Filme recria travessia histórica de Amyr Klink
Longa dirigido por Carlos Saldanha leva aos cinemas a jornada solitária de 100 dias entre a Namíbia e a Bahia.

A travessia solitária de Amyr Klink pelo Atlântico Sul chegará aos cinemas brasileiros em 29 de outubro. O filme “100 Dias”, dirigido por Carlos Saldanha, acompanha a viagem a remo iniciada na Namíbia e concluída na Bahia em 1984.
A BBC News Brasil apresentou o longa em entrevista com Klink e destacou a relação entre a aventura, a vida familiar e as transformações tecnológicas desde a expedição. O Festival do Rio, que recebeu a estreia mundial da produção, confirmou Filipe Bragança no papel do navegador.
A viagem levou cem dias e fez de Klink a primeira pessoa a cruzar sozinha, em um barco a remo, o trecho do Atlântico Sul entre a costa africana e o Brasil. O relato foi publicado no livro “Cem Dias entre Céu e Mar”, que serve de base para a adaptação.
Travessia ganha versão cinematográfica
O roteiro de Elena Soarez e Thaís Tavares não se limita às dificuldades enfrentadas no oceano. A narrativa também acompanha as escolhas que antecederam a partida e os conflitos familiares provocados por um plano considerado arriscado e improvável.
Carlos Saldanha precisou transformar uma jornada marcada por silêncio, repetição e isolamento em uma história visual. Conhecido por filmes de animação, o diretor realizou o projeto em ação ao vivo e trabalhou por anos para reunir financiamento, equipe e condições técnicas.
Filipe Bragança pesquisou entrevistas, fotografias e registros do navegador, além de conversar diretamente com Klink. O ator afirmou que não buscou fazer uma imitação, mas incorporar gestos, ritmo de fala e características úteis à construção do personagem.
A produção reconstruiu o pequeno barco e recorreu a efeitos visuais para representar o mar, o clima e os animais encontrados no trajeto. Klink deu liberdade à equipe para adaptar sua história e avaliou que o filme preserva a emoção e o espírito de planejamento presentes no livro.
Legado familiar mantém autonomia
Ao revisitar a expedição, Klink chama atenção para o trabalho realizado antes da partida. A construção da embarcação, a logística internacional e os obstáculos burocráticos foram tão decisivos quanto a resistência física necessária para remar durante cem dias.
O navegador também relaciona essa experiência à trajetória da filha Tamara Klink, que seguiu carreira no mar. Ele relata ter evitado oferecer facilidades materiais e informações em excesso para que ela desenvolvesse projetos próprios e formasse uma identidade independente.
Quatro décadas depois, as condições de navegação também mudaram. Klink observa que temperatura da água, formação de cracas no casco e fenômenos climáticos hoje são acompanhados com recursos inexistentes na época, embora planejamento e tomada de decisão continuem centrais.
O filme aproxima uma nova geração de uma aventura conhecida principalmente pelo livro. Ao alternar o isolamento no oceano com memórias e relações familiares, a produção apresenta a travessia como feito esportivo, experiência de autoconhecimento e resultado de preparação técnica.
“100 Dias” tem estreia nacional prevista para 29 de outubro. Além de Filipe Bragança, o elenco reúne Philippine Leroy-Beaulieu, Felipe Camargo, Gero Camilo e João Vitor Silva, em personagens ligados à família e à preparação da viagem.
Em resumo
A estreia nos cinemas brasileiros está prevista para 29 de outubro de 2026.
Filipe Bragança interpreta o navegador na adaptação dirigida por Carlos Saldanha.
O longa recria a travessia solitária a remo entre a Namíbia e a Bahia realizada em 1984.
A produção se baseia em “Cem Dias entre Céu e Mar”, relato escrito por Amyr Klink.
O filme é dirigido pelo cineasta brasileiro Carlos Saldanha.