Flávio leva crítica às bets para comício e ironiza Lula
Candidato do PL transformou a disputa judicial sobre propaganda eleitoral em provocação durante ato realizado em Aracaju.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro usou um comício em Aracaju, no sábado (26), para renovar a acusação de que Lula seria o responsável político pela expansão dos cassinos on-line. Diante de apoiadores, o senador simulou um “chá revelação”, mostrou um envelope e ironizou o adversário como “pai do Tigrinho”.
A Veja registrou que Flávio também afirmou que a política adotada pelo governo petista teria jogado famílias pobres na miséria. O Metrópoles confirmou a encenação no comício, a referência a um suposto exame de DNA e o vínculo feito pelo candidato entre a fala e uma ação apresentada pela coligação de Lula no Tribunal Superior Eleitoral.
A provocação responde a uma representação protocolada contra peças da campanha do PL no rádio e na televisão. A coligação governista acusa o adversário de desinformação e pede direito de resposta, multa e interrupção da propaganda que atribui a Lula a criação do mercado de jogos on-line. O processo ainda não teve julgamento definitivo informado pelas fontes consultadas.
Flávio disse ter anexado um “exame de DNA” ao processo, mas o documento exibido no palco era parte da encenação política, e não uma prova pericial. O candidato repetiu que Lula regulamentou o setor e agora tenta proibi-lo às vésperas do primeiro turno. A fala mistura crítica ao marco legal e ataque ao calendário escolhido pelo governo.
Provocação vira ato de campanha
O episódio começou antes do comício. Na sexta-feira (25), durante uma cerimônia da Polícia Militar no Rio de Janeiro, Flávio classificou a proibição das apostas como populista, hipócrita e eleitoreira. Questionado sobre o que faria se eleito, disse ser contrário aos jogos e defendeu distinguir apostas esportivas de cassinos virtuais.
A campanha de Lula apresenta outra cronologia. As apostas de quota fixa foram autorizadas pela Lei 13.756, sancionada em 2018 durante o governo Michel Temer. O prazo previsto para regulamentação passou pelo governo Jair Bolsonaro sem uma disciplina federal concluída. Em 2023, já sob Lula, o Congresso aprovou e o presidente sancionou a Lei 14.790, que tributou e estabeleceu regras para o mercado, incluindo jogos on-line.
Esse histórico permite críticas políticas ao governo atual, que regulamentou e arrecadou com o setor, mas não sustenta a afirmação simplificada de que Lula criou sozinho as apostas no Brasil. A autorização nasceu em outro governo; a ampliação e a regulamentação foram concluídas na gestão petista. É essa disputa de responsabilidades que agora chegou à propaganda eleitoral e ao TSE.
Regulação divide narrativas eleitorais
Na sexta-feira, Lula assinou a Medida Provisória 1.394, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa. O texto também estabeleceu uma transição para retirada de saldos e encerramento das autorizações. Como toda medida provisória, a regra precisa ser examinada pelo Congresso para continuar válida.
Flávio argumenta que a proibição pode perder efeito depois da eleição e acusa o presidente de usar a medida para tentar apagar os danos causados pelo mercado. Lula, por sua vez, diz que a sociedade ficou desprotegida e compara os efeitos das apostas a uma doença que precisa ser combatida. As duas posições pertencem às campanhas e devem ser avaliadas à luz do texto legal e de seus resultados.
Entidades do setor também anunciaram oposição à MP, alegando risco de migração para o mercado clandestino e prejuízos a empresas autorizadas. Clubes patrocinados por casas de apostas temem perda de receitas. Já defensores da proibição destacam endividamento, dependência e fragilidade dos mecanismos de proteção dos consumidores.
Ao transformar o processo judicial em espetáculo de palco, Flávio procura fixar uma mensagem simples sobre um tema regulatório complexo. O TSE deverá decidir se a propaganda ultrapassou a crítica política e virou desinformação. No Congresso, deputados e senadores terão de decidir se mantêm a proibição, alteram a transição ou deixam a medida perder validade.
Em resumo
Simulou um chá revelação, exibiu um envelope e ironizou Lula como responsável político pelo jogo do Tigrinho.
Sim. A coligação de Lula pediu direito de resposta, multa e suspensão das peças que chamam o presidente de pai do Tigrinho.
A autorização começou em 2018, no governo Michel Temer; a regulamentação e a inclusão de jogos on-line foram concluídas em 2023, no governo Lula.
O presidente assinou a Medida Provisória 1.394, que proíbe apostas de quota fixa, mas o Congresso ainda precisa analisar o texto.
Ele disse ser contrário aos jogos, mas defendeu distinguir apostas esportivas de cassinos on-line; a posição ainda depende de proposta detalhada.