Flávio e Lula levam projetos distintos ao segundo turno
Programas registrados na Justiça Eleitoral apresentam diferenças sobre economia, segurança pública, políticas sociais e relação entre os Poderes.

Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegam ao segundo turno presidencial de 25 de outubro com programas distintos para a economia, a segurança pública e a atuação do Estado. A nova etapa foi confirmada neste domingo, 4 de outubro, depois que nenhum candidato alcançou maioria absoluta dos votos válidos.
A BBC News Brasil comparou as propostas registradas pelas campanhas, e o Tribunal Superior Eleitoral mantém os documentos oficiais disponíveis para consulta por candidato e por assunto. A plataforma do TSE reúne as informações apresentadas formalmente pelas chapas e permite conferir o texto original de cada compromisso.
Lula defende a continuidade de programas sociais, investimentos públicos em infraestrutura e indústria e ampliação de serviços federais. Flávio propõe redução de ministérios, novo limite para despesas, privatizações e diminuição de impostos como caminho para ampliar o espaço do setor privado.
Economia revela linhas opostas
O programa de Lula associa crescimento à ação coordenada do governo por meio de iniciativas como o Novo PAC, o Minha Casa, Minha Vida e políticas de crédito. Também preserva o arcabouço fiscal, embora o financiamento das promessas permaneça no centro do debate sobre dívida e equilíbrio das contas públicas.
Flávio apresenta uma agenda liberal, com revisão de gastos, redução da estrutura federal e venda de ativos estatais. A campanha sustenta que o controle das despesas e a simplificação tributária podem estimular investimentos; críticos cobram detalhes sobre ritmo, alcance e efeitos dos cortes propostos.
Na área social, Lula enfatiza proteção trabalhista, educação técnica e superior, vacinação e fortalecimento das equipes de saúde. Flávio prioriza escolas cívico-militares, métodos tradicionais de alfabetização, telessaúde e mecanismos privados ou descentralizados para ampliar o atendimento.
Segurança reúne diferenças centrais
Os dois programas reconhecem que facções criminosas operam com redes financeiras, logística interestadual e infiltração em atividades legais. Ambos propõem perseguir patrimônio ilícito, reforçar o controle das fronteiras e usar tecnologia para integrar informações policiais.
As estratégias se separam na execução. Lula prevê uma estrutura federal específica para segurança, cooperação com estados, inteligência e políticas de prevenção. Flávio defende penas mais duras, presídios de segurança máxima, redução da maioridade penal e enquadramento de facções como organizações terroristas.
Também há divergência institucional. Flávio propõe mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal, limites a decisões individuais e anistia relacionada aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O programa de Lula não inclui essas mudanças e defende a manutenção das responsabilizações judiciais.
O segundo turno deverá transformar essas diferenças em tema de debates, entrevistas e propaganda eleitoral. A comparação mais segura parte dos documentos arquivados no TSE, porque promessas anunciadas durante a campanha podem ser modificadas ou ganhar condicionantes até a votação decisiva.
Em resumo
Flávio Bolsonaro, do PL, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
A votação decisiva está marcada para 25 de outubro de 2026.
O TSE disponibiliza as propostas registradas pelas chapas em uma página organizada por candidato e por assunto.
Lula enfatiza investimento e programas públicos; Flávio propõe cortes, privatizações e menor estrutura federal.
Ambos defendem atingir o patrimônio das facções, reforçar fronteiras e ampliar o uso de inteligência e tecnologia.