Economia · 2026-11-03 · Redação Notícia ES

Exportadoras e defensivas resistem à turbulência; papéis de maior risco lideram queda

Com piora do cenário fiscal e aumento da aversão ao risco após a eleição, investidores migraram para exportadoras, ações de dividendos e nomes defensivos, enquanto papéis mais sensíveis à economia doméstica lideraram as perdas

Exportadoras e defensivas resistem à turbulência; papéis de maior risco lideram queda
Exportadoras e defensivas resistem à turbulência; papéis de maior risco lideram queda

A forte correção da Bolsa brasileira após o segundo turno das eleições provocou uma rápida mudança de posicionamento dos investidores em outubro, favorecendo empresas exportadoras, pagadoras de dividendos e companhias consideradas mais defensivas, enquanto ações ligadas ao ciclo doméstico e com maior risco ficaram entre as maiores vítimas da aversão ao risco.

Dados e contexto do setor

É o que mostra relatório do Itaú BBA, que acompanha 17 cestas temáticas do mercado brasileiro.

Segundo o banco, as cestas de alto dividend yield, exportadoras e beneficiárias do agronegócio apresentaram o melhor desempenho relativo em outubro, superando o Ibovespa, que recuou 9,9% no período.

A carteira de ações com elevado pagamento de dividendos caiu 2,6%, enquanto as carteiras de exportadoras e ligadas ao agronegócio recuaram 3,2% e 3%, respectivamente.

Impactos e informações adicionais

Na outra ponta, as maiores perdas ficaram com as carteiras de high beta, composta por ações mais sensíveis ao apetite por risco, e de papéis mais vendidos a descoberto, que tombaram 30,6% e 21,4%, respectivamente.

Segundo os estrategistas, o movimento reflete uma migração dos investidores para setores mais defensivos diante da deterioração das perspectivas fiscais e macroeconômicas.

No ​final do ​mês passado, a Copley Fund Research informou que os fundos globais de ações de ⁠mercados emergentes que acompanha entraram ​em outubro com um investimento recorde de US$42,4 bilhões no Brasil

O relatório reforça uma tendência já observada em outras análises do mercado após a eleição: a busca por empresas ligadas ao dólar e menos dependentes da atividade doméstica.

Entre os destaques da cesta de exportadoras estão Petrobras ( PETR4 ), Vale ( VALE3 ), WEG ( WEGE3 ), Embraer ( EMBJ3 ), Suzano ( SUZB3 ), PRIO ( PRIO3 ), Gerdau ( GGBR4 ), JBS ( JBSS32 ) e Klabin ( KLBN11 ).

O Itaú BBA observa que as exportadoras têm se beneficiado historicamente de períodos de alta dos juros reais, já que parte relevante de suas receitas é dolarizada.

Desde 2020, a cesta acumula ganho de cerca de 81%, desempenho superior ao do Ibovespa, além de apresentar menor sensibilidade às oscilações das taxas reais de juros.

Outro grupo que chamou atenção dos estrategistas foi o de empresas estatais. Apesar da queda de 4,1% em outubro, a cesta de estatais segue como o melhor tema de investimento em 2026, com valorização acumulada de 17,8% no ano.

O grupo reúne nomes como Petrobras ( PETR4 ), Banco do Brasil ( BBAS3 ), BB Seguridade ( BBSE3 ), Caixa Seguridade ( CXSE3 ), Cemig ( CMIG4 ) e Sanepar ( SAPR11 ).

No acumulado desde 2020, a cesta de estatais é também a líder disparada de rentabilidade entre todos os temas monitorados pelo banco, acumulando retorno superior a 230%, seguida pelas carteiras de dividendos e ações de baixo múltiplo de lucro.

Para os estrategistas, o comportamento de outubro reforça que, em momentos de estresse no mercado brasileiro, fatores como geração de caixa, pagamento de dividendos e exposição ao dólar tendem a prevalecer sobre teses ligadas ao crescimento doméstico.

O banco destaca que as cestas de alto dividend yield, exportadoras, ações de baixo P/L e baixa volatilidade são historicamente as que melhor resistem a períodos de elevação dos juros reais.

Em resumo

O que aconteceu?

A forte correção da Bolsa brasileira após o segundo turno das eleições provocou uma rápida mudança de posicionamento dos investidores em outubro, favorecendo empresas exportadoras, pagadoras de dividendos e companhias consideradas mais defensivas, enquanto ações ligadas ao ciclo doméstico e com maior risco ficaram entre as maiores vítimas da aversão ao risco.

Qual é o ponto principal?

Segundo o banco, as cestas de alto dividend yield, exportadoras e beneficiárias do agronegócio apresentaram o melhor desempenho relativo em outubro, superando o Ibovespa, que recuou 9,9% no período.

Quais são os dados mais importantes?

Na outra ponta, as maiores perdas ficaram com as carteiras de high beta, composta por ações mais sensíveis ao apetite por risco, e de papéis mais vendidos a descoberto, que tombaram 30,6% e 21,4%, respectivamente.

Qual é o contexto?

No ​final do ​mês passado, a Copley Fund Research informou que os fundos globais de ações de ⁠mercados emergentes que acompanha entraram ​em outubro com um investimento recorde de US$42,4 bilhões no Brasil

Quais são os próximos desdobramentos?

O relatório reforça uma tendência já observada em outras análises do mercado após a eleição: a busca por empresas ligadas ao dólar e menos dependentes da atividade doméstica.

Fontes