Flávio admite mandato de cinco anos e remete decisão ao Congresso
Candidato do PL diz que duração de um mandato único e alcance da regra dependerão do processo legislativo.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) admitiu nesta quinta-feira (8) que um eventual mandato único poderia durar cinco anos, mas afirmou que caberá ao Congresso Nacional definir o prazo e o alcance da mudança. A declaração foi feita após o Podemos formalizar apoio à candidatura no segundo turno.
A Jovem Pan registrou que Flávio vinculou a discussão ao fim da reeleição e disse que pretende usar o capital político de um presidente recém-eleito para tentar aprovar a proposta. A Folha de S.Paulo confirmou a posição e informou que o senador deixou em aberto se a regra valeria apenas para o presidente ou também para governadores e prefeitos.
Flávio é autor de uma proposta de emenda à Constituição sobre mandato único. Na manifestação mais recente, ele sustentou que a própria mudança deve alcançá-lo caso vença a eleição. Também defendeu ampliar a vedação a candidaturas de parentes do chefe do Executivo, tema que integra o debate político provocado pela proposta.
Proposta exige mudança constitucional
A declaração não altera por si só a duração do mandato presidencial. A Constituição estabelece mandato de quatro anos e permite uma recondução consecutiva. Para mudar esse desenho, uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, com apoio de três quintos dos integrantes de cada Casa.
Na Câmara, o mínimo é de 308 votos; no Senado, de 49. O PL saiu das eleições com as maiores bancadas nas duas Casas, mas ainda dependerá de alianças para alcançar essas marcas. O próprio candidato reconheceu essa necessidade ao atribuir ao processo legislativo as decisões sobre prazo e cargos alcançados.
O debate envolve duas escolhas diferentes. Uma delas é extinguir a possibilidade de reeleição consecutiva. A outra é decidir se o mandato único continuaria com quatro anos ou seria ampliado para cinco. A eventual extensão não decorre automaticamente do fim da reeleição e precisa aparecer expressamente no texto aprovado pelo Congresso.
Segundo turno amplia debate
A fala ocorre durante a montagem de apoios para o segundo turno presidencial. Flávio recebeu adesões de partidos e lideranças que também terão peso na negociação de uma reforma política. A votação final, porém, depende dos parlamentares eleitos e não pode ser antecipada como compromisso já aprovado.
O candidato afirmou ainda que a regra sobre parentes deveria impedir que familiares até o terceiro grau disputassem o mesmo cargo depois dele. A Constituição já contém restrições de inelegibilidade reflexa para parentes de chefes do Executivo, mas a formulação mencionada por Flávio teria de ser detalhada juridicamente para definir duração, alcance e exceções.
A discussão sobre mandato maior ganhou força porque Flávio rejeita disputar a reeleição e, ao mesmo tempo, não descartou cinco anos no cargo. A posição mais precisa disponível nesta quinta é que ele aceita colocar essa duração em negociação, sem apresentar o resultado como decidido.
Até que uma PEC seja protocolada com redação final e passe pelas comissões e plenários, permanecem válidas as regras atuais. O eleitor escolhe um presidente para quatro anos, com possibilidade de uma reeleição, e qualquer mudança depende de maioria qualificada no Congresso.
Em resumo
Não. Ele admitiu a discussão e afirmou que a duração será definida pelo Congresso.
A posição defendida pelo candidato é de mandato único, sem recondução consecutiva.
São necessários ao menos 308 votos em cada um dos dois turnos.
São necessários ao menos 49 votos em cada um dos dois turnos.
Isso dependeria do texto aprovado e das regras de vigência definidas pelo Congresso.