Flávio contraria discurso do ajuste, mas mercado mantém aposta
Preferência pelo candidato da oposição sobre Lula combina expectativa de mudança na economia e oportunidade de ganhos que pode ter um horizonte curto

Flávio Bolsonaro (PL) tem contrariado o que o mercado financeiro esperaria ouvir de um candidato associado à promessa de ajuste fiscal. Mesmo assim, boa parte dos investidores parece não ter soltado a mão dele.
Contradições provocam dúvidas, mas ainda não derrubaram a aposta
As contradições provocam dúvidas, mas ainda não derrubaram a aposta de que seu eventual governo ofereceria uma chance maior de mudança na política econômica do que uma nova gestão Lula.
Em declarações no fim de semana, Flávio defendeu reajustes do salário mínimo acima da inflação , rejeitou a desvinculação dos benefícios previdenciários em relação ao piso e descartou mudar a Constituição para eliminar os gastos mínimos obrigatórios com saúde e educação .
Também afirmou que não pretende rever o fim da escala 6x1.
Primeiras posições preservam regras que pressionam ou tornam mais
As primeiras posições preservam regras que pressionam ou tornam mais rígido o Orçamento; a última contraria a expectativa de maior flexibilidade nas relações de trabalho.
Nas conversas com agentes do mercado, o que fica claro é que está todo mundo fazendo um cálculo de probabilidades. Uma vitória de Flávio não representa certeza de um ajuste fiscal .
Mas, nesse cenário, existe uma chance maior de mudança do que com Lula. E, claro, essa perspectiva ainda justifica ativos brasileiros mais valorizados .
Uma fonte ouvida sob reserva aponta que não é possível ficar na frente do rali. Na linguagem do mercado, significa que apostar contra esse movimento de alta pode sair caro.
Mais do que um voto de confiança no candidato, há uma oportunidade que esses investidores não querem perder.
Se a perspectiva de troca de governo alimentar uma valorização da bolsa e uma queda dos juros futuros , o movimento pode gerar ganhos bem antes de qualquer decisão sobre gastos públicos.
Isso ajuda a entender por que o otimismo convive com tantas ressalvas. Ao ser questionado sobre a segurança de que Flávio entregaria o ajuste esperado, um dos interlocutores respondeu que não, mas que pelo menos há uma chance.
Na avaliação dessa fonte, Lula não oferece a mesma perspectiva.
A continuidade do rali — que foi pausado nesta segunda-feira (19) — depende agora do efeito das declarações dos candidatos sobre as pesquisas.
E, mais para frente, da confirmação de quem integrará, afinal, a equipe econômica do próximo governo — mais precisamente, de quem será o ministro da Fazenda.
A composição favorável a Flávio no Congresso , claro, dá mais força a essa análise.
Mas ela só será vista como um trunfo se o ministro da Fazenda for, de fato, capaz de atuar como fiador das reformas — e se tiver respaldo do eventual presidente eleito para conduzir o ajuste quando as medidas tiverem custo político.
Comprar essa possibilidade agora, porém, não significa assumir um compromisso com o futuro governo. A posição pode mudar se a escolha da equipe decepcionar, se o programa econômico não convencer ou se as decisões apontarem para mais gastos e menos ajuste.
A preferência atual tem, portanto, um componente que pode ser de curto prazo. O investidor pode querer participar do rali sem estar convencido de que a promessa de mudança sobreviverá ao governo. Se o cenário piorar lá na frente, muda a avaliação — e muda a posição.
Então, é possível dizer que a reação do mercado hoje não é termômetro, mas sim um recado do mercado sobre o impacto potencial da política fiscal que vier a ser adotada.
Flávio tem, por enquanto, o crédito da possibilidade. E, para quem vê uma oportunidade de ganhar com essa expectativa, esperar todas as respostas pode significar chegar depois da alta.
Flávio Bolsonaro (PL) tem contrariado o que o mercado financeiro esperaria ouvir de um candidato associado à promessa de ajuste fiscal. Mesmo assim, boa parte dos investidores parece não ter soltado a mão dele.
As contradições provocam dúvidas, mas ainda não derrubaram a aposta de que seu eventual governo ofereceria uma chance maior de mudança na política econômica do que uma nova gestão Lula.
Em declarações no fim de semana, Flávio defendeu reajustes do salário mínimo acima da inflação , rejeitou a desvinculação dos benefícios previdenciários em relação ao piso e descartou mudar a Constituição para eliminar os gastos mínimos obrigatórios com saúde e educação .
Também afirmou que não pretende rever o fim da escala 6x1. As primeiras posições preservam regras que pressionam ou tornam mais rígido o Orçamento; a última contraria a expectativa de maior flexibilidade nas relações de trabalho.
Em resumo
Flávio Bolsonaro (PL) tem contrariado o que o mercado financeiro esperaria ouvir de um candidato associado à promessa de ajuste fiscal. Mesmo assim, boa parte dos investidores parece não ter soltado a mão dele.
As contradições provocam dúvidas, mas ainda não derrubaram a aposta de que seu eventual governo ofereceria uma chance maior de mudança na política econômica do que uma nova gestão Lula.
Em declarações no fim de semana, Flávio defendeu reajustes do salário mínimo acima da inflação , rejeitou a desvinculação dos benefícios previdenciários em relação ao piso e descartou mudar a Constituição para eliminar os gastos mínimos obrigatórios com saúde e educação . Também afirmou que não pretende rever o fim da escala 6x1.
As primeiras posições preservam regras que pressionam ou tornam mais rígido o Orçamento; a última contraria a expectativa de maior flexibilidade nas relações de trabalho.
Nas conversas com agentes do mercado, o que fica claro é que está todo mundo fazendo um cálculo de probabilidades. Uma vitória de Flávio não representa certeza de um ajuste fiscal . Mas, nesse cenário, existe uma chance maior de mudança do que com Lula. E, claro, essa perspectiva ainda justifica ativos brasileiros mais valorizados .