Economia · 2026-10-02 · Redação Notícia ES

FMI libera US$ 138 milhões e eleva projeção de El Salvador

Fundo concluiu duas revisões do acordo de crédito, autorizou nova parcela e projetou crescimento de 4,5% para o país em 2026.

FMI libera US$ 138 milhões e eleva projeção de El Salvador
FMI libera US$ 138 milhões e eleva projeção de El Salvador

O Fundo Monetário Internacional autorizou nesta quinta-feira, 1º de outubro, o desembolso imediato de cerca de US$ 138 milhões para El Salvador. A decisão veio após a conclusão da segunda e da terceira revisões do acordo de crédito mantido com o país.

A notícia foi publicada pela Revista Oeste e confirmada em comunicado oficial do FMI. O programa de 40 meses foi aprovado em fevereiro de 2025 e prevê acesso total a aproximadamente US$ 1,4 bilhão.

Na avaliação do Fundo, a atividade econômica salvadorenha superou as expectativas, apoiada pela melhora da segurança e pela confiança dos investidores. A projeção para o crescimento real do Produto Interno Bruto em 2026 ficou em 4,5%, ante expansão estimada de 3,9% em 2025.

Acordo libera nova parcela

O pagamento corresponde a 101,96 milhões de Direitos Especiais de Saque, unidade de conta usada pelo FMI. Com a liberação, o governo ganha recursos para reforçar reservas e cumprir compromissos financeiros, mas continua sujeito às metas previstas no programa.

O organismo informou que a consolidação fiscal avançou de forma compatível com os objetivos e que as metas de reservas e liquidez foram superadas. Também registrou progresso na transparência fiscal, na supervisão financeira e em medidas contra lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

O relatório atribui parte do desempenho ao investimento, ao consumo privado, às remessas enviadas por salvadorenhos no exterior e ao turismo. Ainda assim, o FMI cobrou execução pontual das reformas para que o resultado atual se transforme em crescimento duradouro e inclusivo.

Entre as prioridades estão a reforma previdenciária, ajustes no serviço público e medidas para reduzir a dívida. A instituição também recomendou maior proteção aos gastos sociais e melhor administração de receitas e despesas.

Bitcoin segue sob cobrança

O uso de bitcoin pelo setor público permanece como ponto sensível. El Salvador não cumpriu um dos critérios de desempenho relacionado à acumulação da criptomoeda, mas recebeu uma dispensa após apresentar medidas corretivas e renovar compromissos assumidos no acordo.

Segundo o FMI, o Estado deve continuar reduzindo sua participação em atividades ligadas ao ativo digital. O Fundo afirmou que não espera novas compras além de doações já documentadas e pediu mais transparência sobre as reservas públicas de criptoativos.

A transferência do controle majoritário da carteira digital Chivo para um operador privado foi classificada como avanço. O organismo, porém, defendeu o encerramento da exposição residual do setor público e o fortalecimento das regras para prestadores de serviços com moedas digitais.

O programa também busca ampliar as reservas internacionais, preservar a liquidez dos bancos e diminuir a ligação financeira entre o governo e o sistema bancário. Essas medidas devem reduzir a vulnerabilidade do país diante de choques externos.

A nova parcela não encerra a supervisão. As próximas avaliações irão medir o cumprimento das metas fiscais, a evolução das reformas e a política para o bitcoin antes de futuras liberações dentro do financiamento aprovado.

Em resumo

Quanto o FMI liberou para El Salvador?

Cerca de US$ 138 milhões, após concluir a segunda e a terceira revisões do acordo.

Qual é o tamanho total do programa?

O acordo de 40 meses permite acesso a aproximadamente US$ 1,4 bilhão.

Qual é a projeção de crescimento para 2026?

O FMI estima expansão real de 4,5% do PIB salvadorenho em 2026.

Por que houve cobrança sobre o bitcoin?

O país não cumpriu um critério ligado à acumulação pública da criptomoeda e precisou apresentar medidas corretivas.

O desembolso encerra a fiscalização?

Não. Novas liberações dependem de avaliações sobre metas fiscais, reformas e exposição pública ao bitcoin.

Fontes