Finep oferece R$ 203,8 milhões para inovação em mobilidade sustentável
Empresas brasileiras têm até sexta-feira para apresentar projetos com instituições científicas nas áreas aérea, aquaviária, ferroviária e de micromobilidade.

A Financiadora de Estudos e Projetos prorrogou até sexta-feira, 25 de setembro, o prazo para empresas brasileiras apresentarem propostas à chamada de mobilidade sustentável, que oferece R$ 203,8 milhões em subvenção econômica. Os projetos devem ser desenvolvidos em parceria técnico-científica com pelo menos uma instituição de ciência, tecnologia e inovação.
O recurso é não reembolsável, mas não funciona como repasse sem obrigação. As empresas selecionadas precisam cumprir plano de trabalho, metas, contrapartidas e prestação de contas. A chamada busca iniciativas de alto risco tecnológico, faixa em que crédito convencional costuma ser insuficiente porque o resultado técnico ainda não está garantido.
Trinta por cento do orçamento foi reservado a propostas cujas atividades principais ocorram nas regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste. A regra pretende desconcentrar investimentos e aproximar empresas de centros de pesquisa fora do eixo que historicamente reúne a maior parte da infraestrutura industrial e científica.
Aviação concentra a maior parcela
A linha de mobilidade aérea receberá R$ 132,8 milhões. Ela admite projetos de aeronaves mais leves, descarbonização, combustíveis sustentáveis de aviação, voo autônomo, vertiportos e sistemas de mobilidade aérea avançada. O volume corresponde à maior fatia da chamada e reflete o custo elevado de pesquisa, certificação e testes no setor.
Para mobilidade aquaviária, foram destinados R$ 37,7 milhões. O foco inclui transporte de passageiros e cargas com menor emissão, propulsão elétrica ou híbrida e aplicações além do lazer. A inovação pode envolver embarcações, armazenamento de energia, controle, segurança e infraestrutura compatível com novas formas de propulsão.
As linhas metroferroviária e de micromobilidade dividem R$ 33,3 milhões. Ferrovias podem propor digitalização, controle, segurança de vias e tração limpa. Na micromobilidade, entram bicicletas e triciclos de baixa emissão para passageiros ou carga, sistemas compartilhados e melhorias de infraestrutura urbana, excluídos projetos voltados apenas ao lazer.
Parceria com ICT é obrigatória
A presença de universidade, instituto ou outra ICT busca ligar conhecimento científico à aplicação comercial. A empresa continua responsável por transformar o resultado em produto, serviço ou processo, enquanto a instituição pode contribuir com laboratório, pesquisadores, método e validação. O acordo entre as partes deve definir propriedade intelectual e responsabilidades.
O diretor de Inovação da Finep, Elias Ramos, afirmou que a prorrogação pretende dar mais tempo para empresas e ICTs consolidarem propostas. Como o edital exige alinhamento a uma das quatro linhas, projetos genéricos ou sem demonstração de risco tecnológico tendem a perder competitividade na avaliação.
Subvenção econômica é uma ferramenta de política industrial. O poder público assume parte do risco para estimular pesquisa que pode gerar produtividade, exportações e redução de emissões. A seleção, porém, deve observar mérito técnico, capacidade de execução e benefício esperado, evitando que recurso escasso financie solução já disponível no mercado sem inovação relevante.
Resultado dependerá da avaliação técnica
Depois do encerramento, a Finep analisará enquadramento, documentação e conteúdo dos projetos. A aprovação não é automática nem segue apenas a ordem de envio. Proponentes devem consultar o edital e eventuais retificações para conferir despesas elegíveis, contrapartida, cronograma e forma correta de submissão.
O próximo marco é o fechamento do sistema na sexta-feira. Em seguida virão avaliação, divulgação dos selecionados e contratação. Empresas interessadas precisam usar exclusivamente os canais oficiais da Finep; intermediários não podem prometer aprovação. O valor de R$ 203,8 milhões representa o teto da chamada, não uma garantia de execução integral sem propostas aptas.
O desenho da chamada permite que uma mesma política alcance cadeias industriais bastante diferentes. Combustível sustentável de aviação demanda pesquisa química e certificação; propulsão elétrica aquaviária envolve baterias, motores e infraestrutura portuária; ferrovias dependem de sinalização e controle; micromobilidade exige integração urbana. A comparação entre propostas, portanto, precisa considerar maturidade tecnológica e impacto de cada linha, e não apenas o valor pedido. Projetos aprovados ainda enfrentarão etapas regulatórias antes de chegar ao usuário, especialmente nos setores aéreo e ferroviário, nos quais segurança operacional exige ensaios e autorização específica. O resultado da seleção indicará quais soluções avançarão para a etapa de contratação e qual parcela dos recursos será destinada a cada segmento.
Em resumo
R$ 203,8 milhões em subvenção econômica, recurso não reembolsável sujeito às regras do edital.
Até sexta-feira, 25 de setembro de 2026, após prorrogação anunciada pela Finep.
Empresas brasileiras em parceria técnico-científica com ao menos uma instituição de ciência, tecnologia e inovação.
Mobilidade aérea, aquaviária, metroferroviária e micromobilidade.
Sim. Trinta por cento do total é reservado a projetos com atividades principais no Norte, Nordeste ou Centro-Oeste.
A chamada prevê subvenção econômica não reembolsável, mas os beneficiários devem cumprir metas, contrapartidas e prestação de contas.