Focus reduz previsão do PIB para 1,83%
Economistas consultados pelo Banco Central cortam a projeção de crescimento e também reduzem a estimativa do dólar no fim de 2026.

Economistas consultados pelo Banco Central reduziram nesta segunda-feira (19) a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026, de 1,85% para 1,83%. O ajuste apareceu na nova edição do Boletim Focus, que reúne semanalmente estimativas de instituições do mercado financeiro.
O Poder360 informou a revisão do PIB e a queda da expectativa para o dólar no fim do ano. BP Money e IstoÉ Dinheiro confirmaram os números centrais: câmbio projetado em R$ 5,13, inflação de 5,22% e taxa Selic de 13,25% ao ano em dezembro.
O corte de dois centésimos é pequeno, mas integra uma sequência de revisões que ajuda a medir a direção das expectativas. O Focus não é uma previsão oficial do Banco Central. Ele apresenta a mediana das respostas enviadas por analistas e pode mudar a cada semana conforme surgem novos indicadores.
Crescimento perde força projetada
As projeções de atividade também foram reduzidas para os anos seguintes. Para 2027, a estimativa de expansão caiu de 1,40% para 1,32%. Em 2028, passou de 1,83% para 1,81%. A previsão de 2029 permaneceu em 2%, sem alteração na rodada mais recente.
O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos no país. Uma expectativa menor pode influenciar decisões de empresas sobre investimento, contratação e estoques, mas não determina o resultado final. Consumo, crédito, setor externo, produção agropecuária e política fiscal podem alterar o desempenho ao longo do período.
No câmbio, a projeção para o encerramento de 2026 recuou de R$ 5,15 para R$ 5,13 por dólar. Para 2027, caiu de R$ 5,26 para R$ 5,22. As estimativas para 2028 e 2029 ficaram em R$ 5,29 e R$ 5,30, respectivamente.
Inflação segue acima da meta
A mediana para o IPCA de 2026 foi mantida em 5,22%. O número permanece acima do centro da meta de inflação e exige acompanhamento porque preços maiores reduzem o poder de compra das famílias. Para 2027, a previsão subiu de 4,30% para 4,32%, enquanto 2028 caiu para 3,75%.
A projeção da Selic no fim de 2026 ficou estável em 13,25% ao ano. Para 2027, os analistas mantiveram 12%; para 2028, 10,50%; e para 2029, 10%. Juros elevados ajudam a conter a inflação, mas encarecem o crédito e podem moderar consumo e investimento.
As trajetórias de atividade, preços, câmbio e juros precisam ser lidas em conjunto. A combinação desta semana aponta crescimento um pouco menor, dólar ligeiramente mais baixo e inflação ainda resistente. Isso não significa que os quatro indicadores seguirão essas marcas, mas mostra como o mercado organiza hoje seu cenário básico.
A próxima edição do Focus poderá incorporar dados de inflação, emprego, contas públicas e atividade que ainda serão divulgados. Como o levantamento é atualizado continuamente, uma mudança semanal ganha relevância quando se repete ou quando vem acompanhada de revisões mais amplas nas expectativas.
Em resumo
A mediana do Focus caiu de 1,85% para 1,83%.
A estimativa recuou para R$ 5,13 por dólar.
A projeção do IPCA permaneceu em 5,22%.
O mercado manteve 13,25% ao ano para o encerramento de 2026.
Não. O relatório reúne a mediana das estimativas enviadas por instituições do mercado.