Focus eleva previsão de inflação a 4,92% e vê Selic em 13,5%
Medianas do mercado colocam o IPCA acima do teto da meta e indicam dois cortes adicionais de juros até dezembro; projeção do PIB fica em 1,88%.

Inflação volta a subir nas projeções do mercado
A mediana das estimativas do mercado financeiro para a inflação de 2026 subiu de 4,90% para 4,92% no Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 21 de setembro. O movimento interrompeu uma sequência de três semanas de redução. A previsão permanece acima do limite superior da meta contínua, cujo centro é 3% e cuja faixa de tolerância vai de 1,5% a 4,5%.
O Focus reúne previsões de bancos, gestoras, consultorias e outras instituições; não é uma projeção do Banco Central nem garantia do resultado. A mediana reduz o peso de estimativas extremas, mas muda conforme dados de preços, atividade, câmbio e decisões de política econômica. Para setembro, analistas consultados esperavam avanço de 0,52% do IPCA.
A alta projetada acima da meta aumenta a atenção sobre a velocidade de queda dos juros. O regime brasileiro avalia a inflação acumulada em 12 meses e prevê comunicação do Banco Central quando o índice fica fora do intervalo por seis meses consecutivos. Choques temporários e seus efeitos secundários entram na avaliação, assim como a confiança de que a inflação convergirá nos trimestres seguintes.
Selic deve encerrar o ano em 13,5%
A taxa Selic está em 13,75% ao ano, e a mediana do Focus apontou 13,5% no fim de 2026. A projeção implica espaço limitado para novos cortes e reflete receio de que a inflação resista. Parte dos economistas ouvidos pela Folha prevê duas reduções adicionais no ano, mas o Comitê de Política Monetária decide reunião a reunião, sem compromisso com o cenário das instituições.
Juros altos encarecem crédito, reduzem consumo financiado e investimento e aumentam o custo de carregamento da dívida pública. Ao mesmo tempo, buscam conter a demanda e ancorar expectativas. A transmissão não é imediata: contratos, estoques, mercado de trabalho e câmbio fazem com que os efeitos apareçam ao longo de vários meses.
Para 2027, a mediana apontava Selic de 12% ao ano; para 2028, 10,5%; e para 2029, 10%. O caminho sugere redução gradual, mas continua sujeito a mudanças. Política fiscal, preços de commodities, decisões de bancos centrais no exterior e comportamento do real podem alterar o cenário rapidamente.
A projeção do produto interno bruto de 2026 ficou em 1,88%, segundo a leitura publicada pela Folha. Crescimento moderado e inflação elevada formam combinação difícil: cortar juros cedo demais pode reacender preços, enquanto manter a taxa restritiva por tempo excessivo prejudica atividade e emprego. O Copom precisa equilibrar os riscos com dados observados.
Famílias sentem efeitos em crédito e preços
Para o consumidor, a Selic não é a taxa cobrada no cartão, no cheque especial ou no financiamento. Esses juros incluem risco, impostos, custos operacionais e margem bancária. Ainda assim, a taxa básica influencia o custo de captação e as condições de crédito. Reduções no Banco Central podem demorar a chegar e não são necessariamente repassadas na mesma proporção.
A inflação de 4,92% também não significa que todos os preços subirão igualmente. O IPCA é uma média ponderada de uma cesta de consumo. Alimentos, transporte, moradia e serviços têm comportamentos diferentes, e o impacto varia conforme a renda familiar. Por isso, a experiência doméstica pode divergir do índice cheio.
O Focus é útil para acompanhar mudança de direção, não para tratar décimos como certeza. Revisões semanais mostram como o consenso reage a novas informações. Empresas usam as expectativas em contratos e planejamento; governo e Banco Central observam se as projeções se afastam da meta. Uma piora persistente pode exigir política monetária mais cautelosa.
Os próximos sinais virão do IPCA, dos dados de atividade e da comunicação do Copom. Se a inflação corrente e as expectativas cederem, haverá mais espaço para juros menores. Se pressões se espalharem, o ciclo pode ser interrompido. Famílias e empresas devem comparar o custo efetivo total de empréstimos, evitando decisões baseadas apenas na taxa básica anunciada.
A ata do Copom e o comunicado após cada reunião ajudam a entender o balanço de riscos. Mudanças de linguagem podem influenciar imediatamente câmbio e juros futuros, mesmo quando a taxa corrente permanece igual.
Em resumo
4,92%, segundo a mediana divulgada em 21 de setembro.
4,5%, considerando centro de 3% e tolerância de 1,5 ponto percentual.
13,75% ao ano no momento do relatório.
Mediana de 13,5% ao ano.
Não. É uma pesquisa com instituições do mercado financeiro.
1,88% de crescimento em 2026 na leitura citada.