Fachin fecha primeiro ano no STF sob pressão interna
Presidente do Supremo completa um ano no cargo com disputas institucionais para administrar e proposta de código de ética ainda sem conclusão.

Edson Fachin completa nesta terça-feira (29) um ano na presidência do Supremo Tribunal Federal diante de pressões internas sobre a condução do tribunal. Disputas entre ministros, processos sensíveis e a demora do código de ética passaram a ocupar o centro de sua agenda institucional.
Veja apresentou o balanço do primeiro ano e apontou os principais focos de tensão. O STF confirma que Fachin tomou posse em 29 de setembro de 2025 para um mandato de dois anos, tendo Alexandre de Moraes como vice-presidente.
O presidente do Supremo não decide sozinho o mérito dos processos distribuídos aos demais ministros. Cabe a ele, porém, organizar a pauta do plenário, conduzir sessões, administrar a Corte e atuar na coordenação institucional quando divergências deixam de ser apenas jurídicas e passam a afetar o funcionamento do tribunal.
Essa função ganhou visibilidade com o conflito recente entre STF e Tribunal Superior Eleitoral sobre decisões envolvendo a celebração de Nossa Senhora Aparecida. O presidente do TSE, Nunes Marques, pediu a Fachin que o tema seja levado ao plenário físico do Supremo.
Crises chegam à presidência
O pedido de Nunes Marques transformou uma divergência entre decisões individuais em problema de coordenação colegiada. Fachin precisa avaliar o momento e a forma de pautar o assunto, sem antecipar o resultado que será definido pelos votos dos ministros.
Segundo Veja, investigações relacionadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social também chegaram à presidência para análise de encaminhamentos processuais. A presença desses casos no gabinete não significa julgamento de culpa nem definição prévia do mérito.
O desafio é preservar regras de competência, distribuição e transparência em processos com forte repercussão política. Quanto maior a exposição pública, maior a cobrança para que decisões administrativas e judiciais possam ser compreendidas sem depender de disputas pessoais entre integrantes da Corte.
O episódio com o TSE reforça uma tensão recorrente: medidas individuais podem produzir efeitos imediatos, mas questões institucionais amplas tendem a exigir resposta do colegiado. A presidência funciona como ponto de passagem entre a urgência de cada caso e a construção de uma posição comum.
Código ético segue pendente
Em 2 de fevereiro, Fachin anunciou que a elaboração de um código de ética para o STF seria prioridade de sua gestão. Quatro dias depois, a ministra Cármen Lúcia foi designada relatora da proposta, conforme a Portaria 27 de 2026.
O projeto ainda não foi concluído. A discussão ganhou relevância por tratar de parâmetros de conduta, transparência e prevenção de conflitos, mas qualquer texto precisa passar por debate interno antes de produzir regras aplicáveis aos integrantes do tribunal.
A demora mostra a dificuldade de transformar uma prioridade administrativa em consenso entre ministros com autonomia constitucional. Um código aprovado sem adesão interna teria pouco efeito prático; por outro lado, a falta de prazo claro alimenta a percepção de que o tema pode perder força.
O balanço do primeiro ano, portanto, não se resume a quantidade de julgamentos. Ele envolve a capacidade de Fachin de coordenar divergências, dar previsibilidade à pauta e apresentar uma proposta de ética capaz de responder às cobranças sem interferir na independência de cada gabinete.
Fachin entra na segunda metade do mandato com tarefas concretas: encaminhar conflitos institucionais ao colegiado, manter procedimentos claros nos casos sensíveis e concluir o debate sobre conduta. O resultado dessas frentes definirá se sua presidência deixará apenas respostas pontuais ou regras duradouras para o Supremo.
Em resumo
Edson Fachin tomou posse em 29 de setembro de 2025 para um mandato de dois anos.
Nunes Marques pediu que o conflito entre decisões do STF e do TSE sobre celebrações religiosas seja analisado pelo plenário físico.
Ele coordena sessões, pauta julgamentos e administra a Corte, sem decidir sozinho o mérito distribuído a outros ministros.
Fachin anunciou a proposta como prioridade em 2 de fevereiro de 2026.
A ministra Cármen Lúcia foi designada relatora pela Portaria 27, de 6 de fevereiro de 2026.