

Integrantes da cúpula militar brasileira, ainda se recuperando dos danos que a adesão ao governo Jair Bolsonaro já causou, discutem cenários para o caso da vitória do primogênito do ex-presidente, o senador Flávio ( PL -RJ), na disputa pelo Planalto.

Qual é o ponto principal?

O tema é debatido via WhatsApp, telefonemas e foi assunto em conversas paralelas ao encontro regular do Alto Comando do Exército, principal das três Forças . Os 16 generais de quatro estrelas que o compõem estão reunidos em Brasília para definir promoções nesta semana.

Quais são os dados mais importantes?

Entre oficiais no topo da hierarquia, segundo relatos feitos à Folha , há a certeza de que o próximo ministro da Defesa será um civil bolsonarista, e não um militar, como foi regra da metade do governo Michel Temer (MDB) até a volta de Lula ( PT ) ao poder.

Qual é o contexto?

O favorito é Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa da pasta. Muito próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, ele vem sendo cotado até para o Itamaraty, dada a defesa que assumiu da reforma do órgão.

Quais são os próximos desdobramentos?

Sua relação com a Defesa, contudo, é mais orgânica. Ele esteve à frente das tratativas lideradas por Eduardo no governo do pai para estreitar laços no setor com os Emirados Árabes Unidos . Chegou a ser indicado para a embaixada no país, mas o Senado segurou a análise de seu nome.

Fontes