Justiça · 2026-10-05 · Redação Notícia ES

Fachin prepara propostas para modernizar a Justiça

Grupo criado no STF organiza medidas sobre eficiência, governança, tecnologia e carreiras; consolidação deve avançar ao longo de outubro.

Fachin prepara propostas para modernizar a Justiça
Fachin prepara propostas para modernizar a Justiça

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, prepara uma proposta de modernização do sistema de Justiça para apresentar depois do primeiro turno das eleições. A iniciativa busca reunir medidas sobre eficiência, governança, tecnologia, carreiras e acesso aos tribunais, em meio à nova composição política escolhida no domingo (4).

O blog de Valdo Cruz, no g1, informou nesta segunda-feira (5) que Fachin pretende levar o projeto ao debate institucional até o fim de novembro. O trabalho, porém, não começou depois da eleição: o STF criou em agosto, pela Portaria 123/2026, um grupo de estudos que já vinha recebendo contribuições e organizando propostas.

A distinção é importante porque o resultado eleitoral influencia o ambiente político, mas não explica sozinho a iniciativa. O plano antecede a votação e foi apresentado oficialmente como um esforço para aumentar eficiência, transparência, acesso e governança, com prioridade para medidas de baixo ou nenhum impacto fiscal.

Grupo trabalha em seis eixos

O Centro de Estudos Constitucionais do STF dividiu o trabalho em seis frentes. Elas abrangem o próprio Supremo, a Procuradoria-Geral da República e o Superior Tribunal de Justiça; os conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público; celeridade processual; gestão e estrutura; inteligência artificial e plataformas digitais; além das carreiras jurídicas.

A divisão permite tratar separadamente problemas que exigem respostas diferentes. Reduzir prazos de processos, por exemplo, envolve gestão e legislação; integrar plataformas demanda padrões tecnológicos e proteção de dados; já mudanças em carreiras podem depender de leis, regulamentos internos ou negociação com diferentes órgãos.

Segundo o STF, as contribuições foram debatidas por integrantes do sistema de Justiça, pesquisadores e representantes de instituições. A etapa de consolidação não equivale à aprovação das medidas: cada proposta ainda precisa ser encaminhada ao órgão competente e, quando houver alteração legislativa, ao Congresso Nacional.

O uso de inteligência artificial aparece como uma das áreas sensíveis. Ferramentas digitais podem ajudar a classificar processos e reduzir tarefas repetitivas, mas exigem critérios de transparência, supervisão humana, segurança da informação e possibilidade de revisão das decisões apoiadas por sistemas automatizados.

Calendário prevê decisões em outubro

O cronograma divulgado pelo Supremo estabelece 13 de outubro como prazo para a conclusão dos textos dos subgrupos. A consolidação e a revisão geral estão previstas para 26 de outubro, etapa anterior à apresentação pública e ao encaminhamento das medidas.

A agenda ocorre num momento de maior pressão política sobre o Judiciário. A eleição ampliou a presença de parlamentares que defendem mudanças nas regras de funcionamento dos tribunais e maior controle sobre ministros, mas qualquer reforma terá de observar garantias constitucionais e a independência entre os Poderes.

Fachin tem defendido diálogo e escuta como método para construir a modernização. Essa abordagem pode separar ajustes administrativos, que os próprios tribunais conseguem adotar, de alterações legais ou constitucionais, que dependem de maiorias no Congresso e de debate público.

Até a divulgação do texto consolidado, não é possível afirmar quais sugestões serão mantidas nem qual instrumento será usado para cada uma. Os marcos verificáveis são o grupo formalizado em agosto, os seis eixos de trabalho e as reuniões de outubro; a apresentação até o fim de novembro é a etapa política projetada.

O resultado final será medido pela capacidade de transformar diagnósticos em providências executáveis sem reduzir direitos processuais. Eficiência pode encurtar esperas e melhorar serviços, mas precisa caminhar com fundamentação das decisões, acesso às partes e controle sobre tecnologias usadas pelo Estado.

Em resumo

O que Fachin pretende apresentar?

Uma proposta de modernização do sistema de Justiça baseada em estudos já iniciados pelo STF.

O projeto começou depois da eleição?

Não. O grupo de estudos foi criado em agosto de 2026, antes do primeiro turno.

Quais temas estão em análise?

Os eixos incluem tribunais e órgãos de controle, celeridade, gestão, tecnologia e carreiras jurídicas.

Quando os textos serão consolidados?

Os subgrupos têm prazo até 13 de outubro, com revisão geral prevista para 26 de outubro.

As propostas já estão aprovadas?

Não. Elas ainda serão consolidadas e encaminhadas aos órgãos competentes ou ao Congresso.

Fontes