Foto no celular de Vorcaro mostra Paulo Gonet com banqueiro em Londres; PGR nega proximidade
Registro encontrado no celular do ex-banqueiro mostra Gonet em uma mesa com Vorcaro durante evento em Londres; o procurador-geral afirma que o encontro foi único, breve e sem relação pessoal.
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BRASÍLIA. Uma fotografia localizada pela Polícia Federal nos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro mostra o ex-banqueiro ao lado do procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante um evento em Londres, em abril de 2024. A imagem, divulgada neste sábado, 19 de setembro, registra os dois à mesma mesa, com charutos e bebidas. Gonet afirma que o encontro foi único, breve e social, nega amizade ou relação pessoal com Vorcaro e diz que nenhuma questão profissional relevante foi tratada.
O material foi revelado inicialmente em reportagens da CBN e da Folha de S.Paulo e também confirmado pelo UOL. Segundo os veículos, a foto estava em uma conversa do advogado Ciro Soares com Vorcaro. Embora o registro tenha sido feito em abril de 2024, a imagem teria sido enviada ao celular do ex-banqueiro em 2025. O encontro ocorreu no George Club, em Londres, durante uma agenda promovida pelo Grupo VOTO.
A existência da fotografia acrescenta um elemento objetivo ao debate que chegou ao Supremo Tribunal Federal na sessão de 15 de setembro. Naquela ocasião, Gonet já havia reconhecido que esteve no mesmo evento e conversou com Vorcaro, mas descreveu o contato como breve e banal. A nova imagem não prova, por si só, relação indevida, favorecimento ou prática de crime. Ela confirma que ambos compartilharam a mesma mesa no evento, ponto que agora será examinado junto com as mensagens encontradas no aparelho.
O que aparece nas mensagens
De acordo com a apuração publicada, as conversas indicam que Ciro Soares atuava como interlocutor entre Vorcaro e Gonet. A Folha informa que o advogado enviou a fotografia ao ex-banqueiro e fez comentários sobre a presença do procurador-geral no encontro. A CBN registra que o material integra a extração realizada pela Polícia Federal no curso das investigações relacionadas ao Banco Master.
As reportagens também relatam referências a contatos posteriores. Esse conteúdo precisa ser tratado com cautela: mensagens escritas por terceiros podem revelar tentativas de aproximação, mas não demonstram automaticamente que a pessoa citada concordou com pedidos, manteve relação permanente ou praticou qualquer ato funcional em benefício do interessado. Até a manhã deste sábado, não havia divulgação de decisão judicial que atribuísse crime a Gonet por causa da fotografia.
Vorcaro foi controlador do Banco Master e passou a ser investigado em apurações que alcançaram o Supremo. O banco e pessoas ligadas ao grupo são alvos de procedimentos sobre supostas irregularidades financeiras. As suspeitas permanecem sujeitas a investigação e defesa. O procurador-geral atua como chefe do Ministério Público da União e representa a Procuradoria-Geral da República perante o STF, o que torna qualquer contato com investigados assunto de interesse público, ainda que o encontro tenha ocorrido em ambiente social.
Gonet nega amizade e relação profissional
O contraponto de Paulo Gonet é direto. Ele afirma que esteve uma única vez com Vorcaro, em encontro social no exterior, e que a conversa entre os dois durou poucos minutos. O procurador-geral nega proximidade, amizade ou vínculo profissional com o ex-banqueiro. Também sustenta que não participou de tratativas de interesse do Banco Master naquela ocasião.
Em manifestações anteriores sobre o episódio, Gonet classificou como levianas e descabidas as insinuações de vínculo pessoal construídas a partir de falas de terceiros. Ele argumenta que referências feitas por outras pessoas em mensagens privadas não podem ser convertidas automaticamente em conduta atribuível ao procurador-geral. A versão da PGR é parte essencial do caso porque a fotografia comprova presença comum no evento, mas não revela o teor completo da conversa mantida à mesa.
