Flávio pede ao TSE freio em anúncios negativos
Campanha quer ingressar em ação de Lula contra a Meta e solicita bloqueio de impulsionamento contratado por terceiros ou dirigido contra candidatos.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que restrinja anúncios negativos nas plataformas da Meta durante o segundo turno. A manifestação foi apresentada na sexta-feira (16) no processo aberto pela campanha de Lula (PT).
O g1 informou que os advogados solicitaram a entrada de Flávio como terceiro interessado na ação, enquanto a Folha de S.Paulo confirmou os pedidos e a resposta da empresa. A Meta afirma não favorecer nenhuma candidatura e diz aplicar regras iguais a todos.
A equipe do candidato do PL sustenta que anúncios pagos contra Flávio vêm sendo distribuídos em escala elevada por perfis de terceiros e pela campanha adversária. Essa é uma alegação processual, ainda sujeita à análise do relator e à manifestação das partes.
Entre as medidas solicitadas está a proibição de impulsionamento contratado por pessoas ou empresas que não sejam candidaturas, partidos, federações ou coligações. Os advogados também querem impedir anúncios pagos com informações falsas ou gravemente distorcidas e suspender propaganda negativa impulsionada contra os dois concorrentes.
Pedidos ampliam disputa digital
O requerimento foi juntado à representação em que Lula acusa a Meta de restringir a entrega de conteúdos de sua campanha e de tratar de modo desigual materiais semelhantes. Ao pedir ingresso no mesmo processo, Flávio argumenta que a proteção eleitoral precisa alcançar ambos os lados.
Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a empresa adotasse medidas para assegurar tratamento igualitário às campanhas. A decisão previu multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento, conforme a apuração da Folha.
A Meta respondeu que seus sistemas não classificam nem distribuem publicações com base em ideologia política. A companhia também afirmou que corrige falhas quando elas são identificadas e que seguirá a legislação eleitoral brasileira.
As versões precisam permanecer separadas. A campanha de Flávio denuncia negligência na aprovação de anúncios negativos; a de Lula relata limitações na entrega de conteúdo; e a empresa rejeita a existência de favorecimento intencional. O tribunal ainda precisa confrontar os documentos e definir o alcance das obrigações.
Isonomia vale para ambos
O debate jurídico envolve duas regras distintas. Uma trata da igualdade de critérios aplicados pela plataforma; outra limita quem pode contratar impulsionamento eleitoral e veda o uso de publicidade paga para atacar adversários, ainda que críticas políticas continuem permitidas de forma orgânica.
A manifestação também pede retirada, em até 24 horas, de anúncios que se enquadrem nas proibições apontadas. A campanha apresentou exemplos e levantamentos de alcance, mas a existência de uma petição não significa que o TSE já tenha reconhecido todas as irregularidades alegadas.
Bellizze é o responsável por examinar os pedidos no processo. Ele poderá solicitar esclarecimentos, ouvir a empresa e as campanhas ou decidir com base nos documentos já juntados, sempre com possibilidade de revisão pelo colegiado quando cabível.
Com a votação marcada para 25 de outubro, o tempo de resposta tem peso prático: anúncios digitais podem alcançar grande público em poucas horas. A decisão deverá equilibrar liberdade de expressão, transparência na contratação e igualdade de tratamento sem transformar acusação partidária em fato provado antes do julgamento.
Em resumo
Pediu restrições a anúncios negativos, a impulsionamentos por terceiros e a conteúdos pagos falsos ou gravemente distorcidos.
Na representação aberta pela campanha de Lula contra a Meta, com solicitação para Flávio ingressar como terceiro interessado.
O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral.
Não. Os pedidos ainda dependem de análise judicial e não equivalem a uma decisão de mérito.
A empresa nega favorecer candidaturas e afirma aplicar suas regras e a legislação eleitoral de forma igual.