Exportações brasileiras à UE crescem 30,7% após acordo
Alta foi registrada entre maio e setembro, primeiros cinco meses de vigência provisória do tratado; no acumulado do ano, embarques somaram US$ 44,17 bilhões.

As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 30,7% entre maio e setembro de 2026, na comparação com os mesmos cinco meses do ano passado. O período corresponde ao início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.
O resultado foi publicado pelo Poder360 nesta quarta-feira (14), com base em dados apresentados pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A Folha de S.Paulo confirmou a expansão próxima de 30% e atribuiu a informação ao mesmo ministro.
O recorte de maio a setembro é importante porque o tratado começou a produzir efeitos provisórios em 1º de maio, depois de quase 27 anos de negociações. A redução gradual de tarifas ampliou o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, embora os números ainda cubram uma fase inicial da implementação.
No acumulado de janeiro a setembro, as vendas do Brasil à União Europeia chegaram a US$ 44,17 bilhões. Esse total representa crescimento de 20% sobre os nove primeiros meses de 2025, percentual menor que o observado depois de maio porque inclui quatro meses anteriores à vigência provisória.
Acordo iniciou vigência provisória
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou que a corrente comercial entre os países do Mercosul e da União Europeia aumentou mais de US$ 6 bilhões desde a aprovação e a entrada em vigor do acordo. Corrente comercial é a soma das exportações e das importações entre os dois lados.
Vieira também apontou crescimento de 10,4% nas exportações brasileiras em 2026. O desempenho destinado à União Europeia, portanto, ficou acima da expansão geral das vendas externas no período destacado pelo governo, reforçando o peso do bloco como mercado para produtos nacionais.
A comparação não permite atribuir todo o avanço exclusivamente ao tratado. Câmbio, preços internacionais, volume de safra e demanda europeia também influenciam as receitas. O dado confirmado mostra que a aceleração coincidiu com a redução de barreiras comerciais iniciada em maio.
Levantamentos anteriores do Ministério do Desenvolvimento já indicavam fortalecimento das vendas ao bloco. Em agosto, as exportações brasileiras para a União Europeia haviam alcançado US$ 5,82 bilhões, alta de 46,4% diante do mesmo mês de 2025, segundo números da Secretaria de Comércio Exterior.
Dados separam dois períodos
A taxa de 30,7% considera apenas os cinco meses em que o acordo estava em aplicação provisória. Já a alta de 20% usa todo o intervalo de janeiro a setembro. As duas medidas são compatíveis porque partem de bases diferentes e não devem ser apresentadas como resultados contraditórios.
O avanço também ocorre em meio à busca brasileira por diversificar destinos diante do aumento de barreiras em outros mercados. Para as empresas, a abertura europeia amplia possibilidades de venda, mas exige cumprimento de regras sanitárias, ambientais, técnicas e de origem previstas no tratado.
Os efeitos de longo prazo ainda dependerão do ritmo de redução tarifária, da adaptação dos exportadores e do comportamento da economia europeia. Também será necessário acompanhar as importações para medir se o ganho ocorre apenas nas vendas brasileiras ou se há expansão equilibrada do comércio bilateral.
Até setembro, o indicador mais concreto é o crescimento das exportações após maio, com US$ 44,17 bilhões vendidos no acumulado do ano. Os próximos balanços da Secretaria de Comércio Exterior permitirão verificar se o aumento se mantém no último trimestre e quais setores concentraram a expansão.
Em resumo
As vendas aumentaram 30,7% entre maio e setembro de 2026, diante do mesmo período de 2025.
A aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia começou em 1º de maio de 2026.
As exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 44,17 bilhões de janeiro a setembro.
O primeiro compara apenas maio a setembro; o segundo considera todos os nove primeiros meses do ano.
Não. O tratado reduziu barreiras, mas câmbio, preços, demanda e volume produzido também influenciam as exportações.