Economia · 2026-10-15 · Redação Notícia ES

Fim da escala 6x1: empresas do ES preveem aumento de custo e falta de mão de obra

Entidades empresariais questionam caráter eleitoreiro da votação e alertam para dificuldade de encontrar novos profissionais no mercado

Fim da escala 6x1: empresas do ES preveem aumento de custo e falta de mão de obra
Fim da escala 6x1: empresas do ES preveem aumento de custo e falta de mão de obra

A dificuldade para contratar trabalhadores e o aumento dos custos operacionais estão entre as principais preocupações de representantes do setor produtivo do Espírito Santo com o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, aprovada pelo Senado na noite de quarta-feira (14).

Entidades empresariais avaliam que a aprovação da Proposta

Entidades empresariais avaliam que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pode agravar a escassez de mão de obra no Estado, pressionar os preços e afetar a competitividade das empresas.

Já o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Montagem (Sintraconst-ES ) considera que a nova jornada pode trazer benefícios à categoria, que já trabalha na escala 5x2.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) aponta que a dificuldade de encontrar profissionais é um obstáculo adicional para os empresários, principalmente os pequenos e médios varejistas.

Em entrevista para A Gazeta , o diretor

Em entrevista para A Gazeta , o diretor de Relações Institucionais da entidade, Marcus Magalhães, afirma que a necessidade de ampliar equipes para manter o funcionamento dos estabelecimentos pode agravar o problema.

Como é que você pode fazer uma legislação que lhe obrigue, se quiser continuar trabalhando da maneira que trabalhava, a contratar mais gente, se você não tem nem gente querendo trabalhar nos moldes até então existentes?

Marcus Magalhães diretor de Relações Institucionais da Fecomércio-ES

Para Magalhães, a combinação entre a mudança trabalhista, a reforma tributária e as perspectivas de crescimento econômico para 2027 tornam o próximo ano desafiador para as empresas.

O dirigente também prevê que parte dos custos adicionais seja repassada aos consumidores, com possíveis reflexos sobre a inflação.

A Fecomércio-ES defende que as mudanças na jornada considerem as particularidades de cada atividade econômica e sejam acompanhadas de mecanismos que permitam uma adaptação equilibrada.

A entidade também critica o momento da votação, realizada próximo ao segundo turno das eleições presidenciais, e avalia que a discussão não teve o aprofundamento necessário diante dos impactos sobre as relações de trabalho e a economia.

A Gazeta procurou o Sindicato dos Comerciários do Espírito Santo (Sindicomerciários-ES), mas não houve retorno até a publicação deste texto. Em caso de resposta, a reportagem será atualizada.

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) também manifesta preocupação com os efeitos da redução da jornada.

Segundo estimativa de estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) , a mudança pode elevar os custos anuais com mão de obra formal das empresas capixabas em R$ 3 bilhões a R$ 4,5 bilhões, o equivalente a um aumento de 4,6% a 6,9% em relação aos gastos atuais com funcionários.

Os valores variam conforme a estratégia adotada pelas empresas para se adequar às novas regras, como o pagamento de horas extras ou a contratação de novos profissionais.

Em nota, a Findes afirma que a redução da jornada com manutenção dos salários aumenta o custo da hora trabalhada e pode exigir reorganização das escalas, ampliação do pagamento de horas extras ou novas contratações para manter os níveis de produção.

A entidade também alerta para possíveis consequências sobre investimentos, preços, produtividade e geração de empregos formais. Para a Findes, os impactos podem ser mais expressivos em micro e pequenas empresas , que têm menor capacidade de absorver despesas adicionais.

Em resumo

O que aconteceu?

A dificuldade para contratar trabalhadores e o aumento dos custos operacionais estão entre as principais preocupações de representantes do setor produtivo do Espírito Santo com o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, aprovada pelo Senado na noite de quarta-feira (14).

Qual é o ponto principal?

Entidades empresariais avaliam que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pode agravar a escassez de mão de obra no Estado, pressionar os preços e afetar a competitividade das empresas. Já o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Montagem (Sintraconst-ES ) considera que a nova jornada pode trazer benefícios à categoria, qu

Quais são os dados mais importantes?

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) aponta que a dificuldade de encontrar profissionais é um obstáculo adicional para os empresários, principalmente os pequenos e médios varejistas.

Qual é o contexto?

Em entrevista para A Gazeta , o diretor de Relações Institucionais da entidade, Marcus Magalhães, afirma que a necessidade de ampliar equipes para manter o funcionamento dos estabelecimentos pode agravar o problema.

Quais são os próximos desdobramentos?

Como é que você pode fazer uma legislação que lhe obrigue, se quiser continuar trabalhando da maneira que trabalhava, a contratar mais gente, se você não tem nem gente querendo trabalhar nos moldes até então existentes?

Fontes