Tecnologia · 2026-11-08 · Redação Notícia ES

Fãs da cultura pop lideraram campanha online a favor de Lula, diz estudo

Levantamento mostra como organização dos fandoms se uniu a gamers e usou de IA generativa a multiverso digital para mudar resultado histórico da corrida presidencial no segundo turno

Fãs da cultura pop lideraram campanha online a favor de Lula, diz estudo
Fãs da cultura pop lideraram campanha online a favor de Lula, diz estudo

Fãs de música pop e d e ficção científica , gamers e adeptos da cultura nerd lideraram a mobilização online pela reeleição do presidente Lula (PT) no segundo turno, de acordo com um estudo divulgado na última semana pelo CULTPOP , laboratório de pesquisa em Cultura Pop, Comunicação e Tecnologias da UFF (Universidade Federal Fluminense).

Os números do levantamento

Pesquisadores de mais de dez universidades brasileiras públicas e privadas passaram de 6 a 8 horas diárias analisando Instagram, TikTok, X e Threads entre 3 e 20 de outubro, além de terem feito duas pesquisas presenciais em São Paulo, entre o primeiro e o segundo turnos.

Eles observaram que as eleições deste ano geraram um volume inédito de conteúdos criados de forma orgânica por diferentes nichos articulados com prazos e missões específicas para difundir mensagens e informações de apoio à candidatura de Lula.

Um dos modelos mais populares foi o uso da IA (inteligência artificial) generativa para criar “novelas de frutas” e deep fakes do presidente Lula com chapéu e terno em diferentes memes e contextos da cultura pop.

Impactos e informações adicionais

O petista “virou” Madonna, Beyoncé, Lady Gaga e Anitta , foi inserido no elenco de realities, como A Fazenda e BBB (Big Brother Brasil), protagonizou cenas da novela Avenida Brasil e passou por mais uma infinidade de situações que viralizavam diariamente em todas as redes sociais.

“Muito da população pop digital é queer. Traços como o dark woke são nativos desse público” , explica Beatriz Blanco, professora e pesquisadora do laboratório CULTPOP, acrescentando que esse movimento foi capitaneado por mulheres e pela comunidade LGBTQIA+, que costumam criar uma relação de identidade com artistas que admiram.

A pesquisadora aponta também que, ao assinar as leis de combate ao cambismo digital e facilitação do acesso à meia-entrada em shows , Lula fez um aceno inédito a esses grupos de fãs.

“Sempre teve meme em eleição, mas dessa vez houve uma aproximação maior do governo.

Esse também foi o diferencial dele em relação aos outros candidatos” , diz, explicando que nomes como Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão), apesar de fortes no ambiente digital, não conseguiram alcançar esses nichos por não dominarem a linguagem usada por eles.

“É um tipo de diálogo digital que os grupos de extrema-direita não acessam porque não sabem falar com esse público.”

Uma das principais páginas a liderar o movimento de fãs no ambiente digital foi a “Fandoms com Lula” , criada em 3 de outubro e atualmente com mais de 100 mil seguidores entre diferentes plataformas.

Por trás dela, existe um grupo heterogêneo formado por administradores de páginas dedicadas a diferentes artistas do k-pop ( Blackpink, TWICE, NCT ), do pop norte-americano ( Ariana Grande, Demi Lovato, Mariah Carey, Britney Spears, entre outros ), da música brasileira ( Anitta e Anavitória ), ídolos da Fórmula 1 ( Lewis Hamilton ), do futebol (Jude Bellingham ), modelos (Bella Hadid ) e de super-heróis ( Marvel ).

“Nós entendíamos que existia um algoritmo favorecendo o outro lado. A partir disso, começamos a traçar estratégias para furar a bolha e alcançar as abstenções e indecisões” , explica Thaís Borges, assistente social carioca, de 27 anos, que administra uma página dedicada ao grupo de k-pop Mamamoo.

