Flávio Bolsonaro se reúne com ministro de Bukele e coloca endurecimento penal no centro da agenda
Candidato do PL encontrou Gustavo Villatoro em São Paulo, elogiou resultados de El Salvador contra o crime e defendeu expansão de vagas prisionais no Brasil.
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O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reuniu-se neste domingo (30), em São Paulo, com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador. O encontro colocou segurança pública e sistema prisional no centro da agenda do presidenciável e reforçou a aproximação de setores da direita brasileira com a política criminal implementada pelo governo de Nayib Bukele.
Após a reunião, Flávio afirmou que considera a experiência salvadorenha uma referência para o enfrentamento de facções e organizações criminosas. Também defendeu mudanças legislativas e aumento da capacidade do sistema penitenciário brasileiro. Segundo o candidato, seu plano prevê a abertura de cerca de 500 mil vagas em presídios, além de medidas voltadas ao endurecimento das regras contra o crime organizado.
Modelo de El Salvador divide avaliações
El Salvador reduziu fortemente os homicídios nos últimos anos, resultado que transformou Bukele em referência internacional entre políticos que defendem políticas de segurança mais rígidas. Ao mesmo tempo, organizações de direitos humanos questionam o regime de exceção adotado no país, que ampliou prisões sem mandado judicial e suspendeu garantias constitucionais em operações contra gangues.
Villatoro está no Brasil para participar de compromissos relacionados à segurança. A conversa com Flávio também abordou a necessidade de apoio parlamentar para mudanças legislativas, um ponto considerado decisivo pelo governo salvadorenho na implementação de sua política criminal.
Segurança entra na disputa presidencial
A pauta vem ganhando peso na eleição de 2026. Flávio tem apresentado propostas voltadas à ampliação de presídios federais, reforço de instrumentos contra facções e reorganização administrativa da segurança pública. Seus adversários também tratam do tema, mas com diferenças sobre prevenção, inteligência, atuação policial e política penitenciária.
O encontro em São Paulo, portanto, funciona como um sinal político sobre a linha que o candidato pretende adotar. A eficácia e os limites jurídicos de medidas inspiradas em El Salvador deverão continuar no debate eleitoral, especialmente porque o sistema constitucional brasileiro estabelece controles próprios sobre prisões, investigação e garantias individuais.
Fontes consultadas: Valor Econômico, Folha de S.Paulo, Agência Brasil e AFP/UOL.