Política ES · 2026-10-13 · Redação Notícia ES

Ferraço promete valorização docente e mais polícia no Espírito Santo

Candidato à reeleição defendeu reajuste para professores, mais tempo de planejamento e reforço policial nos primeiros 100 dias de um eventual novo mandato.

Ferraço promete valorização docente e mais polícia no Espírito Santo
Ferraço promete valorização docente e mais polícia no Espírito Santo

O governador Ricardo Ferraço, candidato do MDB à reeleição no Espírito Santo, prometeu nesta terça-feira (13) elevar a remuneração dos professores estaduais e ampliar o tempo reservado ao planejamento pedagógico. Na segurança, disse que pretende reforçar o policiamento e reduzir os indicadores de criminalidade nos primeiros 100 dias de um eventual novo mandato.

A Gazeta publicou as propostas após entrevistar Ferraço no espaço que seria destinado a um debate do segundo turno. Os vídeos divulgados pelo próprio veículo registram as falas sobre remuneração e criminalidade; a Folha de S.Paulo confirma que ele disputa o Palácio Anchieta com Lorenzo Pazolini, vencedor do primeiro turno com 49,65% dos votos válidos, contra 34,06% do emedebista.

O encontro foi convertido em entrevista de 20 minutos porque Pazolini não compareceu. Segundo a cobertura de A Gazeta, o candidato do Republicanos alegou agenda no interior do Estado. A ausência impediu confronto direto entre os planos dos dois concorrentes, por isso as declarações de Ferraço devem ser lidas como compromissos de campanha ainda sujeitos a detalhamento, orçamento e fiscalização.

Na educação, Ferraço afirmou que o desempenho da rede pública estadual não é acompanhado pelo mesmo posicionamento no ranking de salários. Ele citou o Espírito Santo entre as três redes mais bem avaliadas do país e na liderança do Sudeste, mas apontou a remuneração docente na 12ª colocação nacional. Os números foram apresentados pelo candidato durante a entrevista e precisam ser acompanhados da metodologia e do período usados em cada comparação.

Educação concentra promessa salarial

A proposta anunciada reúne duas frentes: reajustar os vencimentos e aumentar o tempo de planejamento dos profissionais. Ferraço não informou, na entrevista reproduzida pelas fontes, qual seria o percentual do aumento, quando a mudança entraria em vigor nem qual impacto teria na folha do Estado. Também não detalhou se a valorização alcançaria ativos e aposentados nas mesmas condições.

Essas lacunas são decisivas para avaliar a viabilidade da promessa. Um reajuste permanente exige previsão orçamentária, respeito aos limites fiscais e definição sobre carreira, piso e progressões. Já a ampliação do planejamento pode exigir reorganização da jornada e contratação de profissionais para preservar a carga de aulas. Sem esses parâmetros, o compromisso funciona como direção política, não como medida pronta para execução.

O candidato também defendeu a expansão das escolas de tempo integral e associou o avanço educacional à valorização dos servidores. A cobrança ao eventual governo deve separar resultados de aprendizagem, remuneração e condições de trabalho: indicadores positivos da rede não eliminam a necessidade de informar quanto será gasto, de onde virá o recurso e qual será o cronograma.

Segurança ganha meta imediata

Ferraço incluiu a redução da criminalidade entre as prioridades dos primeiros 100 dias e prometeu colocar mais policiais nas ruas. A formulação indica reforço do patrulhamento ostensivo, mas não veio acompanhada de número de agentes, calendário de concursos, distribuição territorial ou indicador escolhido para medir o resultado.

Uma meta verificável precisará informar quais crimes serão considerados e qual período servirá de comparação. Homicídios, roubos, furtos e violência contra a mulher têm dinâmicas distintas. Usar apenas um índice agregado pode esconder piora em determinadas regiões, enquanto a divulgação por município e tipo de ocorrência permite cobrar efetividade e evitar propaganda baseada em recortes favoráveis.

O governador citou ainda obras de saúde, atração de investimentos e a situação fiscal do Estado, mas educação e segurança concentraram os compromissos mais objetivos da entrevista. Como Ferraço ocupa o cargo, a campanha também deve explicar o que já está contratado, o que depende de um novo mandato e por que metas agora apresentadas não foram concluídas antes.

A eleição estadual será decidida em 25 de outubro. Até lá, o eleitor capixaba precisa de valores, prazos e indicadores comparáveis dos dois candidatos. Prometer reajuste e mais policiamento define prioridades; converter essas promessas em compromissos fiscalizáveis exige plano financeiro, metas públicas e prestação de contas desde o primeiro dia.

Em resumo

O que Ricardo Ferraço prometeu aos professores?

Ele prometeu elevar a remuneração e ampliar o tempo destinado ao planejamento pedagógico, mas não anunciou percentual nem cronograma.

Qual foi a promessa para a segurança pública?

Ferraço disse que pretende reforçar o policiamento e reduzir a criminalidade nos primeiros 100 dias de um eventual novo mandato.

Por que não houve debate entre os candidatos?

Lorenzo Pazolini não compareceu e alegou agenda no interior do Estado; o espaço foi convertido em entrevista de 20 minutos com Ferraço.

As propostas já têm orçamento definido?

Não. A entrevista não informou custo, fonte de recursos, número de policiais ou calendário de execução.

Quando será o segundo turno no Espírito Santo?

A votação entre Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini está marcada para 25 de outubro de 2026.

Fontes