Flávio avança no mapa eleitoral e Lula preserva Nordeste
Senador venceu em quatro regiões e abriu vantagem nacional de 1,87 ponto; presidente manteve ampla liderança nordestina.

O primeiro turno da eleição presidencial, realizado no domingo (4), deu a Flávio Bolsonaro 47,03% dos votos válidos e a Luiz Inácio Lula da Silva 45,16%. A vantagem nacional de 1,87 ponto percentual levou os dois ao segundo turno marcado para 25 de outubro.
Uma análise publicada pela Folha de S.Paulo detalhou a distribuição territorial dos votos, e o UOL confirmou os percentuais da apuração nacional. Os dados mostram uma disputa apertada no total do país, mas marcada por diferenças amplas entre regiões, estados e municípios.
Lula concentrou sua maior força no Nordeste, onde alcançou 63,8% dos votos válidos, contra 30,9% de Flávio. O candidato do PL, por sua vez, ficou à frente no Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, formando uma maioria territorial mais extensa.
No recorte estadual, Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula liderou em 12 unidades da Federação. Roraima deu ao senador seu maior percentual, 71,06%, e o Piauí registrou o melhor desempenho de Lula, com 70,99%.
Quatro regiões deram vantagem
O Sul foi a região de maior vantagem proporcional para Flávio: 60,1%, ante 31,3% de Lula. No Sudeste, que reúne o maior eleitorado do país, o placar regional ficou em 51,4% para o senador e 39,7% para o presidente.
O mapa das capitais reproduziu parte desse movimento. Flávio foi o mais votado em 16 das 27 capitais, enquanto Lula venceu em 11. São Paulo e Porto Alegre ficaram com o petista mesmo quando os respectivos estados deram maioria ao candidato do PL, um contraste que impede leituras uniformes sobre cada região.
A mudança em relação a 2022 também apareceu no nível municipal. Outro levantamento da Folha, feito com dados da apuração, identificou 714 cidades nas quais Lula havia liderado há quatro anos e que agora deram maioria a Flávio. Minas Gerais reuniu 178 dessas viradas, e o Rio Grande do Sul, 134.
Na comparação dos percentuais estaduais, Flávio superou a votação obtida por Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022 em 26 estados. O Distrito Federal foi a exceção. Lula avançou apenas no Distrito Federal e perdeu participação nas demais unidades, com as maiores quedas registradas em Goiás e Tocantins.
As coberturas jornalísticas enfatizaram dimensões diferentes do mesmo resultado. A Folha priorizou mapas, capitais e deslocamentos municipais; o UOL destacou que a distância de 1,87 ponto foi a menor entre primeiro e segundo colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização. Os números são convergentes e ajudam a separar vantagem nacional de domínio regional.
Nordeste mantém força petista
Apesar do avanço adversário em outras partes do país, o Nordeste continuou como o principal bloco eleitoral de Lula. A diferença regional de quase 33 pontos compensou parte das derrotas no Sul e no Sudeste e manteve o presidente competitivo no placar nacional.
O peso dos estados mais populosos deixa claro como margens locais se transformam em milhões de votos. Flávio abriu aproximadamente 3,4 milhões de votos sobre Lula em São Paulo; na Bahia, o presidente respondeu com vantagem superior a 3,2 milhões. No Amapá, ao contrário, houve virtual equilíbrio: 45,71% para Lula e 45,67% para Flávio.
O segundo turno começa, portanto, com duas tarefas distintas. Flávio precisa conservar a frente construída em quatro regiões e reduzir a desvantagem nordestina. Lula precisa recuperar terreno em estados onde perdeu participação e, ao mesmo tempo, sustentar a mobilização de seus redutos mais fiéis.
O mapa do primeiro turno descreve a posição de partida, não o resultado final. Até 25 de outubro, apoios de candidatos eliminados, participação dos eleitores e eventuais mudanças regionais poderão alterar uma diferença que, no domingo, ficou abaixo de dois pontos percentuais.
Em resumo
Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, uma diferença de 1,87 ponto percentual.
Flávio liderou em quatro regiões: Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Lula obteve sua maior vantagem regional no Nordeste, com 63,8% dos votos válidos.
Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal; Lula liderou em 12 estados.
A nova votação presidencial está marcada para 25 de outubro de 2026.