Farmácias compartilham dados contra roubos de canetas
Abrafarma e forças policiais de São Paulo criam cooperação após perdas de quase R$ 70 milhões com medicamentos de alto valor.

Grandes redes de farmácias começaram a compartilhar dados com as polícias Civil e Militar de São Paulo para combater roubos e furtos de canetas emagrecedoras. A cooperação foi anunciada nesta quarta-feira (21), depois de as perdas acumuladas com medicamentos da classe GLP-1 se aproximarem de R$ 70 milhões.
As informações foram divulgadas pelo InfoMoney com base em levantamento da Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias, a Abrafarma. Reportagens do SpaceMoney e da Folha de S.Paulo confirmam a escalada dos ataques e as medidas de segurança adotadas por estabelecimentos após ocorrências violentas.
Segundo a entidade, 58.898 unidades foram subtraídas das redes associadas. O volume inclui medicamentos de alto valor usados no tratamento de diabetes e obesidade. Além do estoque perdido, as empresas acumulam custos com vigilância, monitoramento e mudanças no armazenamento dos produtos.
Dados orientam ações policiais
A parceria reúne o Centro de Operações da Polícia Militar, o Departamento Estadual de Investigações Criminais e sete grandes redes. O plano é cruzar horários, endereços, características dos ataques e rotas de fuga para identificar padrões e direcionar patrulhamento e investigação.
Em 2025, as associadas relataram média de 11 ocorrências por dia no estado. A cidade de São Paulo concentrou sete casos diários, equivalentes a 64% do total. Outros 21% ocorreram em oito municípios, entre eles Campinas, Guarulhos, Osasco, Santos e Sorocaba.
Os dados oficiais indicam que o número total de ataques a drogarias não cresce na mesma velocidade do prejuízo. Entre janeiro e maio de 2026, a capital registrou 162 roubos e furtos em farmácias, ante 166 no mesmo período de 2025. A diferença está no foco sobre produtos pequenos, caros e fáceis de transportar.
Desvio amplia risco sanitário
A ação policial também procura interromper a receptação. Canetas retiradas dos canais regulares podem ser revendidas sem nota, procedência ou controle de temperatura. Como algumas apresentações exigem refrigeração, qualquer falha no transporte pode comprometer o medicamento e colocar o comprador em risco.
O problema já levou redes a manter os produtos fora da área de vendas, usar rastreamento e reforçar a vigilância. A Folha registrou casos de violência em assaltos motivados por canetas emagrecedoras, enquanto a Polícia Federal e a Receita ampliaram operações contra a comercialização irregular desse tipo de medicamento.
A cooperação não substitui o registro de ocorrência nem autoriza vigilância privada a agir como polícia. Seu efeito esperado é melhorar a qualidade das informações entregues às autoridades e reduzir o tempo de resposta. Para os consumidores, a orientação é comprar apenas em estabelecimentos autorizados, exigir nota fiscal e desconfiar de ofertas sem garantia de origem e conservação.
Em resumo
As redes acumulam perdas próximas de R$ 70 milhões com roubos e furtos de medicamentos GLP-1.
O levantamento da Abrafarma registra 58.898 unidades de medicamentos.
A Abrafarma, sete redes, o Centro de Operações da Polícia Militar e o Deic.
A cidade de São Paulo concentrou 64% dos casos relatados pelas redes em 2025.
Medicamentos desviados podem perder rastreabilidade e conservação, além de financiar a receptação.