Justiça · 2026-09-29 · Redação Notícia ES

Fachin fecha primeiro ano no STF sob pressão interna

Presidente do Supremo completa um ano no cargo com disputas institucionais para administrar e proposta de código de ética ainda sem conclusão.

Fachin fecha primeiro ano no STF sob pressão interna
Fachin fecha primeiro ano no STF sob pressão interna

Edson Fachin completa nesta terça-feira (29) um ano na presidência do Supremo Tribunal Federal diante de pressões internas sobre a condução do tribunal. Disputas entre ministros, processos sensíveis e a demora do código de ética passaram a ocupar o centro de sua agenda institucional.

Veja apresentou o balanço do primeiro ano e apontou os principais focos de tensão. O STF confirma que Fachin tomou posse em 29 de setembro de 2025 para um mandato de dois anos, tendo Alexandre de Moraes como vice-presidente.

O presidente do Supremo não decide sozinho o mérito dos processos distribuídos aos demais ministros. Cabe a ele, porém, organizar a pauta do plenário, conduzir sessões, administrar a Corte e atuar na coordenação institucional quando divergências deixam de ser apenas jurídicas e passam a afetar o funcionamento do tribunal.

Essa função ganhou visibilidade com o conflito recente entre STF e Tribunal Superior Eleitoral sobre decisões envolvendo a celebração de Nossa Senhora Aparecida. O presidente do TSE, Nunes Marques, pediu a Fachin que o tema seja levado ao plenário físico do Supremo.

Crises chegam à presidência

O pedido de Nunes Marques transformou uma divergência entre decisões individuais em problema de coordenação colegiada. Fachin precisa avaliar o momento e a forma de pautar o assunto, sem antecipar o resultado que será definido pelos votos dos ministros.

Segundo Veja, investigações relacionadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social também chegaram à presidência para análise de encaminhamentos processuais. A presença desses casos no gabinete não significa julgamento de culpa nem definição prévia do mérito.

O desafio é preservar regras de competência, distribuição e transparência em processos com forte repercussão política. Quanto maior a exposição pública, maior a cobrança para que decisões administrativas e judiciais possam ser compreendidas sem depender de disputas pessoais entre integrantes da Corte.

O episódio com o TSE reforça uma tensão recorrente: medidas individuais podem produzir efeitos imediatos, mas questões institucionais amplas tendem a exigir resposta do colegiado. A presidência funciona como ponto de passagem entre a urgência de cada caso e a construção de uma posição comum.

Código ético segue pendente

Em 2 de fevereiro, Fachin anunciou que a elaboração de um código de ética para o STF seria prioridade de sua gestão. Quatro dias depois, a ministra Cármen Lúcia foi designada relatora da proposta, conforme a Portaria 27 de 2026.

O projeto ainda não foi concluído. A discussão ganhou relevância por tratar de parâmetros de conduta, transparência e prevenção de conflitos, mas qualquer texto precisa passar por debate interno antes de produzir regras aplicáveis aos integrantes do tribunal.

A demora mostra a dificuldade de transformar uma prioridade administrativa em consenso entre ministros com autonomia constitucional. Um código aprovado sem adesão interna teria pouco efeito prático; por outro lado, a falta de prazo claro alimenta a percepção de que o tema pode perder força.

O balanço do primeiro ano, portanto, não se resume a quantidade de julgamentos. Ele envolve a capacidade de Fachin de coordenar divergências, dar previsibilidade à pauta e apresentar uma proposta de ética capaz de responder às cobranças sem interferir na independência de cada gabinete.

Fachin entra na segunda metade do mandato com tarefas concretas: encaminhar conflitos institucionais ao colegiado, manter procedimentos claros nos casos sensíveis e concluir o debate sobre conduta. O resultado dessas frentes definirá se sua presidência deixará apenas respostas pontuais ou regras duradouras para o Supremo.

Em resumo

Quando Fachin assumiu a presidência do STF?

Edson Fachin tomou posse em 29 de setembro de 2025 para um mandato de dois anos.

Qual disputa chegou à presidência do Supremo?

Nunes Marques pediu que o conflito entre decisões do STF e do TSE sobre celebrações religiosas seja analisado pelo plenário físico.

O que cabe ao presidente do STF nesses casos?

Ele coordena sessões, pauta julgamentos e administra a Corte, sem decidir sozinho o mérito distribuído a outros ministros.

Quando o código de ética virou prioridade?

Fachin anunciou a proposta como prioridade em 2 de fevereiro de 2026.

Quem relata a proposta do código de ética?

A ministra Cármen Lúcia foi designada relatora pela Portaria 27, de 6 de fevereiro de 2026.

Fontes