Focus eleva IPCA de 2026 a 4,92% e mantém Selic de fim de ano em 13,5%
Mediana das projeções para a inflação subiu de 4,90% para 4,92%, acima do teto da meta; mercado reduziu a estimativa de crescimento do PIB a 1,88%.

BRASÍLIA. Economistas consultados pelo Banco Central elevaram de 4,90% para 4,92% a mediana das projeções para o IPCA de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 21 de setembro. A estimativa para a taxa Selic no fim do ano permaneceu em 13,5% ao ano, abaixo dos atuais 13,75%. Já a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto recuou de 1,89% para 1,88%.
O Focus reúne expectativas de instituições do mercado financeiro e não representa uma previsão oficial do Banco Central. As medianas mudam conforme os participantes atualizam seus modelos diante de novos dados de preços, atividade econômica, câmbio e decisões de política monetária. O relatório oferece um termômetro das expectativas, não uma garantia sobre o resultado do ano.
A projeção de 4,92% coloca a inflação esperada acima do teto da meta contínua. O centro definido pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite superior é 4,5%. Se a inflação acumulada permanecer fora da faixa pelo período previsto no regime de metas, o Banco Central precisa explicar as razões e as medidas para reconduzi-la.
Alta do IPCA interrompe sequência de alívio
A elevação semanal foi pequena, de 0,02 ponto percentual, mas ganhou relevância porque interrompeu a trajetória de redução observada desde junho. Quatro semanas antes, a mediana estava em 5,02%. A leitura correta, portanto, combina dois movimentos: houve melhora em relação ao mês anterior, mas uma piora marginal na comparação com a semana passada.
Para setembro, os analistas passaram a trabalhar com inflação mensal próxima de 0,5%, segundo as reportagens consultadas. Entre os fatores citados estão a recomposição de tarifas de energia elétrica e pressões sobre alimentos. Esses efeitos podem variar, e a composição do índice — serviços, bens industriais, alimentos e preços administrados — será decisiva para a avaliação do Banco Central.
A inflação acima da meta afeta o poder de compra, especialmente de famílias com orçamento mais comprometido por alimentação, energia e transporte. Também influencia contratos indexados e o custo do crédito. Ao mesmo tempo, juros altos usados para conter a demanda encarecem financiamentos e podem reduzir investimento e consumo, criando um equilíbrio difícil para a política monetária.
Selic de 13,5% sugere espaço limitado para novos cortes
O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 13,75% na semana anterior. A mediana de 13,5% para dezembro indica que o mercado vê algum espaço adicional de queda até o fim do ano, mas não define em qual reunião, nem em que tamanho, ocorreria cada eventual corte. A decisão cabe ao Copom e depende do conjunto de dados disponível em cada encontro.
A ata da reunião do Copom, prevista para terça-feira, 22, deverá detalhar a avaliação sobre riscos para a inflação e as condições necessárias para novos ajustes. O documento costuma ser observado porque mostra como o colegiado equilibra atividade, câmbio, expectativas e inflação corrente. Uma comunicação mais cautelosa pode alterar novamente as projeções do Focus.
No PIB, a mudança de 1,89% para 1,88% é pequena e não permite, sozinha, concluir que houve virada da atividade. A projeção anual depende de dados já divulgados e do desempenho esperado nos meses restantes. Revisões em indústria, serviços, comércio e agropecuária podem modificar a estimativa até o fechamento das contas nacionais.
Próximos indicadores serão decisivos
Os próximos dados de inflação ao consumidor e de atividade serão usados para testar se a piora semanal do IPCA é pontual ou início de uma nova sequência. Também será relevante observar as expectativas de prazos mais longos, porque a política monetária reage não apenas ao índice corrente, mas ao risco de a inflação permanecer distante da meta.
Para consumidores e empresas, o cenário combina inflação projetada acima da faixa de tolerância, juros ainda elevados e crescimento moderado. Isso mantém o crédito caro e exige cautela no planejamento financeiro. Para o Banco Central, o desafio é reduzir a inflação sem produzir desaceleração maior do que a necessária.
A rodada desta semana não fecha o diagnóstico. Ela mostra que o mercado interrompeu a melhora da projeção inflacionária, espera a Selic pouco abaixo do nível atual em dezembro e fez ajuste mínimo no PIB. A ata do Copom e os próximos índices de preços dirão se essas medianas se consolidam ou voltam a mudar.
Em resumo
A mediana subiu de 4,90% para 4,92%.
Não. O teto da faixa de tolerância é 4,5%, enquanto a mediana está em 4,92%.
O mercado mantém a mediana de 13,5% ao ano.
A mediana para 2026 recuou levemente, de 1,89% para 1,88%.
Não. O BC coleta e divulga expectativas de instituições do mercado financeiro.
Novos dados de inflação e atividade, a ata do Copom, o câmbio e decisões futuras de juros podem alterar as medianas.