Flamengo prevê impacto milionário com veto às bets
Presidente do clube relacionou a perda de patrocínio ao pagamento de contratos e admitiu revisão de despesas no futebol e em modalidades olímpicas.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, afirmou nesta segunda-feira (28) que a proibição das casas de apostas ameaça compromissos financeiros assumidos pelo clube. Durante participação no MengoCast, o dirigente citou o pagamento da contratação de Lucas Paquetá como exemplo da pressão sobre o caixa.
A CNN Brasil registrou a declaração e o UOL detalhou os contratos envolvidos. Segundo os dois veículos, o Flamengo recebe R$ 250 milhões fixos por ano da Betano em um acordo de 40 meses, com valor anual que pode chegar a R$ 268 milhões quando as metas são incluídas.
Baptista questionou como o clube pagará Paquetá em janeiro caso a principal receita de patrocínio seja interrompida. O meio-campista foi contratado do West Ham por 42 milhões de euros, cerca de R$ 263 milhões na cotação divulgada, com parcelas programadas até janeiro de 2028.
A fala não significa que o salário ou as parcelas já estejam em atraso. O dirigente usou o contrato para demonstrar que decisões de longo prazo foram tomadas com base em receitas futuras que estavam previstas em acordos comerciais válidos quando as obrigações foram assumidas.
Patrocínio sustenta receitas futuras
O contrato com a Betano ultrapassa a exposição da marca na camisa principal. O pacote inclui outras propriedades comerciais e apoio a diferentes áreas do clube. Por isso, a perda estimada não se limita à troca de um anunciante na equipe masculina.
Em entrevista anterior à CNN, Baptista projetou impacto imediato entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões nas receitas do Flamengo em 2027. Ele também estimou que o futebol brasileiro poderia perder cerca de R$ 2,5 bilhões com o fim dos patrocínios ligados às apostas.
O presidente afirmou que a redução alcançaria contratações, folha salarial, futebol feminino e esportes olímpicos. O clube também precisaria rever produtos já fabricados, espaços publicitários e contratos de transmissão que dependem, direta ou indiretamente, do investimento das empresas do setor.
A proibição foi estabelecida por medida provisória do governo federal e produz efeitos imediatos, mas ainda depende de análise do Congresso para continuar válida. O texto poderá ser aprovado, modificado ou perder a vigência dentro do prazo constitucional.
Clubes pressionam por transição
O governo sustenta que as apostas provocam endividamento e danos sociais, e afirma que os clubes terão de buscar outras fontes de receita. Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o futebol já existia antes das bets e defendeu adaptação ao novo cenário.
Os clubes argumentam que a mudança foi adotada sem período suficiente de transição. A crítica central não é apenas à proibição, mas à interrupção imediata de contratos usados no planejamento de temporadas, aquisições de atletas e manutenção de outras modalidades.
Baptista disse que o Flamengo não pretende buscar outro patrocinador enquanto a situação jurídica não estiver definida. Na avaliação do dirigente, a entrada simultânea de vários clubes no mercado reduziria os valores oferecidos e dificultaria a substituição dos contratos atuais.
O impacto definitivo dependerá da tramitação no Congresso, de eventuais ações judiciais e das regras para encerramento das operações. Até lá, a declaração sobre Paquetá traduz a preocupação dos clubes: despesas esportivas já contratadas permanecem, enquanto uma de suas maiores fontes de receita pode desaparecer antes do prazo originalmente previsto.
Em resumo
O presidente do clube projetou impacto imediato entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões em 2027.
O acordo prevê R$ 250 milhões fixos por ano e pode alcançar R$ 268 milhões anuais com metas.
O dirigente usou as parcelas da contratação como exemplo de obrigação assumida com base em receitas futuras.
Não. O clube prevê efeitos também no futebol feminino, nos esportes olímpicos e em outras despesas.
Não. A medida provisória produz efeitos imediatos, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso.