Flávio abre 5 pontos sobre Lula no ES, mas Quaest aponta empate técnico
Levantamento com 804 eleitores coloca Flávio Bolsonaro em 34% e Lula em 29% no Espírito Santo; margem de erro de três pontos mantém os dois no limite do empate técnico.

O Espírito Santo entrou no mapa das disputas mais apertadas da corrida presidencial de 2026. Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (27) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 34% das intenções de voto no primeiro turno entre os eleitores capixabas, contra 29% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença nominal é de cinco pontos percentuais, mas a margem de erro de três pontos para mais ou para menos faz com que os dois apareçam tecnicamente empatados.
O levantamento ouviu 804 eleitores no Espírito Santo e foi contratado pela TV Gazeta. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número ES-04444/2026. Veículos que repercutiram a rodada informam que as entrevistas foram realizadas entre 23 e 26 de agosto.
Flávio lidera numericamente, mas a margem impede leitura de vantagem consolidada
O resultado coloca Flávio Bolsonaro na dianteira numérica no Estado, com cinco pontos sobre Lula. Em termos estatísticos, porém, o intervalo possível de Flávio vai de 31% a 37%, enquanto o de Lula varia de 26% a 32%. Como esses intervalos se sobrepõem, a interpretação tecnicamente correta é de empate dentro da margem de erro.
Na sequência aparecem Renan Santos, com 4%, Pablo Marçal, com 3%, e Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Augusto Cury, com 2% cada. Os indecisos somam 17%, enquanto 7% dizem votar em branco, anular ou não comparecer. Esse bloco ainda não convertido é numericamente maior do que a distância entre os dois líderes e pode alterar o quadro nas próximas rodadas.
O peso político do Espírito Santo
A fotografia capixaba é relevante porque o Estado tem histórico eleitoral competitivo e concentra uma direita organizada, ao mesmo tempo em que Lula mantém presença eleitoral importante, especialmente em segmentos urbanos e entre eleitores de menor renda. A liderança nominal de Flávio sugere que a candidatura do PL consegue preservar uma parcela expressiva do eleitorado bolsonarista no Estado, mas os 29% de Lula mostram que a disputa está longe de estar resolvida.
O dado também precisa ser lido no contexto de uma eleição nacional fragmentada. Candidaturas intermediárias somam pontos suficientes para influenciar a passagem ao segundo turno e, principalmente, a transferência de votos numa eventual etapa final. No Espírito Santo, os candidatos fora da dupla Flávio-Lula somam 15% no cenário divulgado, sem contar indecisos e votos inválidos.
Pesquisa pós-registro inaugura nova fase da campanha
A rodada tem um peso adicional: é a primeira pesquisa da Quaest no Estado após o registro das candidaturas e o início formal da campanha. Isso significa que o eleitor já começa a ser exposto de forma mais intensa à propaganda, aos debates, às entrevistas e às agendas de rua. A tendência, a partir daqui, é de redução gradual do número de indecisos e maior consolidação das escolhas.
A própria A Gazeta ressalta que as rodadas anteriores da Quaest no Espírito Santo não são diretamente comparáveis com esta porque trabalhavam com cenários diferentes, incluindo nomes então apenas cotados. Por isso, qualquer afirmação de crescimento ou queda individual entre julho e agosto deve ser feita com cautela.
O que o resultado diz, e o que ele ainda não diz
A pesquisa permite afirmar que Flávio Bolsonaro lidera numericamente a corrida presidencial no Espírito Santo na amostra divulgada. Não permite afirmar, porém, que exista vantagem estatisticamente consolidada sobre Lula. Também não permite projetar automaticamente o resultado estadual para o país inteiro, já que o levantamento mede apenas o eleitorado capixaba.
Outro ponto importante é a dimensão dos 17% de indecisos. Se esse grupo migrar de forma desproporcional para um dos dois líderes, o cenário pode se abrir rapidamente. Se houver divisão equilibrada, a disputa tende a continuar apertada. Por isso, as próximas pesquisas terão valor especial para identificar se a vantagem nominal de Flávio se transforma em tendência ou permanece dentro da faixa de oscilação.
Metodologia no centro da leitura
Com 804 entrevistas e margem de erro de três pontos percentuais, a pesquisa segue um desenho comum a levantamentos estaduais. A margem deve ser aplicada a cada percentual individualmente. A diferença de cinco pontos entre Flávio e Lula, isoladamente, não supera a incerteza combinada suficiente para afastar o empate técnico.
É justamente esse detalhe que separa a manchete política da leitura estatística. Flávio está na frente no número central da pesquisa. Lula continua ao alcance dentro da margem. A campanha no Espírito Santo, portanto, começa a reta decisiva com uma disputa aberta e um contingente expressivo de eleitores ainda sem candidato definido.
Foto: Senado Federal.