Ela é uma das fundadoras e administradoras do Fandoms com Lula. “Eram estratégias para compartilhar os feitos e propostas da campanha, não para atacar o outro lado.”

Entre o primeiro e o segundo turnos, um grupo de observadores independentes da ONU (Organização das Nações Unidas) questionou a atuação da Meta durante as eleições brasileiras e cobrou uma investigação interna sobre o possível favorecimento desproporcional a um dos lados da disputa .

Na mesma semana, o próprio Comitê de Supervisão da Meta, um conselho independente da empresa, apontou que houve “falhas recorrentes” na moderação do conteúdo eleitoral no Brasil. Em nota, a empresa negou que tivesse interferido nas eleições e alegou “problemas técnicos”.

“Entramos nos 45 minutos do segundo tempo porque a comunicação do governo pecou muito” , conta Lucas Boleno, biólogo recifense de 24 anos, que também administra um perfil de fãs da cantora Adéla paralelamente ao Fandoms com Lula.

“A gente sabe como o algoritmo funciona, sabe como subir hashtag no X... Nós temos costume de organizar mutirão para votação em premiação, então o que aprendemos a fazer é manter o foco no que importa.”

A mobilização eventualmente saiu do ambiente online e se espalhou pelos atos de apoio a Lula Brasil afora, onde era possível ver “cabeções” de divas pop como Taylor Swift e Beyoncé dividindo espaço com bandeiras do PT (Partido dos Trabalhadores), balões da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e cartazes contra Flávio Bolsonaro.

Beatriz aponta que essa “linguagem das mobilizações” na cultura digital acaba gerando resultados práticos quando bem organizada. “Isso tem o potencial de furar bolhas.”

Nem só de pop se fez a mobilização online em torno da reeleição do presidente. Ainda que em menor escala, gamers e fãs de sci-fi também desempenharam um papel importante em levar a campanha do petista a outros nichos que nem Madonna ou o deputado federal André Janones (Rede), que comandou os mais de 10 milhões de seguidores no canal “Exército do Lula” , alcançam.

“As divas pop e cantoras de k-pop formam um público muito puxado pela própria identidade. Já entre os fãs de sci-fi e gamers, o relacionamento é mais baseado no tipo de obras que consomem” , aponta Beatriz.

“É hipocrisia ser fã de [The Legend of Zelda, um dos videogames mais jogados no mundo] e apoiar um candidato que defende o contrário.”

Em resumo

O que aconteceu?

Fãs de música pop e d e ficção científica , gamers e adeptos da cultura nerd lideraram a mobilização online pela reeleição do presidente Lula (PT) no segundo turno, de acordo com um estudo divulgado na última semana pelo CULTPOP , laboratório de pesquisa em Cultura Pop, Comunicação e Tecnologias da UFF (Universidade Federal Fluminense).

Qual é o ponto principal?

Pesquisadores de mais de dez universidades brasileiras públicas e privadas passaram de 6 a 8 horas diárias analisando Instagram, TikTok, X e Threads entre 3 e 20 de outubro, além de terem feito duas pesquisas presenciais em São Paulo, entre o primeiro e o segundo turnos.

Quais são os dados mais importantes?

Eles observaram que as eleições deste ano geraram um volume inédito de conteúdos criados de forma orgânica por diferentes nichos articulados com prazos e missões específicas para difundir mensagens e informações de apoio à candidatura de Lula.

Qual é o contexto?

Um dos modelos mais populares foi o uso da IA (inteligência artificial) generativa para criar “novelas de frutas” e deep fakes do presidente Lula com chapéu e terno em diferentes memes e contextos da cultura pop.

Quais são os próximos desdobramentos?

“Muito da população pop digital é queer. Traços como o dark woke são nativos desse público” , explica Beatriz Blanco, professora e pesquisadora do laboratório CULTPOP, acrescentando que esse movimento foi capitaneado por mulheres e pela comunidade LGBTQIA+, que costumam criar uma relação de identidade com artistas que admiram.

Fontes