Flávio volta a visitar pai após fim de restrição
Senador encontrou Jair Bolsonaro pela primeira vez desde julho, sob limites mantidos pelo Supremo.

O senador Flávio Bolsonaro visitou o pai, Jair Bolsonaro, na manhã desta terça-feira (13), em Brasília. Foi o primeiro encontro entre os dois desde julho e ocorreu um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizar a retomada do contato.
A Agência Brasil registrou que Flávio chegou à residência por volta das 9h30 e saiu cerca de uma hora depois. A Folha de S.Paulo confirmou a visita e informou que a proibição anterior vigorou por 90 dias, prazo encerrado no domingo (11).
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar depois de ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado. A autorização para o encontro não revogou as demais condições impostas pelo STF nem alterou a condenação; tratou apenas da possibilidade de visita do filho.
Encontro ocorre sob regras judiciais
Na decisão que liberou o contato, Moraes manteve o veto ao uso da visita com finalidade político-eleitoral. Também continuou proibida a divulgação de manifestos ou declarações atribuídas ao ex-presidente, restrição destinada a impedir que terceiros funcionem como meio indireto de comunicação pública.
Flávio está cadastrado como advogado do pai e, por essa condição, pode realizar visitas em dias úteis dentro das regras fixadas. A autorização também preserva horários específicos para encontros familiares. A distinção entre visita profissional e familiar define duração e agenda, mas não elimina os limites de comunicação.
A restrição começou em julho, após Flávio obter uma carta do pai e divulgá-la nas redes sociais. Moraes considerou que a publicação desviou a finalidade da visita e descumpriu a proibição de uso direto ou indireto das plataformas digitais por Jair Bolsonaro.
Ao restabelecer o contato depois do prazo, o STF não reconheceu irregularidade na relação entre pai e filho. A medida anterior teve caráter temporário e foi vinculada a um episódio concreto. Encerrados os 90 dias, a retomada foi autorizada com salvaguardas expressas contra repetição da conduta.
Proibição durou noventa dias
Depois do encontro, Flávio declarou à imprensa que se sentia fortalecido pela visita. Como ele disputa o segundo turno da eleição presidencial, qualquer fala que conecte a reunião à campanha precisa ser separada do conteúdo que Jair Bolsonaro está impedido de divulgar.
Essa separação protege duas garantias que convivem no caso: o direito de visita do preso e o cumprimento das decisões judiciais. A condição de candidato não suspende o direito de ver o pai, mas também não autoriza transformar o encontro em canal para declarações proibidas.
A fiscalização de eventual descumprimento cabe ao STF e depende de fatos verificáveis. Comentários políticos feitos por Flávio em nome próprio não provam, por si só, que ele transmitiu mensagem do ex-presidente; da mesma forma, uma autorização de visita não afasta a possibilidade de sanção se os limites forem violados.
O encontro desta terça-feira encerrou a interrupção iniciada em julho, mas não retirou Jair Bolsonaro do regime domiciliar. A situação jurídica permanece submetida às condições impostas no processo, e novas visitas deverão respeitar a finalidade e os horários reconhecidos pela decisão.
Em resumo
O encontro ocorreu na manhã de terça-feira, 13 de outubro, em Brasília.
Alexandre de Moraes havia proibido o contato por 90 dias após a divulgação de uma carta de Jair Bolsonaro.
Sim. Moraes autorizou a retomada do contato depois do encerramento do prazo da restrição.
Permanece proibido usar a visita para finalidade político-eleitoral ou divulgar manifestos e declarações do ex-presidente.
Não. Jair Bolsonaro continua em prisão domiciliar e sujeito às demais condições judiciais.