Economia · 2026-10-06 · Redação Notícia ES

Fim da escala 6x1 vai prejudicar a economia? Exemplos de países europeus e do próprio Brasil indicam que não - BBC News Brasil

Experiências no exterior apontam um crescimento "relativamente robusto" do PIB em países que reduziram jornada de trabalho.

Fim da escala 6x1 vai prejudicar a economia? Exemplos de países europeus e do próprio Brasil indicam que não - BBC News Brasil
Fim da escala 6x1 vai prejudicar a economia? Exemplos de países europeus e do próprio Brasil indicam que não - BBC News Brasil

A última vez que a jornada de trabalho foi reduzida no Brasil foi em 1988, na promulgação da Constituição Federal , quando o limite passou de 48 para as atuais 44 horas semanais, com teto de 8 horas diárias.

Desde então, até 2025, a produtividade do trabalho avançou

Desde então, até 2025, a produtividade do trabalho avançou 34,2% no país, segundo dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, vinculado ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre).

Isso significa que, ao longo de quase quatro décadas, o brasileiro produziu mais e melhor com menos tempo de trabalho, em especial na primeira década dos anos 2000, que registrou forte expansão econômica, educacional e tecnológica, simultaneamente.

Entre 2000 e 2025, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) brasileiro saiu de US$ 596 bilhões para US$ 2,27 trilhões. Em 1988, havia sido de US$ 320 bilhões.

Com a tramitação da Proposta de Emenda à

Com a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 no Senado , o Brasil discute mais uma vez a jornada de trabalho — agora para 40 horas semanais, com garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, sem corte de salário.

É o fim da escala 6x1 (seis dias trabalhados, para um de folga) , adotada por 14,8 milhões de trabalhadores no país, que representam pouco mais de um terço da mão de obra formal, segundo o Ministério do Trabalho.

A proposta, que se transformou um dos pêndulos da política brasileira do ano passado para cá, foi aprovada na Câmara dos Deputados, em maio, com ampla maioria (472 votos contra 22 em primeiro turno), mas travou na tramitação no Senado por ação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), à época em conflito com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Alcolumbre havia anunciado na semana passada que a votação da proposta acontecerá nesta terça-feira (6/10) .

A matéria foi aprovada em setembro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora precisará passar por cinco sessões de debates no Plenário antes de ser votada em primeiro turno.

Se for aprovada, segue para o segundo turno, com outras três sessões de discussão. No entanto, os prazos podem ser reduzidos se os senadores aprovarem um calendário especial.

Com a eleição já decidida — ao menos para senadores e deputados — os senadores em atual mandato poderão derrubar o projeto sem o temor de encarar a reação negativa das urnas.

Em um mercado com 103 milhões de pessoas ocupadas, isso significa que menos de 15% estão na escala 6x1, diz a socióloga Adriana Marcolino, diretora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

"Ou seja, é um número reduzido de empresas que opera nesta modalidade, elas podem se adequar a um modelo que proporcione mais tempo de descanso e maior qualidade de vida às pessoas", afirma Marcolino.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), no entanto, afirma que a redução da jornada deve gerar uma retração de 0,7% do PIB, equivalente a uma perda de R$ 76,9 bilhões.

O cálculo leva em conta o aumento dos custos com empregos formais, que será repassado aos preços — mesmo argumento defendido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Experiências no exterior, porém, apontam no sentido contrário. França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia registraram um crescimento "relativamente robusto" do PIB entre 1995 e 2007, após redução da jornada de trabalho nos respectivos países, segundo artigo publicado em 2022 na revista científica alemã "World of Labour", do Instituto de Economia do Trabalho (IZA).

Em resumo

O que aconteceu?

A última vez que a jornada de trabalho foi reduzida no Brasil foi em 1988, na promulgação da Constituição Federal , quando o limite passou de 48 para as atuais 44 horas semanais, com teto de 8 horas diárias.

Qual é o ponto principal?

Desde então, até 2025, a produtividade do trabalho avançou 34,2% no país, segundo dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, vinculado ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre).

Quais são os dados mais importantes?

Isso significa que, ao longo de quase quatro décadas, o brasileiro produziu mais e melhor com menos tempo de trabalho, em especial na primeira década dos anos 2000, que registrou forte expansão econômica, educacional e tecnológica, simultaneamente.

Qual é o contexto?

Entre 2000 e 2025, o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) brasileiro saiu de US$ 596 bilhões para US$ 2,27 trilhões. Em 1988, havia sido de US$ 320 bilhões.

Quais são os próximos desdobramentos?

Com a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 no Senado , o Brasil discute mais uma vez a jornada de trabalho — agora para 40 horas semanais, com garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, sem corte de salário.

Fontes