A apuração do UOL afirma ainda que o encontro ocorreu durante uma programação empresarial e que Gonet tratou sua participação como social. Segundo o relato publicado, ele contesta a interpretação de que o registro demonstre intimidade com Vorcaro. Não foi apresentada, até agora, prova pública de que o procurador-geral tenha recebido pagamento, presente ou vantagem do ex-banqueiro.
Conselho Superior do MPF deve analisar o caso
O Conselho Superior do Ministério Público Federal tem análise prevista para 25 de setembro sobre os desdobramentos das menções a Gonet. A existência desse procedimento não equivale a abertura automática de investigação criminal nem significa conclusão antecipada contra o procurador-geral. O colegiado poderá avaliar se há necessidade de novas providências, pedido de informações ou arquivamento.
A Folha informa que a Procuradoria-Geral da República organizou internamente um grupo de trabalho para examinar referências encontradas no material de Vorcaro. O objetivo é separar menções de terceiros, contatos efetivamente realizados e eventuais assuntos funcionais. A análise ganha importância porque os arquivos extraídos do celular têm grande volume e citam autoridades de diferentes órgãos.
O conteúdo do aparelho tornou-se um dos centros da crise institucional no STF. Ministros discutem quem deve conduzir as apurações, quais gabinetes podem acessar a íntegra dos dados e como impedir a exposição de informações sem relação com os fatos investigados. Ao mesmo tempo, o interesse público exige apuração das mensagens que possam indicar tentativa de influência sobre agentes do Estado.
Foto confirma encontro, mas não encerra a apuração
O dado novo deste sábado é visual e verificável: Gonet e Vorcaro aparecem juntos em uma mesa no evento londrino de abril de 2024. Esse registro torna mais concreta uma reunião já admitida pelo procurador-geral. A controvérsia passa a se concentrar na natureza do contato, na duração da conversa e na existência, ou não, de comunicação posterior relacionada a assuntos do Banco Master.
Há duas cautelas indispensáveis. A primeira é não esconder a fotografia nem reduzir sua relevância institucional, porque o chefe da PGR aparece ao lado de um empresário que mais tarde se tornou figura central de investigação federal. A segunda é não transformar o registro social em prova automática de favorecimento. A imagem mostra presença e convivência naquele momento; qualquer conclusão além disso depende do restante das mensagens, de documentos e de atos funcionais que possam ser comprovados.
O que acontece agora
Os próximos passos estão em três frentes. O Conselho Superior do MPF deve examinar o tema em 25 de setembro. A Procuradoria poderá aprofundar a análise interna das mensagens. E o Supremo continuará discutindo o acesso e a condução dos procedimentos vinculados aos dados extraídos do celular de Vorcaro.
Até que essas etapas avancem, a situação permanece aberta. Gonet reconhece o encontro, nega proximidade e afirma que não tratou de tema relevante com o ex-banqueiro. As reportagens apontam mensagens de terceiros que descrevem tentativas de aproximação e apresentam a foto como elemento adicional. Caberá às instâncias competentes verificar se o episódio ficou limitado a uma agenda social ou se existem fatos funcionais que exijam investigação mais ampla.
Em resumo
A imagem mostra Daniel Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, à mesma mesa durante um evento em Londres, em abril de 2024.
Sim. Gonet afirma que o encontro ocorreu uma única vez, em ambiente social, e que a conversa foi breve e banal.
Não. A foto comprova a presença dos dois no mesmo evento, mas não demonstra por si só favorecimento, vantagem indevida ou prática de crime.
O encontro ocorreu no George Club, em Londres, durante uma agenda promovida pelo Grupo VOTO, em abril de 2024.
O colegiado tem análise prevista para 25 de setembro e poderá avaliar se as menções a Gonet exigem novas providências, pedidos de informação ou arquivamento.
Gonet nega amizade, proximidade ou relação profissional com Vorcaro e afirma que referências feitas por terceiros não podem ser atribuídas automaticamente a ele.